Comissão Nacional da Verdade tenta desmontar discurso que justifica regime

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • “A Igreja existe para todos, não apenas para aqueles que têm fé”. Entrevista com Tomáš Halík

    LER MAIS
  • Após um longo confinamento litúrgico, o que virá a seguir?

    LER MAIS
  • “Precisamos de um amor feroz, um profundo apego emocional à natureza”. Entrevista com Richard Louv

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


11 Mai 2013

A presença do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra perante a Comissão Nacional da Verdade deixou exposta uma das questões centrais que envolvem o trabalho do grupo criado um ano atrás pela presidente Dilma Rousseff: como definir o regime autoritário imposto militarmente ao País entre 1964 e 1985?

A reportagem é de Roldão Arruda e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 11-05-2013.

Ustra voltou ao século passado ao tentar reencarnar a lógica da Guerra Fria, que via o mundo dividido em dois grandes blocos, o capitalista e o comunista, envolvidos numa guerra de vida ou morte. Por essa lógica, tudo o que ele e seus colegas da repressão fizeram foi justificável. Tratava-se de evitar, afinal, que o Brasil caísse nas mãos dos comunistas, representados por grupos armados.

Era um embate de "defensores da liberdade" contra "terroristas", diz o coronel, que se situa no primeiro grupo e faz questão de incluir o nome da presidente Dilma Rousseff na banda do mal.

Desmontar esse tipo de argumentação é um dos principais objetivos da comissão. No relatório final, que deve estar concluído em 2014, o grupo pretende deixar claro que a existência de um alguns grupos armados foi uma das desculpas usadas para impor a toda a sociedade brasileira, particularmente a partir de 1968, um estado de terror que atingiu todos os brasileiros, amordaçou a imprensa, intimidou o Judiciário, encurralou as universidades.

No amplo retrato que desenha do período, a comissão deve falar não só dos casos mais emblemáticos, de mortos e desaparecidos: vai mostrar como milhares de cidadãos foram perseguidos, perderam empregos, tiveram direitos políticos cassados. Não foram atos isolados, obra de agentes violentos encastelados em órgãos como o DOI-Codi, mas resultado de uma política de Estado.

Nesse embate pela verdade, a simples presença de Ustra perante a comissão já é uma derrota para ele. Afinal, até hoje nenhum oficial do Exército havia sido confrontado de maneira pública e tão duramente como aconteceu ontem.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Comissão Nacional da Verdade tenta desmontar discurso que justifica regime - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV