O marxismo segundo o papa: a entrevista circula pelo mundo

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17 Dezembro 2013

A entrevista com o Papa Francisco publicada pelo jornal La Stampa está fazendo um giro ao redor do mundo, citada e retomada por todos os meios de comunicação mais importantes. Nos Estados Unidos, a passagem que chamou mais a atenção foi sobre a ideologia marxista, em que o pontífice diz que a considera equivocada, mas acrescenta ter conhecido muitos marxistas que são pessoas boas. Essas frases se tornaram a manchete de sites como o Huffington Post, mas também de artigos publicados por grandes meios de comunicação como a CNN ou a Reuters.

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada no jornal La Stampa, 16-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nos últimos dias, diversos comentaristas conservadores haviam discutido a exortação apostólica Evangelii gaudium, atacando as passagens em que Francisco criticava os excessos do capitalismo. Em particular, Rush Limbaugh (foto acima), talvez o locutor mais conhecido dos Estados Unidos, que disse que as palavras do Santo Padre eram puro marxismo.

Limbaugh é muito ouvido principalmente pelos ouvintes de direita e igualmente criticado pelos da esquerda. Por isso, a resposta do papa imediatamente provocou a reação da mídia. Os artigos de muitos meios de comunicação internacionais que retomaram a entrevista ao La Stampa, no entanto, também publicaram as palavras do pontífice sobre o papel das mulheres na Igreja, as perseguições contra os cristãos e a mensagem geral sobre o valor do Natal.

Nos últimos meses, os conservadores norte-americanos haviam reclamado das posições tomadas por Francisco com relação aos temas da vida, quando ele dissera que não queria falar apenas de aborto. Os mais atentos, no entanto, ressaltaram que essas palavras não significavam uma mudança da doutrina da Igreja, mas sim a vontade de prestar atenção a outras questões.

Trata-se de um aspecto importante da linha do novo Santo Padre, porque poderia mudar também a configuração da relação com o governo Obama. O governo dos EUA, nos últimos anos, tem tido uma relação complexa com o mundo católico, em particular com a hierarquia dos bispos norte-americanos.

Em 2008, a maioria dos eleitores católicos tinham votado nele, mas a Conferência Episcopal o criticou muitas vezes, especialmente pela reforma da saúde que obriga todos os empregadores a fornecer seguros que pagam também por contraceptivos.

Sobre o tema do aborto, é muito difícil que Obama e Francisco encontrem um campo comum, porque um presidente democrata não pode decepcionar a sua base sobre esse ponto, e o papa não pode renunciar a um aspecto fundamental da doutrina da Igreja.

Washington, no entanto, espera que a atenção dada pelo pontífice aos temas sociais permita desenvolver um novo diálogo nesse fronte, apesar da tentativa dos conservadores de boicotá-lo pela raiz, com as acusações contra o Santo Padre de ser marxista.

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