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26 Abril 2012

Letras maiúsculas em vermelho em uma capa preta. "Deus está morto?", se perguntava a revista norte-americana Time no dia 8 de abril de 1966. Apenas para inverter o argumento, três anos depois, com uma capa branca atravessada pelos raios do Sol: "Deus ressuscitou?". Tom Smith, sociólogo da Universidade de Chicago, lembra essa confusão de impulsos nos EUA no final dos anos 1960 como o ponto de partida da análise social mais longa e extensa sobre a saúde de Deus no mundo.

A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 20-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois das duas primeiras etapas de 1991 e de 1998, o relatório Religion do International Social Survey Programme sobre a Fé em Deus no mundo ao longo dos anos e das nações chegou agora à sua terceira edição. Sessenta mil pessoas de 42 países, do Chile ao Japão, contaram aos pesquisadores a sua relação com a espiritualidade.

Em um mapa que também se apresenta com cores diferentes e contrastantes, contradições e inversões de rota, a conclusão geral é que o declínio da religião no mundo é lenta, mas constante.

A fé em declínio

Os números falam claramente: os crentes, entre 1991 e 2008, caíram em 14 dos 18 países que participaram das duas pesquisas. O percentual dos ateus, ao contrário, cresceu em 15 nações. Com relação à Itália, ao longo dos 20 anos, os ateus cresceram 3,5%, e os crentes registraram um declínio da fé em nada desprezível: 10,5%. Como se estivesse tomando forma progressivamente a imagem de Pasolini que, em 1973, via a palavra "Jesus" de uma vez por todas ligada a uma marca de jeans.

Um bastião da velhice

O bastião da fé continua sendo a faixa das pessoas com mais de 68 anos de idade. Na Itália, por exemplo, 66,7% das pessoas com mais de 68 anos declara acreditar em Deus, contra 35,9% dos jovens com menos de 28 anos. Portanto, basta pular duas gerações para reduzir pela metade a fé dos italianos. E o fenômeno é ainda mais claro na catolicíssima Espanha, onde a religiosidade pula dos 65,4% dos idosos para 21,8% dos jovens.

O número daqueles que declaram "Não acredito e nunca acreditei" viaja de forma totalmente especular. Na Itália, só 12% dos menores de 28 anos, contra um mísero 0,5% entre os maiores de 65 anos. "A fé em Deus – explica Smith – cresce muito provavelmente entre os mais velhos por causa da aproximação da morte".

Os efeitos do comunismo


O comunismo pode ter fracassado do ponto de vista econômico, mas o trabalho de esponja sobre a espiritualidade dos indivíduos parece ter funcionado muito bem nos países do bloco socialista. Mesmo com duas importantes exceções (Polônia e Rússia), as nações do Leste Europeu se amontoam no fim da lista dos crentes. A ex-Alemanha Oriental também tem o recorde de ateus convictos (52,1%), seguida pela República Tcheca (39,9%). E, ainda entre os alemães orientais, a religião atinge magros 12,7% entre os maiores de 68 anos e ainda está parada no zero entre os jovens com menos de 28 anos.

Fé e conflito

Há um aspecto que impressiona entre os dados do relatório. Os países em que a religiosidade está em aumento são muitas vezes aqueles em que se luta e se morre pela fé. Israel, por exemplo, está em segundo lugar, perdendo apenas para as Filipinas, no número de pessoas que declaram "acreditar firmemente em Deus", e os crentes aumentaram 23% entre 1991 e 2008.

O Chipre está em quarto lugar. Descendo um pouco, encontra-se a Irlanda do Norte. No ranking dos países mais próximos à religião estão, obviamente, os Estados Unidos. País que talvez seja arriscado definir como em guerra pela própria fé. Mas no qual, seguramente – apontam os pesquisadores da Universidade de Chicago –, "há uma intensa competição entre as principais religiões e entre as várias confissões cristãs".

A forma de Deus

O Deus em que os entrevistados acreditam (em sua grande maioria, mas não exclusivamente cristãos) é acima de tudo um Deus-pessoa, que se preocupa com o destino da humanidade. Para três em cada quatro italianos, ele é capaz de fazer milagres. E em 2008, quando Tom Smith tentou perguntar a uma amostra de norte-americanos a qual figura familiar eles associariam com Deus, a maioria escolheu "pai" a "mãe", "chefe" a "esposo", "juiz" em vez de "amante", e "rei" em vez de "amigo".

O paradoxo italiano

A parte italiana dos dados foi coletada por Cinzia Meraviglia, do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Piemonte Oriental, enquanto o relatório no nosso país foi organizado por Deborah De Luca, da Universidade de Milão.

"Na Itália – explicam as duas pesquisadoras –, 41% das pessoas dizem seguir a religião católica, mas não se consideram uma pessoa espiritual. Como se a fé fosse um valor cultural, cujas raízes devem ser buscadas na tradição e no hábito". Isso explica por que 76% dos italianos têm um crucifixo ou outro símbolo religioso em casa, mas apenas 23% vão à missa regularmente.

Na Itália, a Igreja também é a instituição na qual mais se confia, ao lado da escola (embora 80% dos entrevistados considerem que o Vaticano não deve dar indicações de voto ou pressionar os governos). Mas, ao mesmo tempo, 61% dos italianos declararam ter um modo próprio e pessoal para se comunicar com Deus, sem passar pela Igreja e pelos ritos religiosos.

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