Desejo ver mulheres católicas ordenadas bispo. Mas não na hierarquia como é agora

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25 Novembro 2014

"Seria maravilhoso se um número maior de mulheres pudesse ser convidado agora junto aos leigos homens a assumir decisões em altos níveis da Igreja e, por fim, naturalmente, pudessem ser ordenadas diáconos, padres e bispos – e potencialmente ser eleitas papa", escreve Una Kroll, irmã eremita, com votos perpétuos, na diocese de Salfort, foi ordenada padre na Igreja da Inglaterra em 1997 e se tornou católica em 2008, em artigo publicado pela revista The Tablet, 21-11-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis o artigo.

A Madre Igreja da Comunhão Anglicana aceitou permitir às mulheres serem consagradas bispo na Inglaterra, na segunda-feira 17 de novembro de 2014, mas já algumas outras Igrejas Anglicanas tinham mulheres bispo desde 1989. E eu, que fui mulher padre anglicana, e agora sou uma leiga católica, como me sinto?

Sou feliz pelas mulheres anglicanas que faz parte do clero na Inglaterra; o seu testemunho nas suas vocações tem sido plenamente reconhecido. A minha esperança que se chegasse a este resultado começou em 1947 (eu tinha 21 anos, era estudante), embora não sentisse o meu chamado pessoal até 1970, quando comecei a “fazer campanha”: isto me conduziu à prece, à perseverança e a um testemunho provocador entre os anglicanos, por 30 anos, em todo o mundo.

Mas, é indubitável que os efeitos das propostas anglicanas de ordenar mulheres padre, e depois, de permitir sua consagração como bispos, colocou obstáculos no caminho para a unidade orgânica no interior da Comunhão Anglicana, e com outras Igrejas, em particular a Igreja Católica e as ortodoxas.

Estas Igrejas separadas têm sistemas de governo hierárquicos: uma compreende o primado entre iguais do arcebispo de Canterbury, outra um sistema de governo papal, ainda praticamente imutado, não obstante o impulso do Concílio Vaticano II. A terceira tem sistemas patriarcais que podem causar conflitos, até no interior da Ortodoxia. Todas têm dificuldades com a diversidade.

Hoje, parece até que o cristianismo esteja para enfrentar maior fragmentação causada por dissensos, mas não são as mulheres diácono, padre e bispo que impedem o caminho da unidade dos cristãos. É a nossa incapacidade comum de enfrentar a diversidade teológica e as mudanças nos sistemas de autoridade e de governo. A unidade obtida na uniformidade não funciona.

A unidade na diversidade, aquele tipo de unidade inscrita na Regra beneditina, poderia funcionar. Por graça de Deus, e após longa pesquisa, creio que a diversidade de opiniões teológicas, de comportamentos culturais e de diversos sistemas de governo institucional possa conduzira um tipo de unidade no cristianismo mais profunda do que aquela obtida com uma conformidade sistêmica ou com um difícil compromisso. Comecei a entrever possibilidades.

Minha nova autobiografia, Bread and Stones [Pão e pedras], descreve o meu percurso espiritual e meu testemunho atual. Penso que o advento de mulheres bispo numa Igreja reconhecida será benéfico. Todavia, penso também que a assimilação de mulheres numa estrutura predominantemente patriarcal no seu atual sistema de governo não trará aquilo que Cristo pregava durante sua vida e que continua a dizer aos cristãos através do Espírito Santo, e aquilo que “eles sejam uma coisa só” (Jo 17,21-23). Eu creio fortemente na reunificação do cristianismo.

Minha contínua vida de preces me encoraja a esperar que virá o tempo no qual na Igreja católica haverá uma forma de governo nova, reformada, que compreende um papado que promove a colegialidade, a delegação da autoridade segundo a diversidade cultural e de gênero e necessidades globais para a sustentabilidade, e que curará o cristianismo. Seria maravilhoso se um número maior de mulheres pudesse ser convidado agora junto aos leigos homens a assumir decisões em altos níveis da Igreja e, por fim, naturalmente, pudessem ser ordenadas diáconos, padres e bispos – e potencialmente ser eleitas papa.

Para que isto possa ocorrer, peço que a Igreja católica tome a iniciativa de aproximar-se à unidade através de uma forma de governo transformada, mesmo que se requeira muito tempo para que isto seja atuado. O problema não é o tempo.

Bread not Stones [Pão não Pedras], Ed. John Hunt, sairá no próximo mês.

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