Assassinato de um ambientalista na cúpula do clima

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Por: Jonas | 11 Dezembro 2014

Nas cúpulas do clima, organizadas pelos grandes governos, nunca se resolve a questão do clima, mas para o deleite da gentalha quase sempre aparece algum cadáver indígena e amazônico. Nada como o assassinato de um indígena para despertar de seu bocejo presidentes, ministros e petroleiros quando se entediam nas cúpulas do clima. Entretanto, não acordam. Assim como não acorda José Isidro Tendentza, de 47 anos, que foi encontrado morto nas margens do rio Chuchumbletza, província de Chinchipe, sul do Equador, fronteira com o Peru, no dia 3 de dezembro. O cadáver de José Isidro Tendentza estava semienterrado e tinha os pés, o pescoço e as mãos amarrados com uma corda azul.

A reportagem é de Aníbal Malvar, publicada por Público.es, 10-12-2014. A tradução é do Cepat.

José Isidro Tendentza se dirigia para Lima. E não para turismo. Em Lima, acontece, nestes dias, uma cúpula internacional sobre mudança climática, organizada pela ONU. E na alternativa Cúpula dos Povos, o indígena shuar José Isidro Tendentza iria apresentar uma denúncia contra a companhia mineira Ecuacorriente ao Tribunal dos Direitos da Natureza. Talvez a denúncia de José Isidro também se encontrou às margens do rio Chuchumbletza amarrada com uma corda azul, que é a cor da bandeira da ONU.

Ontem, o centro de notícias da ONU nos informava de como segue a cúpula do clima: “O secretário geral da ONU solicitou aos Estados presentes na Convenção da Mudança Climática (COP20) que cheguem a um rascunho equilibrado, bem estruturado e coerente, que sirva de base sólida para as negociações, em vista de um acordo sobre o tema, no próximo ano, em Paris. Ban Ki-moon compareceu, hoje, no segmento de alto nível da Conferência sobre a Mudança Climática que acontece em Lima, Peru”.

Nenhuma palavra sobre José Isidro Tendentza, de 47 anos, encontrado morto às margens do rio Chuchumbletza, na província de Chinchipe, sul do Equador, fronteira com o Peru, no dia 3 de dezembro.

Postagem realizada pela ativista Tatiana Nuño, na página do Greenpeace, na segunda-feira, ao chegar a Lima: “Vocês não podem imaginar qual foi a minha cara, quando apenas uma hora após aterrissar em Lima, aonde vim para participar da cúpula sobre a mudança climática das Nações Unidas (COP), fico sabendo que a empresa de petróleo Shell organiza hoje, segunda-feira, um evento dentro da mesma, intitulado como algo assim: “Por que deixar de investir em combustíveis fósseis, quando um futuro de baixas emissões das energias fósseis já é uma realidade?”.

Razões que o Greenpeace alegava, em janeiro de 2013, contra a Shell, essa deliciosa empresa que, anteontem, ilustrou-nos sobre ecologia, em Lima, pelas mãos da ONU:

1. A Shell não faz ideia do quanto custa uma mancha negra no mar e a limpeza do vazamento. Em março de 2012, o coordenador de emergências da Shell no Ártico, Peter Velez, admitiu que a Shell não havia avaliado os custos da limpeza de um vazamento no Ártico. Os acionistas desta empresa ficam, portanto, expostos a enormes perdas financeiras.

2. A embarcação da Shell, o Artic Challenger, não foi avaliada como “segura” pelo governo dos Estados Unidos, segundo os padrões da Guarda Costeira norte-americana. Esse navio, o Arctic Challenger, possui 36 anos e não poderia suportar os temporais extremos do Ártico.

3. A Guarda Costeira não confia nos dispersantes que a Shell poderia utilizar no caso de um vazamento de petróleo. Em uma entrevista, o comandante da Guarda Costeira dos Estados Unidos expressou suas dúvidas sobre o impacto de dispersantes no Alasca, em caso de um vazamento de petróleo, dizendo: “Não estou seguro de como se comportarão os dispersantes nas frias águas do Alasca”. A Shell incluiu o uso de dispersantes como uma parte importante de seu plano de resposta aos vazamentos de petróleo no Ártico.

4. Há poucos meses, o navio de perfuração da Shell encalhou no Alasca. No dia 15 de julho, um navio da Shell de perfuração, o Discoverer Noble, encalhou em um porto relativamente protegido e tranquilo do Alasca. Tanto o Discoverer Noble como o Kulluk são plataformas velhas e oxidadas e não a frota líder sobre a qual a Shell se gaba. O Discoverer foi construído em 1966.

5. Os navios de perfuração da Shell se incendeiam. Assim como ocorreu com o Discoverer Noble.

6. O sistema que deve obstruir um possível vazamento das plataformas da Shell falhou durante a fase de provas. Em dezembro, revelou-se que diante de um possível vazamento de petróleo da Shell, o sistema de contenção, que supostamente terão no Ártico, não pôde suportar nem sequer a fase de provas.

7. O vice-presidente do grupo da Shell, no Alasca, admitiu que “haverá vazamentos de petróleo”.

8. No dia 31 de dezembro de 2012, a plataforma petroleira, a Kulluk, encalhou diante da costa do Alasca, quando era rebocada para o porto de Seattle. Era para ser uma operação normal. A Shell iria transportar a plataforma de perfuração Kulluk, após uma péssima temporada de extração no verão. Contudo, a plataforma acabou encalhando diante da ilha de Sitkalidak, perto de Kodiak, no Alasca.

Contudo, para nós fica a esperança: “O secretário geral da ONU solicitou aos Estados presentes na Convenção da Mudança Climática (COP20) que cheguem a um rascunho equilibrado, bem estruturado e coerente que sirva de base sólida para as negociações, em vista de um acordo sobre o tema, no próximo ano, em Paris”.

Não digamos mais nenhuma palavra sobre José Isidro Tendentza, de 47 anos, encontrado morto às margens do rio Chuchumbletza, na província de Chinchipe, sul do Equador, fronteira com o Peru, no dia 3 de dezembro.

José Isidro Tendentza iria falar contra essa gente, mas essa gente já falou.

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