Após um sínodo turbulento, Francisco volta a debater sobre o assunto família

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07 Novembro 2014

Menos de um mês depois do Sínodo dos Bispos sobre a família, o Papa Francisco vai voltar, no próximo dia 17, ao salão sinodal para revistar as polêmicas levantadas pelos participantes, agora a partir da perspectiva de como os homens e mulheres se relacionam entre. A ocasião será um colóquio de três dias de duração, cuja ideia central é “complementaridade”, ou seja, o pensamento de que os homens e as mulheres possuem papéis distintos que se complementam na família, na vida casada e na própria Igreja.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux03-11-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O assunto da complementaridade frequentemente aparece nos círculos católicos como parte da base intelectual para se opor ao casamento homoafetivo. Tal pensamento fundamenta-se em que as diferenças naturais entre uns e outros refletem o plano divido para o casamento como uma união entre os dois sexos. Dado que muitos dos pontos polêmicos do Sínodo giraram em torno da homossexualidade e do matrimônio, a pauta para o colóquio iminente parece destinada a trazê-los de volta à tona.

A complementaridade foi também invocada pelos últimos papas para defender a proibição da Igreja com relação a mulheres ordenadas, considerando que os homens e as mulheres desempenham papéis diferentes porém igualmente importantes no catolicismo.

Francisco deve proferir o discurso de abertura do colóquio inter-religioso promovido pela Congregação para a Doutrina da Fé e dois outros Pontifícios Conselhos: o do Diálogo Inter-Religioso e o da Família.

A professora americana Helen Alvare, porta-voz do evento e ex-defensora em campanhas contra o aborto da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, definiu o evento como uma tentativa de mostrar a completude da relação masculino/feminino.

“Queremos ajudar as pessoas a compreenderem que há uma beleza a ser preservada e que elas podem contar com a gente, com nós católicos, com os ortodoxos, anglicanos, budistas, mórmons, ou menonitas, para preservar tal beleza”, declarou Alvare.

Membros de 14 religiões diferentes irão partilhar as suas visões e opiniões sobre o assunto.

Por parte da Igreja Católica, estão incluídos os cardeais Gerhard Müller (da Alemanha, czar doutrinal do Vaticano); Kurt Koch (da Suíça, principal autoridade ecumênica da Igreja); e Jean-Louis Tauran (da França), que chefia o departamento de ação social do Vaticano para as demais religiões.

Charles Chaput, arcebispo da Filadélfia e organizador do Encontro Mundial de Famílias que acontecerá no próximo mês de setembro, também deve fazer uma apresentação. Espera-se que o papa visite a Filadélfia na ocasião.

Como parte do colóquio, seis filmes de curta duração sobre a família serão apresentados. O objetivo aqui é destacar as várias das vozes que estiveram presentes no Sínodo através do questionário que o Papa Francisco enviou a todas as dioceses do mundo no ano passado.
Alvare contou ao sítio Crux que os filmes – que logo estarão disponíveis aqui – retratam a convicção e a sabedoria prática daquelas diferentes vozes e religiões.

“Neles vemos poucos especialistas”, disse ela. “Vemos, isto sim, uma jovem argentina que vai a um bar à procura de seu esposo, um jovem casal de Paris ou uma família da Nigéria”.

Outros líderes que devem falar no evento são: Rick D. Warren, pastor da Igreja Saddleback, em Lake Forest, Califórnia; Manmohan Singh, secretário geral do Conselho Mundial de Sikh; Jacqueline Cooke-Rivers, doutoranda em Estudos Afro e Afro-Americanos, na Universidade de Harvard; e Johann Christoph Arnold, pastor das Comunidades Bruderhof.

Para Alvare, esta troca é uma resposta ao pedido do Papa Francisco para “ver, escutar, enfrentar a realidade e reunir pessoas de todo o mundo para nos dizer de suas situações”.

“Creio que não estou exagerando”, disse ela. “Com a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ e o seu discurso final no Sínodo, ele está nos dizendo para abrirmos o diálogo. A solidariedade entre as religiões e os povos é possível”.

Quando questionada sobre o fato de que a maioria dos participantes vem daquilo que muitos poderiam considerar um “espectro conservador”, Alvare disse que os promotores do evento não pensam a partir de categorias americanas políticas do tipo conservador ou liberal.

Segundo ela, foram convidados oradores que tenham uma preocupação profunda por lembrarem das bilhões de pessoas que estão enfrentando problemas com a questão da relação entre homem e mulher.

“Este problema ficou muito difuso”, afirmou. “É como se este assunto não fosse mesmo importante, quando na verdade ele é o verdadeiro problema da instituição família”.

“Não devemos levar estas categorias ao pé da letra”, disse, ela. “Devemos olhar para aqueles que fazem o trabalho de base. Estes não enxergam o seu trabalho sob estes termos. O trabalho destas pessoas ultrapassa todos os rótulos políticos”.

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