Foi assim que os tradicionalistas resistiram sobre os gays e a comunhão aos divorciados

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20 Outubro 2014

No fim, Francisco, concluída a última votação, se virou e disse, com o olhar sereno, mas determinado: "Publiquem tudo. A Relatio, os votos, ponto por ponto. Tudo".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É uma medida imprevista e sem precedentes. As centenas de jornalistas de todo o mundo que acompanharam o Sínodo estavam resignados a esperar "alguns dias", dizia-se, o tempo para colocar no papel eventuais correções e traduzir o texto nas várias línguas.

Acima de tudo, como de regra, os parágrafos que não obtivessem a "maioria qualificada" de dois terços seriam excluídos do texto final, mesmo que tivessem a maioria absoluta.

No entanto, as copiadoras do Vaticano entraram em movimento: dezenas de fascículos em poucos minutos a serem difundidos urbi et orbi. Alguns, entre os opositores, ficaram desnorteados. Aqueles que defendiam as aberturas, no entanto, encontraram uma razão. Porque os três pontos não tinham nada de chocante, e a comissão encarregada de fazer a síntese das 700 emendas tinha trabalhado finamente.

O ponto 52 explicava que "refletiu-se sobre a possibilidade de que os divorciados em segunda união tenham acesso aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia", relatava que "diversos padres sinodais insistiram em favor da disciplina atual" e, ao invés, outros "se expressaram por uma acolhida não generalizada", com hipóteses referentes, e, em suma, refletia simplesmente a discussão na Aula.

O outro, o número 53, lembrava que alguns padres disseram que eles "podem recorrer frutuosamente à comunhão espiritual", que é o que Bento XVI tinha explicado no Encontro das Famílias em Milão, em 2012, enquanto outros se perguntaram por que, então, não podiam receber também a hóstia.

Mas o caso mais surpreendente refere-se ao ponto 55, sobre os gays: "Algumas famílias vivem a experiência de ter em seu interior pessoas com orientação homossexual. A esse respeito, interrogou-se sobre qual atenção pastoral é oportuna diante dessa situação, referindo-se ao que a Igreja ensina: "Não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio e a família".

No entanto, os homens e as mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito e delicadeza. "Em relação a eles, evitar-se-á toda marca de injusta discriminação". As duas citações vêm, respectivamente, de um documento da Congregação para a Doutrina da Fé de 2003 e do Catecismo (2.358).

"São 62 os padres que rejeitaram o Catecismo e o cardeal Ratzinger", exclama um padre atônito.

Sabia-se que o tema dos gays criava problemas, em particular para alguns padres africanos, da Europa Oriental e dos Estados Unidos. O voto é secreto, mas há quem aponte o dedo contra os curiais. "Muitos votaram contra, um fechamento absoluto, como se fosse uma revolta interna contra o papa".

De todos os modos, a decisão de Francisco anula o efeito "rejeição". Porque as questões dos gays e dos divorciados, embora sempre aprovadas pela maioria absoluta, permanecem. Ainda devem "amadurecer". O texto ainda é de trabalho, "uma base de reflexão".

Francisco explica que o relatório integral será enviado às Conferências Episcopais para que discutam a respeito em vista do Sínodo de 2105. Também haverá um novo questionário entre os fiéis, o "povo de Deus" que favorecera as aberturas.

Assim, Bergoglio também se dirige aos leigos, quando conclui: "Caros irmãos e irmãs, agora temos ainda um ano para amadurecer, com verdadeiro discernimento espiritual, as ideias propostas e encontrar soluções concretas para tantas dificuldades e inumeráveis desafios que as famílias devem enfrentar; dar respostas aos muitos desânimos que cercam e sufocam as famílias".

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