Por que Aparecida amoldou Francisco?

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Por: Jonas | 04 Dezembro 2013

Bergoglio amoldou Aparecida ou Aparecida amoldou Francisco (foto)? Para muitos a Conferência dos Bispos da América Latina, reunida em maio de 2007, no Brasil, colocou Jorge Mario Bergoglio no caminho ao papado. De acordo com um sacerdote que colaborou com ele, muito de perto, aquele encontro também imprimiu no coração do Papa algumas das intuições que hoje explicam o êxito de seu pontificado.

 
Fonte: http://goo.gl/pjuWqb  

Cristián Roncagliolo Pacheco é vice-grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica do Chile. Em 2007, participou da Conferência Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). Durante mais de 15 dias, trabalhou lado a lado com o então arcebispo de Buenos Aires, como secretário da Comissão de Redação do documento final dessa cúpula. Em entrevista ao sítio Vatican Insider, compartilhou aquela experiência.

A reportagem é de Andrés Beltrano Álvarez, publicada por Vatican Insider, 02-12-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

O que você recorda de seu trabalho com o cardeal Jorge Mario Bergoglio, em Aparecida?

O que mais me marcou é ter encontrado um homem de profunda fé, intensa, alicerçada, muito simples e que sabe muito bem para onde vai. Em Aparecida, ele olhava para longe. Vi um homem de trabalho, muito próximo, atento aos detalhes no cotidiano e preocupado com as coisas simples.

Possui uma capacidade de síntese extraordinária. É capaz de ler muito, rápido e sacar ideias fundamentais. É uma capacidade que não vi tão fluída em outra pessoa. Isso é natural nele. Lia com rapidez uma quantidade exagerada de texto e suas sínteses interpretavam aqueles que o escutavam depois. Todos se sentiam representados.

Por que Aparecida é tão importante para o Papa?

Aparecida centra o seu olhar na pessoa do discípulo, diferente de todas as anteriores conferências episcopais da América Latina, que se centravam em categorias como a pobreza ou temas estruturais. A última assembleia colocou o seu olhar na pessoa que deve se converter, em sua relação com Cristo para poder transformar a história.

A palavra conversão está constantemente em sua pregação. Manifesta-se quando ele diz aos jovens: “façam agitação”. Isso já estava em Aparecida, com outras palavras. O documento conclusivo sustenta que os discípulos que se transformaram pelo encontro com Cristo, com um “transbordamento de alegria e gratuidade”, vão e anunciam essa experiência.

Então, Aparecida amoldou Bergoglio...

Aparecida o marcou porque pensa as pessoas com uma profunda experiência de encontro com Cristo e isso se traduz em uma Igreja que sai de si mesma, não uma Igreja que vive pensando em seus problemas, mas que está inserida na história para transformá-la.

Em Aparecida se vê uma Igreja que não tem medo do mundo. Outro traço na personalidade do Papa é que ele não possui medo das coisas. Não teme enfrentar os problemas, dialogar com a cultura, porque tem a segurança da fé que lhe permite ir para fora. Faz isso com uma soltura que impressiona.

E parece que causa medo em muitos...

Ele usa muito o conceito de “conversão pastoral”. Significa uma nova atitude, um novo modo de evangelizar e não uma mudança no depósito da fé.

Diz-se que Aparecida lhe aplainou o caminho para o pontificado, você concorda?

Acredito que na mente do cardeal Bergoglio nunca esteve a ideia de ser Papa. Em Aparecida, ele amoldou uma compreensão da Igreja que é original e que faz sentido para muita gente. De alguma maneira, mudou o foco do magistério latino-americano. Agora, em todas as suas pregações, o Papa aponta para o coração das pessoas. À conversão. Não vive pensando nas estruturas, inclusive ele mesmo não vive nas estruturas, na medida do possível. As estruturas o complicam. Ele pensa muito mais na conversão das pessoas.

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