Nem coros, nem slogans A sóbria festa para o Papa Montini

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21 Outubro 2014


Teria certamente agradado ao sóbrio Paulo VI esta praça São Pedro sem faixas nem balõezinhos, livre de cartazes, slogan, bandeiras ou cores. Dos Papa Boys nem sequer a sombra. Mas, muitos religiosos, por exemplo, do Colégio Mexicano de Roma, em prece. Irmãs de diversas ordens, silenciosas e absortas. Ontem o grande largo berniniano parecia ser o palco de um retorno ao passado: uma platéia ordenada de fiéis, diversa daquela vista há trinta e seis anos atrás com João Paulo II e depois também com Bento XVI. Quanto aos nossos dias, como se sabe, o caráter extrovertido do Papa Francisco atrai a todos, e cada domingo é uma festa. 

A reportagem é de Paolo Conti, publicada por Corriere della Sera, 20-10-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Ao invés, a atmosfera de ontem refletia o temperamento bastante diverso de um grande Pontífice do século vinte, ligadíssimo à sua terra bresciana e à diocese de Milão, que governou como arcebispo por nove anos, de 1954 à eleição ao Sólio pontifício em 1963. Um intelectual profundo, curioso dos seus tempos, instintivamente cosmopolita. Em suma, jamais se viu, na Praça São Pedro, um espetáculo midiático, mas uma profunda e sincera prece. Paulo VI era assim, também se um longo aplauso saudou o desvelamento de sua imagem de Beato logo após a proclamação ritual formulada em latim pelo Papa Francisco. Roma, por exemplo, o amava a seu modo e lhe presenteou a inesquecível noite de sua viagem à Terra Santa em janeiro de 1964, um extraordinário abraço de povo entusiasta (as filmagens das telas Rai o testemunham) que comoveu o reservado Montini. Homem que preferia a substância das escolhas, frequentemente pesadas e até impopulares num tempo de rapidíssimas mudanças epocais, o gesto de protagonista.

Um papado complexo, pleno de problemáticos encontros com a última estação do século passado: o primeiro, um início de Pontificado muito árduo, foi a herança de um Concílio Vaticano II deixado aberto por João XXIII, portanto a urgência de uma mediação entre os tradicionalistas e os progressistas. E depois o confronto com os arrancos de ’68, a abolição das velhas formas (da Corte Papal ao Índice dos livros proibidos, à renúncia ao tri-reino pontifício, vendido para devolver a soma aos pobres) mas ao mesmo tempo a confirmação do tradicional celibato sacerdotal, a substituição das línguas nacionais modernas ao latim na celebração da Missa em 1965 e a tormentosa escolha da Humanae Vitae, com a proibição do uso de qualquer contraceptivo e em particular da pílula, e então o choque e a incompreensão com as novas gerações, depois o atentado sofrido aos 28 de novembro de 1970 em Manila, as grandes viagens em todos os cinco continentes, a última estação da vida angustiada pela prisão e depois pelo assassinato de Aldo Moro, antigo amigo dos tempos da Fuci. Sua Carta aos homens das Brigadas Vermelhas desvela inteiramente o homem Giovanni Battista Montini: um Papa de joelhos, que implora pela vida de uma pessoa cara, mas ao mesmo tempo reivindica com orgulho sua estatura e valores.

A Praça São Pedro recordava ontem o adeus a Paulo VI, o espólio funeral de agosto de 1978 com a bara de madeira clara deposta sobre o adro, e encima um livro do Evangelho aberto, desfolhado pelo vento. Uma imagem inesquecível, potente em sua eloqüência simbólica. Mais de mil slogans.

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