Candidatura à Câmara, apoio a Bachelet e gravidez: a nova fase de Camila Vallejo

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30 Agosto 2013

Ela ficou conhecida no Chile e ao redor do mundo a partir de 2011, durante as megamanifestações organizadas pelo movimento estudantil. Na época líder da Confech (Confederação de Estudantes do Chile), Camila Vallejo se tornou um símbolo instantâneo da luta pela educação gratuita, porém, muito mais pela beleza – qualidade principal para os meios de comunicação tradicionais – do que pelo que tinha para dizer. E foi em meio a esses protestos que nasceu também um novo rosto da política chilena, tudo o que uma sociedade cansada dos mesmos nomes queria.

A reportagem foi publicada por Opera Mundi, 29-08-2013.

Atualmente, outro aspecto físico da candidata pelo PC (Partido Comunista) a uma das vagas para a Câmara de deputados novamente é o centro das atenções: Camila está grávida de uma menina – o pai é o estudante cubano Julio Sarmiento.

Opera Mundi acompanhou um dia de campanha de Camila. A jovem geóloga escolheu um caminho seguido por muitos outros políticos de esquerda na história do Chile, que tem gerado aplausos e críticas, mas que pretende levar adiante, como ela mesma diz, “mais acompanhada que nunca”.

Candidata pelo distrito de La Florida (zona noroeste da Região Metropolitana de Santiago), Camila não deixou as atividades de militância de lado. Desde abril, entre uma ecografia e outra, a ex-líder estudantil participa de manifestações, frequenta encontros de organizações comunitárias, visita feiras e realiza visitas a comunidades mais carentes. A cada encontro, as pessoas sorriem e não deixam de olhar para sua barriga e perguntar sobre a filha.

Ela parece não se incomodar com o assédio: “Às vezes faço perguntas a outras mulheres que tiveram filhos porque sinto ela se mexer muito mais durante as marchas. Talvez a bebê queira marchar junto”, brinca, orgulhosa.

Sua gravidez foi alvo de ataques de grupos pinochetistas e de militantes dos partidos governistas - a mesma origem das diversas ameaças de morte que ela tem sofrido desde 2011, quando se alçou como figura pública.

Um dos comentários foi o do sociólogo Pablo Lira, ligado ao partido RN (Renovação Nacional, o mesmo do presidente Sebastián Piñera). Durante um programa de debate político do canal estatal chileno, Lira acusou Vallejo de engravidar de propósito para usar o bebê como arma eleitoral.

Outro que a provocou foi o presidente do partido ultraconservador UDI (União Democrata Independente), o deputado Patricio Melero, questionando os cuidados dela para com o bebê, para depois exigir “que Camila defenda o direito à vida para todos os bebês do Chile, e não só o dela, e se posicione contra o aborto”.

Camila deve dar à luz nas primeiras semanas de outubro, provavelmente no dia 8. Em 17 de novembro, dia da eleição legislativa e do primeiro turno presidencial no Chile, a jovem comunista deverá votar já com a filha no colo.

Organização social

Em 5 de julho, durante uma marcha contra o fechamento de quatro escolas municipais do distrito de La Florida, lá estava Camila, com passos mais lentos e fazendo alguns intervalos durante a caminhada, por recomendação médica. A candidata conversa com lideranças comunitárias e ignora as ameaças de bombas lacrimogêneas feitas pelos Carabineros (polícia militar chilena).

A campanha, segundo ela, “visa defender uma nova forma de política representativa, incentivando a participação da sociedade organizada e dos movimentos sociais”, com quem ela promete manter diálogo constante.

Quando a marcha passou por um setor residencial, o pequeno Felipe, de dez anos, a reconhece no meio da multidão e não pensa duas vezes: corre em direção a Camila, driblando os demais manifestantes. Quando finalmente a alcança, abre um sorriso e diz: “Camila, te amo”. O menino ganha um beijo e é acompanhado por Camila até a sua casa, onde ela tem uma rápida conversa com os pais sobre os problemas da vizinhança e o fechamento das escolas.

Entre o comunismo e Bachelet

Camila sintetiza o presente e o futuro do Partido Comunista chileno. A ex-presidente da Juventude Comunista é tratada com carinho especial pelas lideranças da legenda. E não é para menos: com uma popularidade de 44% (percentual que nenhum dirigente comunista havia alcançado depois da ditadura), Camila é uma das cinco personalidades políticas mais bem avaliadas pela população chilena – a única que nunca ocupou um cargo público.

Na cerimônia oficial de lançamento da sua candidatura, em meados de julho, participaram do evento pessoas ligadas à campanha presidencial de Michelle Bachelet, o que não lhe causou aparente constrangimento, embora seja um dos temas que mais tem alimentado as controvérsias sobre sua postulação.

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