Os católicos conservadores norte-americanos e o Papa Francisco. Artigo de Massimo Faggioli

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18 Outubro 2013

Os católicos conservadores são os mais céticos com relação às novas ênfases do pontificado de Bergoglio. O fato de essas vozes céticas virem dos Estados Unidos tem a ver com a sua cultura política – que está levando o país ao default, à falência: àquilo que o Papa Francisco quer evitar para a Igreja Católica.

A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Saint Paul, nos EUA. O artigo foi publicado no sítio HuffingtonPost.it, 16-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O Papa Francisco encontrou até agora uma aprovação quase universal, mas se há um país onde os católicos estão divididos sobre Bergoglio é a Igreja de estrelas e listras. Um artigo publicado pelo jornal The Washington Post no dia 15 de outubro de 2013 colocava o dedo na ferida, oferecendo uma plataforma jornalisticamente crível para uma plateia de católicos que usualmente fala para si mesma e para os seus adeptos, nos seus círculos, nas suas revistas, nos seus blogs.

Mas o problema é real e é típico da Igreja norte-americana e das suas especificidades. De um lado, há uma questão de relação entre católicos e não católicos norte-americanos, ou, se se quiser, um problema de "cotas de mercado": um papa ecumênico demais e acolhedor demais, que rejeita o mecanismo da exclusão para construir uma identidade religiosa, corre o risco, aos olhos dos católicos identitários norte-americanos, de enfraquecer a "marca" católica.

Mas há uma questão mais interessante, interna ao catolicismo norte-americano: a Igreja dos EUA é altamente polarizada e dividida em seu interior. A Igreja Católica nos EUA vive em estreito contato com um ambiente democrático e, em particular, em uma democracia que não é "consensual" como as democracias europeias baseadas em alianças multipartidárias, mas é uma democracia "concorrencial", isto é, com dois partidos políticos alternativos. Nesse contexto democrático-competitivo, a Igreja Católica absorveu alguns desses mecanismos no seu interior, também no que diz respeito ao ethos da participação na Igreja.

A participação na Igreja dos EUA é guiada frequentemente por visões "competitivas", alternativas, ao invés de instintos "consensuais". Fica claro assim por que os "valores inegociáveis" tornaram-se tão importantes para o catolicismo norte-americano: não só por causa do proverbial puritanismo dos norte-americanos (incluindo católicos), mas também por causa da cultura política norte-americana. O ethos democrático tornou-se parte da cultura da Igreja, mas na Igreja dos Estados Unidos isso criou mais "concorrência" do que "consenso".

O Papa Francisco iniciou o seu pontificado reabrindo programaticamente as portas para uma longa série de excluídos de uma Igreja de tendências neoexclusivistas. É óbvio que os católicos conservadores são os mais céticos com relação às novas ênfases do pontificado de Bergoglio. O fato de essas vozes céticas virem dos EUA tem a ver não só com a cultura religiosa norte-americana, mas também com a política – que está levando o país ao default, à falência: àquilo que o Papa Francisco quer evitar para a Igreja Católica.

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