Os Papas do concílio. Quanto é importante um estilo pluralizado

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14 Novembro 2014

Foi apresentado no dia 12 de novembro junto a Fundação Papa João XXIII o livro “João XXII e Paulo VI: os Papas do Concílio” (Roma, Editora Studium, 2014 240 pg.). O volume contém os atos da Convenção Internacional que ocorreu na cidade de Bergamo, nos dias 12 e 13 de abril de 2013, e que colocou no foco os relacionamentos estreitos entre o Papa Roncalli e o Papa Montini: do terreno comum da sua formação até a profunda sintonia no modo de concepção do Concílio Vaticano II. A ilustrar a obra foi enviado o cardeal Walter Kasper, que já havia realizado o discurso inaugural da Convenção apreciada por uma multidão de participantes. Naquela sede o cardeal, já presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, tinha falado de como o Concílio tinha sido recebido e o que ainda é necessário ser feito para realizar de forma executável a reforma da Igreja desejada pelo Vaticano II.

A reportagem é de Ezio Bolis, publicada pelo jornal L’Osservatore Romano, 12-11-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Na apresentação do dia 12 de novembro o cardeal Kasper pretende colocar a atenção sobre um ponto nodal da doutrina conciliar e de estrita atualidade: o estilo sinodal que a Igreja é chamada a assumir. “Antes anda que estrutura jurídica – observa o cardeal – o caráter sinodal é uma forma de existir, de se expressar, de se encontrar, onde se vive uns pelos outros, se procura o bem do outro como o seu bem próprio, se corre atrás da estima do outro, para fazer o estilo de vida a oferecer como esperança ao caminho dos homens”.

Essa era a intenção movida pelo Beato Papa Paulo VI quando instituiu o Sínodo dos bispos com a Carta Encíclica Sollicitudo, em 1965. Atento de quanto seria produtiva a experiência do Concílio Vaticano II, confiava ao novo organismo sinodal a função de “tomar parte de modo mais evidente e mais eficaz a solicitude pastoral para a Igreja universal”. Dois anos depois, em 30 de setembro de 1967, falando no primeiro Sínodo dos bispos, o Papa Montini voltava ao tema lembrando que a missão do Sínodo é “favorecer a circulação do conhecimento e das experiências acerca da vida da Igreja, oferecendo... ocasiões de se encontrar e de discutir sobre determinados temas de interesse geral”. Lembrava também que “como toda instituição humana, com o passar do tempo poderá ser melhorada”(Apostólica Sollicitudo).

O caráter sinodal era um tema muito querido também para o São João XXIII. Desde quando era um jovem padre, como secretário do bispo de Bergamo, Monsenhor Radini Tedeschi, Dom Roncali tinha amadurecido uma “mentalidade sinodal”: o bispo deve ser revestido de uma dignidade eclesiástica que não se reduz àquela de mero executor das decisões pontífices. Os estudos sobre o Concílio de Trento, sobre a figura e a obra pastoral de São Carlos Borromeu, junto com a longa experiência na Bulgária, Turquia e Grécia, em contato com a rica tradição sinodal das Igrejas orientais, consolidaram-se no futuro Papa bergamasco a persuasão de quanto era importante também para a Igreja católica ter um estilo sinodal. Tudo isso surge no seu modo de preparar e conduzir o Concílio Vaticano II.

Papa João XXIII incluiu que a descoberta do caráter sinodal podia favorecer também o relacionamento com outras igrejas cristãs. De fato, o princípio do caráter sinodal não quer nem deve de forma alguma causar dano aos registros Papais, pelo contrário. Papado e Sinodo não estão em contradição. Trata-se de repensar o modo de exercitar o primado de Pedro, como questionava o Beato Papa João Paulo II na “Ut unum sint”, e de rever o relacionamento entre a Cúria romana e as igrejas particulares, para realizar a comunhão e melhorar a comunicação na Igreja.

Fazendo realmente essa preciosa hereditariedade dos Papas do Concílio, Papa Francisco confirmou fortemente a vontade de reforçar a instituição sinodal e o desejo de reavivar a estreita ligação com todos os pastores da Igreja, na busca de formas cada vez mais profundas e capazes de realizar a comunhão eclesiástica. Em uma carta datada de 1° de abril de 2014 ao secretário geral do Sínodo dos bispos, Papa Bergolgio afirma que “o bispo de Roma precisa da presença dos seus coirmãos bispos, dos seus conselhos e das suas prudência e experiência” e deve “tomar atenção àquilo que o Espírito Santo suscita nos lábios” de quantos fazem parte do Colégio Apostólico.

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