As afinidades do padre Joseph Moingt

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20 Mai 2013

Joseph Moingt é autor de uma obra teológica monumental (quatro volumes sobre Deus na coleção Cogitatio Fidei). Ele também dirigiu por cerca de 30 anos (de 1968 a 1997) a prestigiosa revista Recherches de Science Religieuse. Aos 97 anos, padre Moingt reuniu no livro Figures de théologiens – que parece preanunciar outros – artigos que ele havia dedicado a teólogos do século passado.

A reportagem é de David Roure, publicada no jornal La Croix, 16-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Diante desse tipo de obras, o leitor começa examinando as escolhas do autor. E nota o seu ecumenismo, já que três dos teólogos estudados são protestantes (Ernst Troeltsch, Dietrich Bonhoeffer e André Dumas). Outros três são jesuítas (Michel de Certeau, Henri de Lavalette e Henri de Lubac).

Blondel, Légaut, Loew ou até mesmo De Certeau não são geralmente considerados em primeiro lugar como teólogos. Presenças e ausências parecem indicar preferências de sensibilidade do padre Moingt: De Lubac, sim; mas Congar, não; Lavalette e Koealski, sim; mas nem Bouyer nem Le Guillou! Por fim, o lugar dado a cada um não é equivalente: uma dezena de páginas a Blondel, Troeltsch, Bonhoeffer, Dumas, Kowalski, Loew e Légaut, mas 120 a De Certeau!

Embora se exclua o fato de ele ter escolhido esses 10 teólogos em função das suas afinidades pessoais, o padre Moingt parece ter distinguido aqueles que lhe parecem ser "homens de forte compromisso e de pesquisa, de pensamento rigoroso, de ampla cultura, ávidos por horizontes novos e variados, de intuições aguçadas".

Para esses estudiosos, a teologia se torna "o lugar de uma autêntica conversão à fé: renunciar à tentação dos discursos ideológicos, despojando-se do próprio saber, tentar o pudor de afirmar, manter uma atitude de aprendizagem, até mesmo duvidando de crer para tentar descobrir onde se coloca 'fundamentalmente' a questão da fé, ir até o fim das próprias perguntas para levar diante de Deus a causa do ser humano, amar a verdade de Deus o suficiente a ponto de nunca chegar a pensar em possuí-la, mas deixá-la vir a si mesmo e dar-lhe tempo, e abandonar-se, de todos os modos, à aventura do crente".

Para realizar esse programa, a teologia deve se enraizar na concretude da vida, deixar-se ajudar pelas ciências humanas e refletir "a vocação ética e política da prática evangélica", afirma Joseph Moingt. Mas hoje, enquanto a teologia insiste também na importância de estar conectada tanto com a Tradição quanto com o Magistério da Igreja, o jesuíta parece opor demais este último à teologia, repetindo várias vezes que a teologia deve se libertar completamente da influência de uma instituição que, a seu ver, a inibe.

Ele defende, por exemplo, a necessidade de uma "difícil liberdade de espírito e de linguagem na obediência às autoridades e aos órgãos magisteriais que governam o âmbito da fé". Mais adiante, deplora o "conflito entre uma ética da verdade ligada a um fazer e a obediência a uma autoridade que também se remete à verdade".

Em suma, como já foi possível lamentar no seu recente Croire quand même (2010), nem todos os leitores ficarão necessariamente de acordo com a recorrente desconfiança com relação à Igreja, tão visível nessa coleção.

  • Joseph Moingt. Figures de théologiens. Ed. Cerf, coleção Théologies.

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