Economista procura conciliar pensamento de Francisco com a economia de livre mercado

Revista ihu on-line

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Mais Lidos

  • “Os pecados da carne não são os mais graves. Os mais graves são aqueles que têm mais angelicalidade: a soberba, o ódio”. Entrevista do Papa Francisco

    LER MAIS
  • Metaverso? Uma solução em busca de um problema. Entrevista com Luciano Floridi

    LER MAIS
  • Comunidades Eclesiais de Base, sim. Artigo de Pedro Ribeiro de Oliveira

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


12 Dezembro 2014

O economista finlandês Oskari Juurikkala afirma que a síntese econômica proposta pelo Papa Francisco "não será uma economia de livre mercado mais próxima da esquerda, mas será uma economia de livre mercado mais próxima de Cristo".

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 08-12-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Algumas das críticas mais duras dirigidas ao Papa Francisco vêm de pessoas indignadas por sua crítica permanente do sistema capitalista global.

De sua firme rejeição à "economia trickle-down" na exortação apostólica Evangelii gaudium ("A alegria do Evangelho") ao seu lamento recente sobre a especulação sobre o preço dos gêneros alimentícios, que deixa muitos com fome em todo o mundo, o pontífice foi claro sobre o seu descontentamento com os mercados globais que, às vezes, não servem os mais necessitados.

Isso levou alguns a acusarem o papa de ser marxista, acusação que ele rejeitou.

Mas o vencedor de um prêmio recente do Acton Institute, instituição que promove o livre mercado, diz que, embora o pontífice possa não parecer o promotor mais entusiasmado dos ideais do livre mercado, suas críticas podem ser benéficas para aqueles que apoiam o sistema capitalista global.

Na verdade, diz o economista finlandês Oskari Juurikkala, os partidários do livre mercado devem ouvir e acolher as críticas de Francisco se quiserem tornar o seu próprio trabalho mais credível.

"Corretamente entendida, a mensagem de Francisco, no âmbito da ética econômica, não é apenas aceitável, mas também benéfica para a liberdade econômica", disse Juurikkala em um evento na quinta-feira na Pontifícia Universidade da Santa Cruz de Roma.

"Este é o paradoxo", continuou Juurikkala. "Os economistas favoráveis à liberdade não precisam ter medo do papa - eles deveriam segui-lo, procurar assessorá-lo em seus próprios termos e tornar as suas próprias mensagens mais credíveis, mais atraentes e mais consistentes."

Juurikkala, que possui doutorados em Economia e Direito pela Faculdade de Economia de Helsinski e pela Escola de Economia de Londres, respectivamente, palestrou na quinta-feira durante o recebimento do prêmio anual Novak do Acton Institute.

O prêmio, cujo título homenageia o escritor e economista norte-americano Michael Novak, é oferecido anualmente desde 2001 pelo Acton Institute, um think-tank dirigido pelo padre Robert Sirico. A premiação inclui um cheque de 10 mil dólares.

Durante sua palestra, Juurikkala concentrou-se no que ele chamou de "valorização do mercado livre" do pontífice e argumentou fortemente que as críticas do papa ao sistema capitalista podem ser conciliadas com o próprio sistema.

"A mensagem de Francisco sobre questões econômicas foram interpretadas como apropriadas pela esquerda política", disse Juurikkala, o que "levou a uma negligência das questões mais fundamentais que o papa pretende imprimir em nós".

"O que ele quis dizer pode ser apropriado por aqueles que detêm os princípios da liberdade econômica", continuou o economista. "É possível conciliar Francisco com a economia de livre mercado".

"Além de uma mera reconciliação (...) a mensagem de Francisco reforça esses ideais que os defensores do livre mercado consideram como fundamentais", disse Juurikkala.

O argumento central do economista foi a noção de que aqueles que apoiam a economia de livre mercado podem fazê-lo de uma forma que dê preferência à caridade - que eles podem exercer ideais de livre mercado e, ao mesmo tempo, ter em mente os mais necessitados.

Dizendo que Francisco "não propõe um sistema, ele nos chama a uma conversão constante", Juurikkala afirmou que "não é o dinheiro, mas o amor desordenado pelo dinheiro que é a raiz de muitos males".

"Esse desafio está sempre presente e especialmente quando há grandes oportunidades para a criação de riqueza", disse ele. "No entanto, o problema da ganância toca a todos, não só aos ricos, e a tentação não pode ser removida por leis. Ela só pode ser superada pela conversão moral."

"A mensagem e a linguagem de Francisco podem, às vezes, parecer em tensão com as ideias estimadas pelos defensores do livre mercado, mas, em vez de uma contradição, elas podem ser uma tensão positiva que ajuda a purificar e enriquecer o nosso pensamento econômico - assim como uma economia sólida é necessária para completar a mensagem de Francisco", disse Juurikkala.

"O resultado de tal síntese não será uma economia de livre mercado mais próxima da esquerda, mas sim uma economia de livre mercado mais próxima de Cristo", disse ele.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Economista procura conciliar pensamento de Francisco com a economia de livre mercado - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV