Guerra contra refrigerantes ameaça Coca-Cola no México

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30 Agosto 2013

A batalha contra os refrigerantes açucarados, salientada na tentativa fracassada do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de proibir refrigerantes grandes, se espalhou agora para o México, há muito um dos principais mercados da Coca-Cola Co.

A reportagem é de Amy Guthrie, publicada em The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 29-08-2013.

Durante essa temporada de verão no hemisfério norte, uma campanha de conscientização pública espalhou anúncios por ônibus e outdoors pela Cidade do México, mostrando uma pilha com 12 colheres cheias de açúcar ao lado de uma garrafa de 600 mililitros de refrigerante. Os anúncios perguntam: "Você comeria 12 colheres de açúcar? Por que você bebe refrigerante?".

A campanha publicitária tem incentivado um novo movimento para conter o consumo excessivo de refrigerantes no México.

Como os Estados Unidos, o México está batalhando para combater uma epidemia de diabetes, doença que está intimamente ligada à obesidade.

O México ultrapassou recentemente o país vizinho, famoso pela obesidade de sua população, assumindo o primeiro lugar em um ranking de países mais gordos do mundo com população de 100 milhões ou mais, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas.

De repente, em um país onde a Coca-Cola exerce enorme influência financeira e cultural, alguns ativistas, políticos e autoridades de saúde pública estão pintando os refrigerantes, e em particular a Coca-Cola, como vilões.

O Ministério da Educação solicitou aos operadores de concessões para não venderem refrigerantes em escolas públicas, onde eles são populares em parte porque estudantes em muitas comunidades não têm acesso a água potável.

As agências de defesa do consumidor, enquanto isso, estão avaliando multas contra a Coca- Cola devido a uma recente onda de anúncios que mostram pessoas supostamente queimando 149 calorias de refrigerante ao fazer atividades cotidianas como levar um cachorro para passear ou rir.

Ativistas reclamam que os consumidores poderiam confundir a garrafa mostrada no anúncio com uma maior, mais conhecida, de dose individual. Os reguladores também querem saber se as atividades apresentadas nos anúncios realmente queimam as calorias.

Uma porta-voz da Coca-Cola no México disse que os produtos da companhia são todos "saudáveis e podem ser integrados a uma dieta correta, combinada a um estilo de vida ativo". Ela também diz que produtos com baixas calorias ou sem calorias, como garrafas de água, respondem por cerca de 40% do portfólio das marcas da Coca-Cola no México.

Seu chefe, Franciso Crespo, presidente da subsidiária da Coca- Cola no México, também defendeu o anúncio da companhia.

"Somos transparentes com os consumidores e oferecemos informações claras e completas sobre as nossas bebidas, então eles podem tomar decisões conscientes", disse ele em julho.
Mas o confronto poderia ter maiores implicações para a Coca-Cola e outros fabricantes de refrigerantes, já que o México só fica atrás dos EUA no consumo per capita de refrigerante, segundo a empresa de pesquisa Euromonitor International.

No ano passado, a América Latina, ancorada pelo México, país que conta com a maior engarrafadora independente da Coca-Cola, foi a segunda região mais rentável da empresa, atrás da Europa. O refrigerante é uma bebida familiar básica no México, com algumas famílias consumindo o produto em todas as refeições.

"No interior do México, se você vai à casa de alguém e eles não têm Coca para oferecer, eles pedem desculpa. A Coca-Cola simboliza prestígio", diz Alejandro Calvillo, diretor do "El Poder del Consumidor", grupo de interesse público que financiou a campanha com colheres cheias de açúcar. Seus financiadores incluem a organização que reúne as atividades filantrópicas de Michael Bloomberg.

Ultimamente, defensores dos consumidores como Calvillo encontraram na senadora Marcela Torres uma aliada. Ela apoiou um projeto de lei que pode impor um imposto de 20% sobre refrigerantes açucarados.

Os defensores alegam que a medida reduziria o consumo de refrigerante em 26% e geraria uma receita anual próxima de US$ 2 bilhões. A maior parte dos recursos seria destinada para instalar bebedouros públicos e melhorar o acesso a água potável.

A associação de engarrafadores de refrigerante do México, cujos membros incluem os engarrafadores locais da Coca e da PepsiCo Inc, está fazendo um forte lobby contra o imposto e contra a demonização do refrigerante. "Você não pode apontar um único produto como causa desse problema", diz Emilio Herrera, diretor da associação. Já existe um imposto sobre as vendas de refrigerantes, que gera uma receita de US$ 1,5 bilhão por ano, diz.

Os riscos para a saúde pública nessa briga são elevados. De cada 10 mexicanos com mais de 20 anos de idade, 7 estão com sobrepeso ou obesos, de acordo com uma pesquisa recente.

Estima-se que 9% da população tenha diabetes, o maior percentual em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes, segundo dados da Federação Internacional de Diabetes e da ONU. A diabetes é hoje a segunda maior causa de mortes no país, depois de doenças do coração. Em 1980, era a nona.

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