O papa contra a Igreja fechada: ''Não a fofocas e calúnias''

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29 Abril 2013

A "comunidade fechada, segura de si mesma" é aquela que ama "a calúnia, o fofocar" e "busca a segurança justamente no compactuar com o poder, no dinheiro, fala com palavras injuriosas: insultam, condenam... Talvez se esquecem das carícias da mãe quando eram pequenos". O Papa Francisco volta a falar e a mostrar a imagem de uma Igreja aberta, para além do clima sufocante e dos venenos que, nos últimos anos, perturbaram a Cúria, e não só.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 28-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ainda na paróquia vaticana de Sant'Ana, recém-eleito, Bergoglio havia mencionado um tema caro a ele, central no seu pontificado: o primado da "misericórdia" contra o "farisaísmo" daqueles que "gostam de bater nos outros, condenar o outros", a hipocrisia daquela que o teólogo Henri de Lubac chamava de "mundanidade espiritual".

Uma grande expectativa de reformas acompanha o novo pontífice, especialmente desde que ele nomeou o "grupo" de oito cardeais de todo o mundo para "aconselhá-lo" e reorganizar a Cúria, mas a reforma principal já começou: e se desdobra no estilo e nas palavras do papa, que continua a vida "comunitária" em Santa Marta e, todas as manhãs, perante os empregados vaticanos, celebra a missa na capela do hotel.

Na homilia desse sábado, ele se deteve sobre as "comunidades religiosas" fechadas: "A sua vida comunitária para defender a verdade, porque eles acreditam que defendem a verdade, é sempre a calúnia, o fofocar... Realmente, são comunidades fofoqueiras, que falam contra, destroem o outro e olham para dentro, sempre para dentro, cobertas por um muro". Comunidades que "não sabem nada de carícias, mas sabem de dever" e se "fecham em uma observância aparente".

Francisco exorta a "olhar para Jesus que nos envia a evangelizar", porque só uma "comunidade livre, com a liberdade de Deus e do Espírito Santo", é capaz de "ir em frente e se difundir". E esse "é um critério de Igreja", o papa convida a fazer um exame de consciência: "Como são as nossas comunidades? São abertas ao Espírito Santo, que nos leva sempre à frente para difundir a Palavra de Deus, ou são comunidades fechadas, com todos os mandamentos precisos, que carregam sobre os ombros dos fiéis tantos mandamentos, como o Senhor havia dito aos fariseus?".

As reformas no Vaticano que vira de página virão como consequência, da unificação dos dicastérios econômicos ao IOR até a redefinição da Secretaria de Estado, com a nomeação nos próximos meses (fala-se do cardeal Giuseppe Bertello, entre os oito do "grupo") do sucessor do cardeal Tarcisio Bertone.

Justamente nesse sábado, o secretário de Estado, em São Pedro, conferiu a ordenação episcopal a três novos núncios: entre eles, Dom Ettore Balestrero, 46 anos, o "menino prodígio" da Cúria, que era o número três da Secretaria de Estado e no fim do pontificado de Bento XVI foi nomeado "embaixador" na Colômbia. Balestrero, assim, deixa a Secretaria e se prepara para partir. No seu lugar já foi nomeado o maltês Antoine Camilleri.

Sobre o tema das reformas, existe a hipótese de que, no futuro, o papa deixe à Conferência Episcopal Italiana a possibilidade de eleger o seu presidente, ao invés de nomeá-lo. Mas, enquanto isso, o cardeal Angelo Bagnasco tem um mandato de quatro anos, e nesse sábado Francisco o recebeu em audiência por mais de uma hora: "Eu respirei uma profunda sintonia, unida a uma grande capacidade de escuta e de atenção por parte do papa", explicou Bagnasco.

Francisco, dentre outras coisas, confirmou que irá falar à assembleia da CEI, entre os dias 20 e 24 de maio. As suas palavras confirmam a linha que ele também vai adotar para a Cúria: "Sua Santidade compartilhou a necessidade de ter estruturas ágeis, evitando desperdícios e o gasto de recursos", explicou o cardeal. "Ele me recomendou explicitamente não multiplicar órgãos, que no fim pesam inutilmente".

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