O Papa ao G20: sobre crises e ocupações não bastam declarações

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14 Novembro 2014

O G20 deve se empenhar ativamente a favor da ocupação porque “seria realmente lamentável” se as discussões do próximo vértice, que irá acontecer sábado e domingo em Brisbane na Austrália, “devessem ficar puramente no nível das declarações de princípios”.  A comunidade internacional deveria por outro lado “proteger os cidadão de todos os países” das formas de “agressão” como os “abusos no sistema financeiro” que levaram à atual crise econômica. É o pedido que o Papa Francisco faz ao grupo de vinte maiores economias do planeta, entre países avançados e emergentes, em uma carta ao presidente atual, o premiê australiano Tony Abbot, em vista do vértice que possui o tema do crescimento e da recuperação econômica como ordem do dia.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada pelo Vatican Insider, 11-11-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Grifando que as reuniões dos vinte grandes se iniciaram para reagir à crise econômica, em 2008, Jorge Bergoglio não deixa de fazer um pedido também para a resolução dos conflitos em andamento e, em particular, para “definitivamente deter a injusta agressão exercida contra diferentes grupos no Oriente Médio”, compreendendo as minorias, eliminando ao mesmo tempo as “causas profundas” do terrorismo porque, escreve o Pontífice argentino, “a solução a este grave problema não pode ser exclusivamente de natureza militar”.

O Papa inicia a missiva que lembra o imperativo de “criar oportunidades de emprego dignas, estáveis e a favor de todos” surge na preparação do vértice com o intuito de afastar a recessão econômica: “Quero perguntar aos Chefes de Estado e de Governo do G20 para que não se esqueçam que atrás dessas discussões políticas e técnicas estão em jogo muitas vidas e que – frisa Bergoglio – seria realmente lamentável se tais discussões permanecessem puramente ao nível de meras declarações. No mundo, incluindo o interior dos próprios países pertencentes ao G20, existem muitas mulheres e homens que sofrem por causa da subnutrição, pelo crescimento do número de desempregados, pelo percentual extremamente elevado de jovens sem trabalho e pelo aumento das exclusões sociais que pode levar ao favorecimento de atividades criminais e por fim o recrutamento de terroristas. Além disso, se encontra uma constante  agressão ao ambienta natural, resultado de um consumismo desenfreado e tudo isso produz uma série de consequências para a economia mundial”. O Papa, em particular, expressa o auspício que as valorizações não sejam restritas aos “índices globais”, mas “ter igualdades nas consideração do melhoramento real das condições de vida das famílias mais pobres e a redução de todas as formas de inaceitáveis desigualdades”.

Na carta ao premiê australiano o Papa lembra que “as reuniões do G20, que iniciaram com a crise financeira de 2008”, sublinha que os Estados membro deveriam “se preocupar da necessidade de proteger os cidadãos de cada País das formas de agressão” menos evidentes do que as guerras mas “igualmente reais e graves”:

“Me refiro especificamente aos abusos no sistema financeiro, como aquelas transições que levaram a crise de 2009 e de uma forma geral a especulação dissolvida por vínculos políticos ou jurídicos e à mentalidade que vê na maximização dos perfis o critério final de cada atividade econômica. Uma mentalidade na qual as pessoas são, em última análise, descartadas, não alcançará jamais a paz e a justiça”. Escreve o Papa, que define “a responsabilidade pelos pobres e marginalizados” como “elemento essencial de cada decisão política nacional e internacional”.

Quanto aos conflitos, Jorge Mario Bergoglio, que não menciona a situação na Ucrânia, não esconde que no passado existiam Estados “em desacordo entre os membros do Grupo”, mas exprime ao mesmo tempo “gratidão” pelo fato que “tais desacordos não impediram um diálogo genuíno no interior do G20”.

A cada maneira, escreve o Pontífice argentino, “o mundo inteiro espera do G20 um acordo sempre mais amplo que possa levar, no quadro de organização das Nações Unidas, a uma definitiva detenção, no Oriente Médio, da injusta agressão exercida contra diferentes grupos, religiosos e étnicos, inclusive as minorias”. Isso deve conduzir para “eliminar as causas profundas do terrorismo, que tomou proporções inimagináveis até agora”, entre as quais “a pobreza, o subdesenvolvimento e a exclusão”.

A religião “não pode ser desfrutada como uma via para justificar a violência”, volta a citar o Papa. É de certo modo “sempre mais evidente” que “a solução para este grave problema não pode ser exclusivamente de natureza militar, mas que se deve também concentrar sobre aqueles que de uma forma ou de outra encorajam grupos terroristas com o apoio político, o comércio ilegal de petróleo ou o fornecimento de armas e tecnologia”. O Papa, em particular, pede aos Vinte Maiores que “venhas ao encontro de tantas necessidades das vítimas destes conflitos e, especialmente de encontro aos refugiados”.

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