Nova vida para o mosteiro de Tibhirine

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21 Novembro 2013

As cores quentes do outono envolvem em um abraço reconfortante o mosteiro de Tibhirine, depois de um verão particularmente longo e seco que cobriu todo o vale de pinceladas de ocre. É uma estação de passagem para o mosteiro argelino, marcado pelo sequestro e pelo assassinato de sete monges trapistas entre março e maio de 1996. E não só de um ponto de vista meteorológico.

A reportagem é de Anna Pozzi, publicada no jornal Avvenire, dos bispos italianos, 18-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os efeitos benéficos do filme Homens e deuses, que despertou novamente o interesse e multiplicou as visitas, foram revigorados nos últimos tempos por iniciativas de indivíduos e de grupos que, seguindo os passos dos monges, encontraram novamente a estrada do Atlas argelino, rumo a um mosteiro que vive uma nova vida. Sem monges, certamente, mas com o mesmo espírito de acolhida e de abertura.

É principalmente graças à presença do padre Jean-Marie Lassausse que esse mosteiro continua sendo um ponto de referência para a Igreja da Argélia e para a Igreja universal, para a população local e para peregrinos de todo o mundo. Há quase 13 anos, esse sacerdote da Mission de France, que tem uma vasta experiência de missão na Tanzânia e no Egito, garante com obstinação e otimismo uma presença que encontrou muitas dificuldades e inúmeros obstáculos.

A situação política argelina não ajuda. E o recrudescimento do terrorismo islamita, que chegou a atingir novamente o país em janeiro passado no campo petrolífero de In Amenas, impôs novas e mais severas regras de segurança. No entanto, o mosteiro nunca esteve tão vivo quanto nesse últimos meses. E nunca esteve tão no centro da atenção midiática quanto nas últimas semanas.

Em uma espécie de jogo de espelhos entre Argélia e França, o que acontece em uma das margens do Mediterrâneo continua reverberando também do outro lado, entre inesperadas aberturas e antigos ressentimentos. E assim, no mesmo momento do encontro no dia 30 de outubro passado entre o presidente François Hollande com os familiares dos monges mortos, chegava a Tibhirine a visita não anunciada de um juiz de instrução argelino, acompanhado pelo procurador da República e por um alto funcionário da polícia científica, com muitos policiais, agentes de segurança e polícia a cavalo.

Tudo isso para preparar outra visita muito esperada, a do juiz francês Marc Trévidic, prevista para o fim de novembro. Uma visita para a qual o juiz de instrução teve que esperar a luz verde de Argel por mais de dois anos... "É um evento muito importante – comenta o padre Jean-Marie, que depois de um longo período de "pendularismo" entre Argel e Tibhirine, por razões de segurança, reside agora estavelmente no mosteiro –, mas o principal é que este lugar continue vivo, respirando o espírito dos monges, consolidando acima de tudo as relações de proximidade com as pessoas daqui, principalmente graças a uma presença constante".

Esta presença se enriqueceu, ultimamente, com a chegada de alguns voluntários, por períodos mais ou menos longos, leigos ou sacerdotes, que buscam um lugar de oração e de meditação, tornando-se úteis ao mesmo tempo especialmente para a restauração dos edifícios, os trabalhos agrícolas e a acolhida. E, depois, especialmente neste verão, aumentou notavelmente o número de visitantes e peregrinos.

"A maior parte – diz o padre Jean-Marie – são argelinos, muitos dos quais voltam a prestar homenagem ao frère Luc, o médico que, por 50 anos, tratou as pessoas da região. Mas há cada vez mais estrangeiros, principalmente franceses. Hoje podemos falar de milhares de pessoas que tiveram a coragem de superar as dificuldades, que às vezes são colocadas pelas autoridades argelinas a empreender o caminho da montanha, que leva a este mosteiro. Os visitantes encontram nele o mistério de uma presença cristã em uma terra quase exclusivamente muçulmana, e o espírito de fraternidade e de fidelidade que foi deixado como herança pelos monges".

Depois, também há a atividade agrícola, e o padre Jean-Marie, que também é agrônomo, está particularmente orgulhoso com isso. Por muitos anos, foi a única atividade possível para o mosteiro e agora ela se desenvolveu muito. Ainda hoje, o padre francês trabalha junto com os dois operários que eram empregados dos monges, Youssef e Samir. Um sinal importante de continuidade...

Dezesseis hectares de terreno, 2.400 árvores, 20 toneladas de frutas colhidas, vendidas ou transformadas em excelentes geleias. "Este ano foi uma verdadeira baraka!", diz, satisfeito. "Uma bênção!". E não só porque uma boa colheita garante a sobrevivência econômica do mosteiro, mas também porque os trabalhos agrícolas implicam necessariamente uma série de relações com o vilarejo e os arredores, e contribuem para reforçar o sentimento de pertença a esta terra para a qual os monges trapistas consagraram as suas existências.

"Eu gostaria que este mosteiro se abrisse cada vez mais para a sociedade civil argelina e que possa viver na transparência aos olhos das autoridades locais, para que seja reconhecido por todos como lugar discreto, mas fundamental do testemunho dos monges, que deram a sua vida na fidelidade a Deus, a este povo e a esta terra".

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