A guerra diplomática entre o trio ocidental e Moscou. Artigo de Eduardo Febbro

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Por: André | 19 Setembro 2013

Os termos do acordo firmado em Genebra para o desmantelamento do arsenal químico da Síria deram origem a uma guerrilha diplomática entre Moscou, Washington e seus aliados europeus: a França e o Reino Unido. Os atores deste jogo perigoso interpretam ao seu capricho o sentido do texto mediante o qual, por meio da mediação da Rússia, a Síria se comprometeu a eliminar as armas químicas.

A reportagem é de Eduardo Febbro e publicada no sítio Carta Maior, 17-09-2013.

Os dardos envenenados vão de Paris a Moscou e de Moscou à capital francesa. Os termos do acordo russo-norte-americano firmado em Genebra para o desmantelamento do arsenal químico da Síria deram origem a uma guerrilha diplomática entre Moscou, Washington e seus escassos aliados europeus, França e Reino Unido.

Os respectivos atores deste jogo perigoso interpretam ao seu capricho o sentido do texto mediante o qual, por meio da mediação da Rússia, a Síria se comprometeu a eliminar as armas químicas que possui (umas 1.000 toneladas segundo estimativas da Casa Branca). França, Estados Unidos e Grã-Bretanha pactuaram em Paris uma linha convergente com o objetivo de remeter esta semana ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma “resolução forte, robusta, com prazos precisos, com um calendário e obrigatória para o regime sírio”.

O presidente francês, François Hollande, reuniu no palácio presidencial o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o secretário de Relações Exteriores, William Hague, e o ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius. As três potências decidiram aumentar a pressão sobre o presidente sírio Bachar Al-Assad para que este respeite os termos do acordo de Genebra sobre o desmantelamento do arsenal químico.


A arma dessa pressão é a resolução da ONU. John Kerry assinalou na capital francesa que essa resolução se inscreve no capítulo VII da Carta das Nações Unidas e inclui “sérias consequências” em caso de descumprimento das obrigações. “Se Al-Assad faltar com seus compromissos, não se equivoquem: todos nos colocamos de acordo, incluindo a Rússia, sobre o fato de que haverá consequências”, disse Kerry, para quem Al-Assad “perdeu toda sua legitimidade e não pode seguir dirigindo o país”.

A primeira resposta contraditória veio de Moscou. Contrariamente ao que disse Kerry em Paris, o ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que qualquer tentativa de adotar na ONU uma resolução rápida que inclua o capítulo VII da Carta das Nações Unidas equivale a uma “falta de compreensão” do acordo firmado por russos e norte-americanos em Genebra.

Visivelmente contrariado com Paris, Londres e Washington, Lavrov acrescentou: “nossos sócios (europeus) querem revisar de forma unilateral o que acertamos com os norte-americanos. Não é a maneira certa de proceder e estou certo de que, apesar das declarações que emanam das capitais europeias, os norte-americanos, como negociadores qualificados, se limitarão estritamente ao acordado”.

Porém, segundo John Kerry, “a Rússia concordou em Genebra que o capítulo VII foi mencionado especificamente em caso de não serem respeitados os termos do acordo ou de alguém utilizar armas químicas na Síria, Sob qualquer dessas circunstâncias, estamos de forma automática no Capítulo VII, segundo o acordado em Genebra”. “Niet”, dizem os russos. Lavrov desmentiu esse conteúdo e, de Moscou, afirmou: “o documento acordado, o que aprovamos e que é nosso roteiro para atuar e nossa obrigação mútua, não inclui essa menção”.

O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, advertiu que Damasco se expõe a “graves consequências” se não respeitar a resolução da ONU. Washington, seus aliados e Moscou parecem estar em lógicas muito divergentes. O Secretário de Estado norte-americano se referiu em termos muito duros a Bachar Al-Assad e não escondeu que o objetivo da fase atual consistia em que os sírios “se livrassem de Bachar Al-Assad”. Neste sentido, o chanceler francês voltou a respaldar a já muito desacreditada rebelião síria: “sabemos – disse Fabius – que para negociar uma solução política é preciso uma posição forte. Pensamos então em reforçar nosso apoio à Coalizão Nacional Síria”.

O chefe da diplomacia francesa anunciou também que, por iniciativa de Paris, será realizada em Nova York uma reunião internacional para reforçar a ajuda à Coalizão Nacional Síria. Esta perspectiva, porém, se choca também com a posição de Moscou e, de alguma maneira, com o que está planejado para o futuro, ou seja, a chamada Conferência de Genebra 2 que a comunidade internacional procura organizar para colocar um fim à guerra na Síria.

O chanceler russo, uma vez mais, enfatizou que “se alguém quer ameaçar ou buscar pretextos para ataques, este é um caminho que está sugerindo à oposição ao regime, estimulando a que façam novas provocações. Esse caminho pode romper definitivamente a perspectiva de Genebra 2”. O tom subiu de intensidade nas últimas horas. Cada parte busca preservar os interesses de seu aliado: Moscou, os de Bachar Al-Assad, o trio ocidental, o dos rebeldes.

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