Quem tem medo dos gays? Até a psicanálise permaneceu com o pé atrás

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17 Janeiro 2013

Os psicoterapeutas podem ser utilizados como magos com a esfera de cristal? E, aos ativistas gays, escapa o alcance antropológico das modificações postas em ação? Na França os tons da discussão sobre os casamentos gay são acaloradas e registram um pronunciamento dos psicanalistas que também comparece como petição já firmada por quase dois mil profissionais. “Sustentamos que não compete à psicanálise mostrar-se moralizadora ou portadora de predições. Pelo contrário, nada do nosso corpus teórico nos autoriza a prever o futuro das crianças, qualquer que seja o tipo de casal que os cria. A prática psicanalítica nos ensina há muito tempo que é impossível obter relações de causa e efeito entre um tipo de organização social ou familiar e um destino psíquico individual“.

A reportagem é de Delia Vaccarello e publicada pelo jornal L'Unità, 16-01-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

E, na Itália? O verdadeiro debate parece encerrado nos subentendidos. De uma parte, se tem visto as intervenções de alguns profissionais que invocam velhos modelos e, de outra, as teses de ativistas gays que se cansam em analisar a complexidade das situações. “É preciso apelar a um método científico enquanto tal, perfectível e revocável, na base de pesquisas e contra-argumentações fundadas numa verificação aguda de dados de realidade e de cada passo metodológico, de cada objeto, de cada assunção do fazer ciência”, propõe Paolo Rigliano, psiquiatra e psicoterapeuta, dirigente de um centro psicossocial em Milão, autor de numerosos textos sobre a questão gay, entre os quais o último, Curare i gay? (ed. Cortina, escrito junto com Jimmy Ciliberto e Federico Ferrari).

Além de basear-nos na premissa metodológica, - essencial se pensamos nos assuntos das terapias reparadoras não demonstráveis e semelhantes aos artigos de fé, - e na afirmação precisa “melhor falar de profissionais de psicologia e psiquiatria”, Rigliano se detém sobre as recaídas de amplo alcance postas em ação pela homossexualidade, de modo particular daquela “moderna”, isto é, vivenciada como dimensão central da vida, a partir da qual se cumpram escolhas e se ponham em campo projetos. “O ponto importante é o seguinte: a homossexualidade põe em discussão um posicionamento antropológico. Por trás do levantamento de escudos contra as famílias gays está o pavor de que o posicionamento antropológico, no qual fomos educados há milênios, se exponha a uma incerteza repleta de perigos e de possíveis danos”.

Há uma análise em Curare i gay?, onde se lê: “toda a estrutura social é interrogada, toda ordem “natural” é chamada em causa pela homossexualidade”, quais sejam forma, legitimidade, escopo do desejo, o que significam a forma feminina e masculina, quais os valores, o poder, a identidade, o reconhecimento social, os direitos e deveres, que relações tenha tudo isto com a filiação.

No tom das intervenções de quem é contrário às famílias gay os temores permanecem, no entanto, embutidos, enquanto afloram os anátemas. “Eu o repito: ou cada coisa é demonstrada nas atas, fazendo afirmações precisas e aduzindo dados de realidade, ou então fazemos sermões que parecem “ipse dixit””, continua Rigliano.

Os ativistas gays, de seu lado, parecem concentrados principalmente nas conquistas a obter. “É uma tarefa dos diversos modos de incumbir-se da vulnerabilidade que está por trás dos assim chamados normais. A questão gay recoloca em discussão o masculino e o feminino, o que é o paterno e o que é o materno. Para enfrentar os debates é preciso elaborar um pensamento altíssimo, capaz de desmontar as diretrizes milenares e reconstruir outras. Não se pode evitar a dimensão antropológica aninhada no coração do problema. Aos militantes gays digo que se empenhem num estrênuo trabalho cultural. Pretender saltar as passagens da análise e da construção social, simbólica, psíquica e relacional para chegar às leis pode ser um risco que não permite um real crescimento coletivo”.

O que sugerir aos profissionais da psicoterapia? “Não se fechar nas próprias presumidas certezas, assumindo, ao invés, uma conduta atentíssima com a realidade, criativa e original, confrontando-se com os dados que a ciência produz. Uma conduta aberta, informada e extremamente crítica, tendente a entender, com reflexões, toda forma e tipo de velhos modelos que se mostraram obsoletos”.

Veja também:

A batalha perdida da Igreja. Artigo de Danièle Hervieu-Léger

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