Jerusalém em estado de choque. Yehoshua: "Reinicie o diálogo. O conflito nacional não deve se tornar religioso"

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21 Novembro 2014

“Não precisamos nos render às violências, falar de coexistência entre árabes e hebreus nessa terra ainda é possível e relançar isso poderia ser uma ação do rei Abdallah da Jordânia”. Quem afirma é A. B. Yehoshua, o escritor israelense defensor da solução dos dois Estados.

A entrevista é de Maurizio Molinari, publicada no jornal La Stampa, 19-11-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Eis a entrevista.

Porque olha na direção de Amã?

“Porque a cadeia de violências entre os israelenses e palestinos está em andamento desde junho e não dá sinal de diminuir. O sequestro de três meninos judeus, o conflito em Gaza, os ataques constantes a Jerusalém e Telavive, a batalha nos locais sagrados do Monte do Templo. A origem está na falta de um diálogo entre israelenses e palestinos desde quando, na primavera passada, foram interrompidas as negociações promovidas pelos EUA entre Netanyahu e Abu Mazen. Queríamos também a provocação dos deputados israelenses de extrema direita que subiram o Monte do Templo violando a proibição judaica de fazê-lo. O diálogo deve recomeçar e até que isso não ocorra não acredito que se tenham alternativas: devemos olhar para a Jordânia. É um Estado árabe com quem Israel fala há 65 anos e é também o único Estado árabe que neste momento parece querer realmente escutar os palestinos que não possuem mais interlocutores na Síria e que têm relacionamento frio com o Egito”.

O que o rei Abdallah II deve fazer?

Netanyahu deveria convidá-lo a enviar para Jerusalém uma delegação do Reino da Jordânia para evidenciar que são eles os garantidores do status quo dos locais sagrados na Cidade Velha. De outro lado este status quo foi desejado por Moshe Dayan depois da Guerra dos Seis Dias, israelenses e palestinos reconhecem a Amã tal papel e é por isso que Netanyahu e Abu Mazen foram recentemente à Jordânia falar com o rei para acalmar a tensão sobre Jerusalém. Se uma delegação oficial jordaniana chegasse na Cidade Velha para deixar claro o papel garantidora poderia ter efeitos positivos de imediato, reabrindo um horizonte de coexistência”.

Andando em que direção?

“É preciso impedir que o conflito entre Israel e Palestina passe de nacionalista para religioso. No passado, Israel cometeu seguidos atentados terroristas sanguinários, tremendos, mais do que é colocado na conta de Har Nof, mas é a primeira vez que palestinos simples entram disparando dentro de uma sinagoga. Em uma ação pessoal de terror. É preciso desmontar as superestruturas da mitologia religiosa, que quando vem da Siria e do Iraque os ataques a Har Nof, constituem a mais temida ameaça à convivência entre pessoas com diferentes crenças”.

Que previsão fazes para um futuro imediato?

“A minha esperança é que o diálogo entre o rei Abdallah II, Abu Mazen e Netanyahu se inicie e leve aos dois Estados ou ainda a uma confederação entre três Estados. É a única possibilidade que temos de irmos adiante. O meu medo, pelo contrário, é de um contra-ataque por parte dos israelenses fanáticos, capazes de entrar em uma mesquita e abrir fogo, como fez Baruch Goldsteinem Hebron, no ano de 1994”.

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