Bispos franceses cortam pela raiz o ''bis'' do caos sinodal

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13 Novembro 2014

A Conferência Episcopal Francesa decidiu que, em nível nacional, não haverá nenhum desenvolvimento e aprofundamento do debate sinodal que foi encenado no mês passado em Roma.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 12-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Alguns bispos locais, que ficaram em casa enquanto, na Aula Nova, se discutia sobre a comunhã dos divorciados em segunda união, sobre aberturas mais ou menos convictas aos casais homossexuais e sobre caminhos penitenciais a serem confiados à supervisão do bispo diocesano, pediram, durante a assembleia de outono realizada, como de costume, em Lourdes, que, além dos doutos e exaustivos discursos daqueles que estavam em Roma, o debate fosse estendido aos prelados franceses.

O cardeal André Vingt-Trois, que imediatamente se deu conta de que a discussão poderia facilmente ir além dos limites daquilo que foi discutido pelos padres sinodais nas duas semanas de trabalho romanas, tomou o microfone e convidou os coirmãos a "globalizar o mínimo possível e a trabalhar lá onde se está", isto é, nas dioceses.

O objetivo do arcebispo de Paris, que foi um dos três presidentes delegados do Sínodo extraordinário, era o de evitar que se começasse a se formar e a se consolidar uma posição do episcopado francês destinada, no curto ou no médio prazo, a entrar em conflito com Roma, especialmente se, no fim do percurso bienal de debate sobre a família, as expectativas de grande parte dos fiéis do centro e do norte da Europa não encontrarem ouvidos na Aula sinodal.

Também não haverá um novo questionário a ser enviado às paróquias da França, embora tal hipótese tinha sido esboçada até pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo.

A decisão de Vingt-Trois e do presidente da Conferência Episcopal local, Dom Georges Pontier, deixou estupefatos vários bispos, já prontos para discutir sobre matrimônio e família por ocasião da assembleia ordinária da primavera, última possibilidade de debate antes do Sínodo de 2015.

No seu discurso – que resumia o andamento dos trabalhos em Roma e trazia à luz os pontos de destaques do relatório final –, o arcebispo de Paris reconheceu que o que está em jogo é a própria definição do matrimônio como sacramento: "As coisas pareciam claras até pouco tempo atrás", mas "as mudanças culturais" da época contemporânea "levantam interrogações sobre o fundamento do sacramento matrimonial".

No entanto, assegurou o purpurado a todos, não se deve esperar uma "decisão romana" chamada "a resolver todos os problemas", até porque tal hipótese seria rejeitada por um episcopado que, ao contrário – também por motivos históricos –, reivindica mais autonomia ao menos na pastoral, já que justamente não é possível ter direito de palavra sobre a doutrina.

"Seria ilusório pensar que o papa pode decidir soluções pastorais particulares. Ele pode decidir orientações, mas cabe a nós encontrar os caminhos", esclareceu Vingt-Trois, insinuando que se deve esperar muito poucas novidades da cúpula do ano que vem e da posterior exortação que será assinada por Francisco.

Isso será discutido em nível de dioceses nos meses que levarão ao Sínodo de 2015. Nem todos, porém, concordam com a abordagem escolhida pelos líderes da hierarquia francesa. O primaz das Gálias e arcebispo de Lyon, o cardeal Philippe Barbarin, expressou mais de uma dúvida sobre a ideia de aumentar o peso das Igrejas locais em relação ao centro – hipótese, esta, muito cara também a amplos setores do episcopado alemão.

Barbarin teme que, ao deixar a pastoral nas mãos dos bispos, sem diretrizes específicas e vinculantes de Roma, se determinará nada mais do que "uma grande confusão".

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