Francisco, o novo estilo de ser Papa. Artigo de José Manuel Vidal

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Por: André | 23 Setembro 2013

Em seis meses, colocou o mundo e a Igreja no bolso. Em seis meses, transformou uma instituição tomada pelas maçãs podres do clero pederasta e pelas intrigas de poder do Vatileaks, em referência moral mundial. Em seis meses, devolveu aos católicos o orgulho de sê-lo. Em seis meses, reorientou o timão da barca de Pedro e está fazendo passar a Igreja da condenação à ternura, da pompa à pobreza. Uma Igreja que prega e dá trigo pela mão de um Papa com um novo estilo. Na forma e no conteúdo.

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 13-09-2013. A tradução é de André Langer.

Em que consiste o novo estilo “franciscano” do primeiro Papa jesuíta da história? Ser testemunha do que significa seguir Jesus. Porque, como disse o grande teólogo jesuíta, Christoph Theobald, “ser cristão é um estilo de ser e estar no mundo à luz da hospitalidade do Nazareno”. Um estilo que evita a redução do cristianismo à abstração de um sistema doutrinal, mostrando a vida cristã como uma forma singular e profética de habitar no mundo.

Este novo estilo papal passa por três coordenadas precisas e concretas: tempo, espaço e governo.

O tempo do Papa Francisco não é para a Cúria, nem sequer para a Igreja entendida como instituição hierárquica. E muito menos, para o Vaticano. Seu tempo é para os fiéis, que mima, quer, abraça, com quem se mistura e compartilha e a quem fala, não da cátedra, mas do púlpito. Com uma comunicação de massas e individualizada. Olhos nos olhos das pessoas que o saúdam e dá telefonemas a pessoas concretas, com nome e sobrenome. Relação direta e quente de um Papa que encarna como ninguém a Igreja “mãe”.

Francisco deixou a cátedra do magistério extraordinário e definitivo (exceto a publicação da Encíclica Lumen Fidei, obra de Ratzinger, assinada por Bergoglio, em sinal eloquente de humildade e de deferência), para passar ao púlpito do Papa pároco. Este é um Papa que passa seu tempo pregando. Desde pela manhã, em sua homilia na missa diária na capela de Santa Marta. E prega com todo o seu corpo: palavras e gestos.

Um Papa que dedica seu tempo para falar sobre uma lista precisa de temas: pobreza, perdão, colegialidade, santidade, comunhão, ternura de Deus, misericórdia, esperança, amor, sair para as fronteiras existenciais, não ter medo do Deus que sempre perdoa e sempre nos “precede”.

E quando prega, o faz à maneira de um padre do povo, que conhece perfeitamente as suas “ovelhas” e compartilha com elas suas alegrias, suas penas, seus medos e suas esperanças. Não pontifica, não pretende ter a última palavra sobre tudo o que diz. Pretende apenas abrir um novo tempo: o tempo do diálogo fraterno. No fundo, sem condições e, sobretudo, sem imposições.

O novo estilo do Papa se baseia, assim mesmo, em sua nova utilização do espaço, encenado simbólica e realmente no “abandono” do Palácio pontifício. O chamado “apartamento” papal ficou vazio e Francisco utiliza apenas algumas das suas peças para as recepções oficiais de personalidades. O Palácio vazio, convertido em escritório ocasional, simboliza uma mudança de ciclo e de época.

A decisão de abandonar o palácio é de tal magnitude que inquieta os conservadores de dentro e fora do Vaticano, que tratam de desativá-la e privá-la de seu significado, qualificando-a de “uma das originalidades” deste Papa. Mas o fato é que o gesto papal é algo como se Obama abandonasse a Casa Branca, como se a Rainha da Inglaterra deixasse o Palácio de Buckingham ou o Rei Juan Carlos saísse de La Zarzuela para morar em um apartamento em Vallecas ou Moratalaz.

Deixar de ser o inquilino do Palácio Apostólico quebra o ícone ideológico da “sé apostólica” como um centro de poder de marca divina. Além disso, expõe os burocratas carreiristas vaticanos e joga por terra sua psicologia de “príncipes da Igreja”. E deixa com a corda no pescoço cardeais e bispos que vivem em palácios e viajam em grandes carros com motorista particular e secretário pessoal.

A terceira coordenada do novo estilo papal passa por sua forma de governo e de não-governo. Com decisões chaves sobre as estruturas eclesiásticas que mais mancharam o rosto da Igreja: o IOR, ou o banco vaticano, e a Cúria Romana. Para que deixem de ser um contratestemunho evangélico. Um estilo de governo colegial (com comissões e especialistas), no qual, depois de ouvir a todos, decide ele, em primeira pessoa e sem que lhe trema o pulso. Por exemplo, acaba de demitir o Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, e o substituiu por Pietro Parolin, o núncio na Venezuela, diplomata consagrado, mas com entranhas de pastor.

Decisões de governo tomadas sem pressa, mas sem demora. Sem pressa, como bom estrategista jesuíta, que mede os tempos, para não criar inimigos além dos imprescindíveis. Mas sem demora, consciente de que suas primeiras grandes decisões marcarão o rumo do seu pontificado. Sabedor de que o que não fizer em seu primeiro ano de pontificado, lhe custará muito mais para fazer depois. E consciente de que seu pontificado (pela lei da vida) não será longo, mas nem por isso tem que ser precipitado.

Empapado de bondade e de humanização

O novo estilo de ser papa que Francisco inaugura está ancorado na bondade e na humanização. Um Papa que é e se apresenta como humano e como bom. Por isso, entre outras coisas, evoca João XXIII, o Papa Bom. Porque, como disse Mark Twain, “a bondade é o idioma que o surdo ouve e o cego vê”. Ou como assinala o teólogo José María Castillo, “o que mais me impressiona no Papa Francisco é a sua bondade. Uma bondade que não se prega, nem se ensina, nem se impõe. A bondade se contagia. Quem é bondoso cria um clima de bondade. E isso muda a vida. A nossa. E a dos outros”.

A bondade de um testemunho do Evangelho, humilde e humano. Um Papa tão humano que se aproxima das pessoas, fala com elas, interessa-se por seus problemas; abraça, e se deixa abraçar, toca e se deixa tocar; interage e se expõe; exerce seu papel sem proteção. Opta por misturar-se com as pessoas mesmo com o risco de pagar o preço da sua própria insegurança. Um preço que ele assume, como disse no avião no seu retorno da Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro: “Graças ao fato de que tinha menos segurança, pude estar com as pessoas, abraçá-las, saudá-las, sem carros blindados. A segurança é confiar no povo. Sempre existe o perigo de que um louco faça algo, mas a verdadeira loucura é colocar uma barreira blindada entre o bispo e o povo. Prefiro o risco dessa loucura. A proximidade faz bem a todos nós”.

Em chave de bondade e de humanidade, o Papa está abordando as três tarefas prioritárias de seu pontificado: mudar o papado, a Cúria e a Igreja. A primeira tarefa já está em marcha, desde o próprio instante em que apareceu na sacada da Praça São Pedro e se apresentou com um “boa-noite” como bispo de Roma e se inclinou diante do povo para receber sua bênção antes de dá-la.

Com sua renúncia, Bento XVI humaniza o papado. Francisco extrai as consequências e arquiva, para sempre, a aura onipotente do Pontífice Máximo. Não quer ser o Papa monarca. Ou, talvez, um monarca humanizado, após ser o primeiro papa a descartar a ideologia da onipotência. É o fim da era dos Papas monárquico-imperialistas e o começo da época dos Papas testemunhas-carismáticos.

Francisco transmite a crentes e não crentes a importância da fé, mas não como dogma ou doutrina, mas como forma e sentido da vida no seguimento de Cristo, baseado nos valores evangélicos da misericórdia e da humanidade. João Paulo II foi um papa talvez tão humano quanto Bergoglio, mas seguia revestido da aura imperial. Francisco encarna outro modelo de Igreja. A Igreja de um Papa que nem sequer se apresenta como Papa, mas como Bispo de Roma e, nas homilias, fala em pé, em vez de sentar-se no trono, como faziam os seus antecessores.

Ao mesmo tempo em que está mudando o papado, com seu novo estilo, Francisco tem pela frente a tarefa de reformar em profundidade a Cúria Romana. Para que deixe de ser um aparelho burocrático cooptado por cardeais e monsenhores carreiristas e se coloque a serviço das Igrejas locais e do próprio Papa. Tem, para isso, um mandato claro do Conclave e da imensa maioria dos cardeais que o escolheram, cansados da imagem ruim que projetavam sobre a instituição as intrigas palacianas, os corvos e os mordomos infiéis da Cúria Romana.

No outono, Francisco começará a varrer sua própria casa. Para que deixe de ser um contratestemunho. E, como bom político, quer consegui-lo com colegialidade e contando com todas as tendências. Por isso a comissão de 8 cardeais de todas as sensibilidades eclesiais. Desde o progressista hondurenho Maradiaga, coordenador do clube dos escolhidos, até o conservador australiano Pell ou o centrista alemão Marx. Assim, aos mais recalcitrantes que sempre se queixam, poderá dizer: “Foi coisa de todos”.

Redimensionar a Cúria, reprogramar o pessoal vaticano para um trabalho essencialmente pastoral e não burocrático, erradicar os escalões e o carreirismo, tirar do Vaticano o seu papel milenar de centro burocrático e de poder absoluto, convertê-lo em um instrumento de unidade e de colaboração com os episcopados do mundo, e converter o IOR (banco vaticano) em um banco ético sumamente transparente, que nem de longe jogue com dinheiro sujo ou de procedência duvidosa. O Papa não pode pregar pobreza com um banco que faz lavagem de dinheiro.

Reformar a Igreja

Apesar das resistências, a reforma do papado e da Cúria são tarefas relativamente fáceis para Francisco. A reforma realmente difícil e quase hercúlea é a reorganização da Igreja globalmente como instituição. Isto é, abandonar a Igreja monárquica-imperial para passar a uma Igreja comunitária, colegial e corresponsável. Voltar à Igreja do Concílio.

Trata-se, como dizem Casaldáliga, Pires e Balduíno, três bispos-profetas brasileiros, de “assumir o Concílio Vaticano II atualizado, superar de uma vez por todas a tentação de Cristandade, viver dentro de uma Igreja plural e pobre, de opção pelos pobres, uma eclesiologia de participação, de libertação, de diaconia, de profecia, de martírio...”.

Daí a necessidade de que o “estilo Bergoglio” repercuta na Igreja-Povo de Deus em todos os níveis. Se suas palavras e gestos se mantêm como expressões e vivências de uma única pessoa, por mais Papa que seja, e não cale, de cima para baixo, em todos os escalões eclesiásticos, seu pontificado será, pouco a pouco, “domesticado”. Caso não houver mudanças concretas de estilo e, portanto, de comportamento em todos os níveis das estruturas eclesiásticas, a carga de novidade que o novo pontificado trouxer será reabsorvida.

É o que temem as grandes maiorias católicas animadas com Francisco. E é o que esperam, entrincheirados em seus quartéis de inverno, os setores mais conservadores de católicos, que têm medo do futuro e viveram, durante estas últimas décadas, entrincheirados e na defensiva diante do demônio, do mundo e da carne.

Estes ateus mais ou menos devotos preferem e lutam encarniçadamente (com excelentes resultados nas últimas décadas) por uma Igreja autoritária, mais mestra que mãe, que enquadre as filas pretas dos católicos sempre obedientes, olhe muito para dentro, assinale com o dedo em riste e persiga os dissidentes internos com mais raiva inclusive que os externos, e, talvez, realize uma certa assistência social com os empobrecidos.

Por isso, neste início de pontificado, acusam o Papa de pauperismo, populismo e demagogia e silenciam tudo o que soa como denúncia profética, sobretudo quando arremete contra as novas escravidões econômicas e contra o sistema financeiro que asfixia as massas de cidadãos em crise.

Entre a maioria, o estilo de Francisco está tendo uma resposta animada e sumamente afetuosa. É um estilo que conforta e consola os fiéis. Anima a participar da edificação da Igreja os que haviam permanecido à espera de tempos melhores. E convida a voltar os muitos que, cansados de uma instituição madrasta, foram engrossar as filas da indiferença, sem fazer barulho, sem bater portas, simplesmente desiludidos. Com Francisco, a Igreja católica se sente como um urso que sai da sua letargia invernal, olha o sol e busca novos ares.

O estilo papal serve de exemplo para muitos padres. Aos mais idosos, que entregaram sua vida a uma Igreja pós-conciliar, devolve-lhes os sonhos dos anos da juventude. Aos mais jovens, educados para serem padres-funcionários, questiona-os e os faz trocar de “chip”, embora isso custe a alguns e resistam.

Os bispos, por sua vez, não têm outro remédio senão mudar e moldar-se aos novos ventos romanos. É o que marca a dinâmica eclesial antes e agora. Uns o fazem por acomodação; outros, por conveniência; mas a maioria, por convicção, já está tratando de emular Francisco. As chaves, as insistências, os acentos já são os do novo Papa, transpiram seu estilo.

Porque, como disse o prestigioso teólogo jesuíta Christoph Theobald, “o estilo é o léxico da profecia e inspira”. O estilo do Papa Francisco interpela tanto (e a tantos) por ser um paterno magistério da bondade, a gramática essencial cristã e humana que todo o mundo entende.

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