Mudanças profundas à vista. Francisco e o Banco do Vaticano

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27 Junho 2013

Em uma medida que os observadores descrevem como um claro sinal de um desejo de uma maior transparência e prestação de contas, o Papa Francisco, nessa quarta-feira, estabeleceu uma nova comissão para investigar as atividades do Banco do Vaticano e relatar as suas conclusões diretamente a ele.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 26-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dentre outras coisas, os observadores dizem que a medida indica que Francisco pretende se interessar pessoalmente pelo banco, em vez de depender de outras pessoas para tomar as decisões em seu nome.

A comissão não tem poderes para governar o banco ou para implementar quaisquer medidas de reforma, mas sim para reunir informações e retransmiti-lo ao papa naquela que é descrita como uma forma "oportuna".

No fundo, reagindo ao anúncio dessa quarta-feira, perguntamos a uma fonte se ele reflete uma postura de "confiar, mas verificar" diante das garantias da atual direção do banco sobre o seu compromisso com a reforma.

"O que isso significa é: 'confie com relutância e verifique profundamente'", disse a fonte.

Observadores dizem que é muito cedo para saber exatamente em que as reformas podem resultar, mas parecem sugerir abertura às mudanças que vão além da mera cosmética.

Nessa quarta-feira, o Vaticano lançou o texto de um "quirógrafo", um instrumento do direito canônico que dá força legal à comissão. De acordo com o texto, o objetivo geral da comissão é ajudar a garantir que "os princípios do Evangelho permeiem também as atividades de natureza econômica e financeira".

O quirógrafo dá à comissão o poder de coletar documentos e de entrevistar empregados, especificando que as exigências vaticanas tradicionais de sigilo não irão impedir o seu acesso à informação.

O quirógrafo instrui os empregados do banco, formalmente conhecido como o Instituto para as Obras de Religião, e outras autoridades vaticanas a cooperarem com a comissão. Ele diz que a comissão pode entrevistar o pessoal vaticano, assim como outros, quer por solicitação ou "espontaneamente" – visto como um convite não tão sutil para que qualquer pessoa que tenha preocupações se pronuncie.

Dois norte-americanos estão entre os cinco membros da nova comissão: Mons. Peter Wells, atualmente o número três da Secretaria de Estado do Vaticano, e Mary Ann Glendon, ex-embaixadora dos EUA junto à Santa Sé e presidente da Pontifícia Academia das Ciências Sociais do Vaticano.

Os outros são:

Cardeal Raffaele Farina, italiano, ex-presidente da Biblioteca Vaticana e do Arquivo Secreto Vaticano;

Cardeal Jean-Louis Tauran, francês, ex-chefe da diplomacia vaticana e atualmente presidente da Pontifícia Comissão para o Diálogo Inter-religioso, assim como membro do órgãos de cardeais que supervisiona o Banco do Vaticano; e

Dom Juan Ignacio Arrieta, bispo espanhol, secretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos.

Em grande parte, dizem as fontes, os membros foram escolhidos não tanto com base na sua experiência com relação ao tema, mas sim por causa da sua reputação de "retidão moral" e por ter a confiança do papa.

O quirógrafo diz que outros membros podem ser adicionados, e a comissão também pode decidir recorrer a consultores externos. Os observadores dizem que é digno de nota que apenas um dos cinco membros nomeados por Francisco é italiano, o que sugere um desejo de levar o banco mais para a linha dos padrões internacionais de melhores práticas.

Preocupações sobre o Banco do Vaticano foram expressas durante os encontros dos cardeais na corrida das eleições papais de março, e a maioria dos observadores acredita que Francisco foi escolhido em parte com um mandato de reforma.

O banco tem sido uma fonte ocasional de escândalo ao longo dos anos e, recentemente, ele se encontrou mais uma vez diante de um exame minucioso.

Em 2010, os magistrados romanos congelaram 33 milhões de dólares do Instituto para as Obras de Religião depositados em um banco italiano, denunciando violações dos protocolos de transparência que o Vaticano negou. O dinheiro foi liberado em junho de 2011, mas uma investigação criminal do ex-presidente do banco e do seu diretor permanece em aberto.

Em 2012, uma avaliação por parte do Moneyval, a agência contra a lavagem de dinheiro do Conselho da Europa, aplaudiu o Vaticano por "fazer um longo caminho em um curto espaço de tempo" em direção a uma maior transparência, mas também levantou sérias questões sobre o que os avaliadores viram como uma falta de regulação externa do banco.

A nova unidade de vigilância financeira criada por Bento XVI relatou recentemente que havia detectado seis tentativas de usar a Santa Sé para lavar dinheiro no ano passado, e que sete tentativas já foram detectadas até agora neste ano.

No início deste mês, Francisco nomeou o Mons. Battista Mario Salvatore Ricca, conhecido por ser uma figura de confiança do papa, para atuar como o "prelado" do banco, tornando-o o delegado pessoal do pontífice para supervisionar as operações.

Em fevereiro, o advogado alemão Ernst von Freyberg foi nomeado o novo presidente do banco por Bento XVI, depois que o pontífice havia anunciado os seus planos de renunciar. Durante uma recente rodada de entrevistas na mídia, Freyberg afirmou que as críticas ao banco estão amplamente baseadas em más impressões.

O veterano jornalista italiano Andrea Tornielli escreveu nessa quarta-feira que a criação da comissão sugere que Francisco não ficou completamente "tranquilizado" por esses comentários.

O Instituto para as Obras de Religião controla cerca de 7 bilhões de dólares em ativos distribuídos em 19 mil contas de depositantes e conta com 114 empregados.

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