“Nada me doeu mais do que saber que a Igreja não compreende meu trabalho pastoral”, afirma Solalinde

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22 Agosto 2012

Desde que o sacerdote Alejandro Solalinde Guerra começou seu trabalho pastoral em favor dos migrantes, em 2006, soube que sua tarefa enfrentaria obstáculos e perigos. O último foi a remoção pelo bispo de Tehuantepec. “Dói-me no peito e em todo o corpo a cegueira de meu bispo, que não compreende a dimensão da fé para proteger os direitos dos irmãos centro-americanos”, afirma Solalinde, entrevistado por Alberto López, em “El Universal”.

A reportagem é publicada pelo sítio Religión Digital, 19-08-2012. A tradução é do Cepat.

Você considera que sua eventual remoção é um ato de perseguição da Igreja, devido ao que os hierárquicos chamam de protagonismo? [Perguntou o entrevistador] “Mais do que um ato de perseguição, é um ato de cegueira de meu bispo Óscar Armando Campos Contreras, incapaz de ver o que faço com amor a partir da fé. Não é capaz de ver que é uma missão pastoral. Como o convenço?” Responde.

O padre, que no dia 19 de março completou 67 anos de idade, disse se sentir “ferido porque a hierarquia da Igreja, ainda que não toda a instituição, não entendeu que deve estar do lado dos pobres, dos que sofrem, como os migrantes da América Central, que correm o risco de ficar desamparados e mais vulneráveis”.

“O bispo tem todo o poder para me remover, mas seu poder não é suficiente para dobrar a minha consciência”, repetiu várias vezes Solalinde, antes que a Conferência Episcopal Mexicana divulgasse a postura do bispo Óscar Armando Campos Contreras, no sentido de que não havia pedido ao fundador do albergue que deixasse sua missão com os migrantes.

Solalinde Guerra iniciou seu trabalho pastoral neste albergue, há cinco anos, quando somente contava com uma pequena casa de maderite, lugar onde ele dormia, guardava alguns livros e algum medicamento para atender aos migrantes que chegavam caminhando de Tapachula, Chiapas, depois que o furacão Stan destroçou, em 2005, as vias ferroviárias e obrigou suspender a passagem de trem, conhecida como "La Bestia", durante quase seis anos.

Agora, no lugar da casa de maderite e de ganchos com duas ou três pontas, onde os migrantes penduravam redes desgastadas e descoloridas ou estendiam pedaços de papelão para dormir sobre o chão, levantam-se dormitórios: o dos homens, com 54 beliches e o das mulheres, com 15, com seus respectivos banheiros e áreas para atender os migrantes doentes. No pátio crescem vários pés de manga e dois “huanacaztles”, que projetam suas sombras para a cozinha, o refeitório e os frescos quiosques destinados às visitas.

“Graças ao bom trabalho do padre Solalinde, o albergue dos migrantes mudou para melhor”, admite Alberto Donis, um jovem guatemalteco a quem os policiais da desaparecida Agência Federal de Investigações (AFI) romperam o sonho de chegar ao território estadunidense, com uma pistola para roubar-lhe o dinheiro. Desde 2008, Donis decidiu ficar no albergue e se converteu num dos oito colaboradores que tem o amparo para o registro de imigrantes, a coleta de resíduos e o cuidado com a cozinha e o refeitório.

Os serviços de saúde são oferecidos por Médicos sem Fronteiras.

“Não vou abandonar minha missão pastoral, não vou abandonar os migrantes no desamparo” – comenta Solalinde Guerra, após ir ao refeitório pegar um pedaço de bolo, um espaço com teto de lâmina e um muro médio feito com blocos de cimento, que recebeu deputados, o governador Gabino Cué e representantes da Anistia Internacional.

Solalinde Guerra sofre. Não faz muito tempo que retornou de uma longa viagem para o estrangeiro, que fez parte do protocolo de segurança imposto aos defensores de direitos humanos, que tem visto suas vidas em perigo. E na solidão de sua moradia, onde na cruz de madeira brilha a inscrição de “não mais mortes”, pintada com tinta roxa, chega-lhe a enésima ameaça de morte, da parte daqueles que chama “os caciques de Nueva Tutla”, onde ficou retido durante um dia e meio, em 30 de dezembro de 2011.

“Dizem que os caciques andam oferecendo 10 mil pesos para que você deixe de incomodar”, comentou um de seus colaboradores, que havia assistido uma reunião a respeito do regresso de 100 pessoas deslocadas de Tutla. “Pouquíssimo dinheiro. Será que valho tão pouquinho?”, expressou desafiante o sacerdote, para tranquilizar seus colaboradores que trazem os nervos à flor da pele.

Ao longo de cinco anos de trabalho pastoral, Solalinde Guerra acompanhou os migrantes na apresentação de mais de 200 denúncias, para a PGR e a Procuradoria estatal, por crimes de homicídio, sequestro, extorsão, assalto, roubo à mão armada e estupros. “Todas as denúncias dormem o sono da impunidade”, lamenta Alberto Donis, um dos colaboradores.

Em cinco anos de trabalho, Solalinde Guerra atendeu a centenas de migrantes prejudicados pela La Bestia, atacados por violentas ações que freiam o sonho americano e sequestrados por bandos que veem nos centro-americanos uma privilegiada mercadoria produtora de dinheiro, mas também tem enfrentado a incompreensão da Igreja, as ameaças de morte e o cárcere, como ocorreu no dia 11 de janeiro de 2007, quando acompanhou pessoas em situação irregular na busca de 12 mulheres que haviam sido sequestradas na estação de trem.

“Toda essa experiência me dói, inclusive quando quiseram queimar o albergue, no dia 24 de junho de 2008, mas nada me doeu mais do que saber que a Igreja não compreende meu trabalho pastoral. Desde o início, sabia que meu trabalho não seria fácil, já vislumbrando os perigos, mas é necessário seguir adiante”, sustenta Solalinde Guerra, que agora enfrenta uma batalha para recuperar sua saúde, após permanecer cinco dias hospitalizado com o diagnóstico de dengue clássico. De acordo com as autoridades de saúde, este ano a doença disparou devido à “importação” do mal, de países da América Central.[...]

(Cf a notícia do día 22/08/2012 desta página)

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"Assim diz Javé dos exércitos: Façam julgamento verdadeiro,
e cada qual trate com amor e compaixão o seu irmão.
Não oprimam a viúva e o órfão, o estrangeiro e o pobre;
e ninguém fique, em seu coração,
tramando o mal contra o seu irmão". (Zc 7, 9-11)

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