Joseph Moingt passa os dogmas a limpo

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Por: André | 21 Novembro 2014

Mais alguns dias e ele completará 100 anos... Mas Joseph Moingt (foto) não está prestes a parar de pensar. Enquanto a Gallimard lança, nesta data, o primeiro volume do seu novo livro Crer no Deus que vem. Da crença à fé crítica, com mais de 600 páginas, ele já está trabalhando no segundo volume.

 
Fonte: http://bit.ly/11bpXkE  

A reportagem é de Jean Mercier e publicada no sítio da revista francesa La Vie, 31-10-2014. A tradução é de André Langer.

Este incansável jesuíta continua a explorar a questão da fé, e seu livro faz parte de uma busca existencial para desenterrar os ossos de quaisquer definições dogmáticas do catolicismo, busca que radicalizou nos últimos 20 anos, em busca do seu Santo Graal pessoal: uma fé totalmente desnuda, desprovida de qualquer muleta, livre dos mitos dos quais, segundo ele, a Igreja Católica fez seus dogmas.

Neste livro, o teólogo quis passar a limpo esses últimos para ver se eles são confiáveis, a fim de aderir a eles – ou não – do fundo do coração. Por exemplo, a Ressurreição, o ponto central do cristianismo. Se Joseph Moingt acredita firmemente que Cristo ressuscitou dos mortos, este acontecimento teria sido sentido apenas espiritualmente pelos seus discípulos, e nada mais. "A ressurreição de Jesus foi experimentada sempre apenas no espírito, e não poderia ser de outra forma", escreveu.

Se alguém perguntar pelos vários textos, que, nos Evangelhos, mencionam as aparições do Ressuscitado aos seus apóstolos, o pesquisador é categórico: “São criações”. Como podemos estar certos disso? “É improvável, portanto, é uma ficção. Os apóstolos sentiram em si mesmos que Jesus tinha ressuscitado. Seu corpo pode ter sido jogado em uma vala comum, por exemplo...”. E ele declara apaixonadamente: "Você precisa de provas para acreditar? Eu não! Devemos renunciar às provas".

Da mesma forma, ele rejeita a noção de pecado original: “Já não é mais audível hoje”. Segundo ele, “as pessoas se afastam da Igreja católica porque ela não tem o cuidado com a verdade dos textos”. Só pode, portanto, ser considerado como matéria de fé aquilo que é plausível do ponto de vista histórico e que é comunicado ao espírito de maneira racional e interiorizado... O objetivo que persegue, escreve ele, é "que a fé cristã se torne, no nosso tempo, pensável e capaz de ser vivenciada dentro da Igreja, crível e atraente para o mundo circundante." Sua abordagem, no entanto, lembra o mapa do metrô que ficava na plataforma de Châtelet, em Paris: ao ser tocado milhares de vezes com os dedos, o nome da estação simplesmente se apagou.

De tanto examinar e reexaminar a Revelação, a fé desse crente em liberdade tornou-se tão ferozmente pessoal que nos perguntamos como ele foi capaz de compartilhá-la com o conjunto dos cristãos e, especialmente, com sua própria Igreja. “Sim, eu dou margem a todos os reproches possíveis. Muitos dos meus irmãos jesuítas não concordam comigo. Mas o importante é que eu sou verdadeiro comigo mesmo”.

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