Caso da carne de cavalo fortalece vegetarianos e veganos

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06 Março 2013

O Gentle Gourmet Café, um restaurante no bairro da Bastilha, em Paris, inaugurado em maio de 2012, oferece "hambúrguer", "guisado" e "fondue" em seu cardápio. Mas ele é também um estabelecimento "100% vegano", que se orgulha de apresentar a seus clientes a "bistronomia vegetal orgânica". O guisado é feito de cogumelos, o hambúrguer é de tofu com grão de bico e o fondue é de queijo vegetal, à base de óleo de nozes.

A reportagem é de Gilles Van Kote, foi publicada no jornal francês Le Monde e reproduzida pelo portal Uol, 06-03-2013.

Caroline Pivain é a gerente. A jovem é adepta do veganismo: aos 18 anos, depois de ter assistido a um documentário que denunciava o tratamento reservado aos animais, ela foi parando aos poucos de comer carne, peixe e, depois, todos os alimentos de origem animal. Ela se tornou "vegana": agora rejeita qualquer produto feito a partir de animais, e isso também vale para roupas e sapatos, além de cosméticos.

"O veganismo é uma filosofia e um modo de vida, cujo objetivo é viver bem e ter prazer ao mesmo tempo em que se adotam posições fortes e coerentes a respeito dos animais, da saúde e do meio ambiente", afirma Pivain.

Segundo ela, o escândalo das lasanhas congeladas feitas com carne de cavalo "foi bom, pois, de certa forma, as pessoas ficarão aliviadas de encarar a verdade".

A descoberta da carne de cavalo proveniente da Romênia em produtos bovinos está dando força àqueles que decidiram banir a carne de sua dieta alimentar, sejam eles vegetarianos (não comem nenhum tipo de carne) ou --mais raramente-- veganos (não consomem nenhuma proteína de origem animal), sem falar nos "flexitarianos", que se contentam com algumas refeições sem carne. A Associação Vegetariana da França (AVF) afirma que seu guia do vegetariano iniciante foi baixado pela internet milhares de vezes desde que o caso veio à tona.

Não existem estatísticas precisas sobre a proporção de franceses que abriram mão da carne, mas 3% das pessoas entrevistadas em uma pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Way para a revista "Terra Eco", em 2012, se declararam vegetarianas.

Os membros da AVF passaram de mil para cerca de 3.000 nos três últimos anos. "Não é somente moda, é um fenômeno de base", garante Aurélia Greff, porta-voz da associação, que parou de consumir carne na época da crise da vaca louca e é vegana há alguns anos.

"O que mudou foi que as pessoas não nos perguntam mais por que parar de consumir animais, e sim como." Outro indicador foi a repercussão midiática tida pelo "No Steak" (Ed. Fayard), livro do jornalista vegetariano Aymeric Caron, lançado pouco antes do episódio da carne de cavalo.

Para certos militantes da causa vegetariana, a natureza onívora do homem ainda precisa ser provada. "Não existe nenhuma boa razão para comer animais", afirma Isabelle Goetz, da associação Peta (People for the Ethical Treatment of Animals). "Comer carne é um hábito, não uma necessidade. As pessoas estão começando a perceber isso."

Cerca de 60 bilhões de animais terrestres são abatidos todos os anos para as necessidades de consumo humano. Segundo um relatório de 2006 da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO), a pecuária seria responsável por 18% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Os perfis dos vegetarianos são tão diversos quanto suas motivações. "Não existe um vegetarianismo, e sim vários vegetarianismos, que remetem a determinações muito diferentes", afirma Arouna Ouédraogo, sociólogo no Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA). Ele, que trabalha com o tema há 15 anos, constatou entre os vegetarianos "uma grande representação das classes médias em sua porção mais intelectual: professores, assistentes sociais, profissões paramédicas" e a presença de vários perfis atípicos.

Os poucos estudos sobre a questão conduzidos em países ocidentais chegam a uma mesma conclusão: o respeito à vida animal lidera de longe a lista de motivações, seguido de considerações relativas à saúde humana. As questões ambientais são mais raramente citadas na motivação para a mudança de hábitos.

Mais recente que o vegetarianismo, o veganismo parece atrair pessoas mais jovens e mais militantes, sobretudo adeptos do anti-especismo. "A ideia é quebrar a barreira entre humanos e animais, entre os animais de confinamento e os outros, reconhecer o direito que cada um tem de viver sua vida", afirma Brigitte Gothière, cofundadora da associação L214.

Entre reivindicação --uma marcha pelo fechamento dos abatedouros está prevista para o dia 15 de junho em cinco cidades do mundo, entre elas Paris e Toulouse-- e autoafirmação --a Veggie Pride foi marcada para o dia 18 de maio, em Genebra--, aqueles que são contra o consumo de carne muitas vezes se veem como uma vanguarda esclarecida.

"A conscientização é necessária: se as pessoas não diminuírem o consumo de carne, teremos uma catástrofe no planeta", acredita Pivain. "Precisamos dizer que elas não devem esperar até um ponto sem volta."

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