Nobel de Economia, Tirole pede mais liquidez a bancos

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16 Outubro 2014

Jean Tirole, economista francês cujas teorias sobre o comportamento de grandes empresas sustentam a regulação antitruste moderna, ganhou o Prêmio Nobel de Economia deste ano. Havia mais de 30 anos que o prêmio não era dado ao estudo da regulação, um tema que transcendeu a academia desde a crise financeira.

A reportagem é de Charles Forelle e William Horobin, publicada pelo The Wall Street Journal, e reproduzida pelo jornal Valor, 14-10-2014.

No centro do trabalho de Tirole estão modelos, com frequência extremamente matemáticos, que descrevem monopólios, oligopólios e mercados. Mas ele também se estendeu amplamente por setores da economia como os de cartões de pagamento e telecomunicações, para realizar estudos de funções e disfunções específicas.

Entre seus trabalhos visionários estão avaliações, no fim dos anos 90, da importância dos bancos em ter acesso aos ativos que podem ser rapidamente convertidos em dinheiro. Reguladores em todo o mundo estão hoje implementando leis que exigem que os bancos tenham esses ativos líquidos.

A Academia Real de Ciências da Suécia citou ontem a análise de Tirole sobre poderosos monopólios e oligopólios ao conceder o prêmio ao professor da Escola de Economia de Toulouse. A academia destacou como o seu trabalho ajudou a esclarecer a forma como os governos devem lidar com fusões e cartéis ou regular monopólios.

Tirole é o segundo francês a receber um Nobel este ano. O escritor Patrick Modiano ganhou o de Literatura na semana passada.

O premiê francês, Manuel Valls, escreveu no Twitter que o prêmio é uma boa resposta aos que gostam de falar mal dos franceses.

O presidente do banco central da França, Christian Noyer, disse que o trabalho de Tirole sobre o poder da regulação foi um grande recurso durante a crise financeira. "Esse prêmio é o reconhecimento de um trabalho excepcional e também destaca a excelência da pesquisa econômica em nosso país."

Tirole disse que o prêmio foi uma surpresa. Ele não atendeu às primeiras ligações da Suécia para informá-lo do prêmio porque seu celular estava no modo vibratório e ele estava redigindo um pedido de financiamento para pesquisa.

Ele participou por telefone da coletiva de imprensa em Estocolmo que anunciou o prêmio. Disse estar emocionado e respondeu a perguntas sobre Google e bancos.

Tirole disse que estava feliz com o fato de as autoridades globais estarem trabalhando para melhorar a liquidez bancária. As empresas reguladas, segundo ele, enfrentam o risco de se envolver em transações financeiras com empresas não reguladas. "Isso era algo que tínhamos esquecido ou ignorado antes da crise", disse.

Para Tirole, a regulação é um assunto complexo porque deve ser clara o suficiente para evitar que o empreendedorismo seja reprimido, enquanto "ao mesmo tempo você precisa ter um Estado forte para impor essas regulações".

Ele também é um globalista. A incipiente união bancária na zona do euro, que tenta amenizar as diferenças entre as regulações nacionais de seus 18 países, é uma "ideia excelente", disse. Segundo Tirole, mais harmonia regulatória global é, de modo geral, melhor. A regulação antitruste está indo na direção certa, mas há menos coerência na regulação de outros setores. "Nós não estamos caminhando nas mudanças climáticas", disse.

Tirole, de 61 anos, nasceu em Troyes, na França, e tem doutorado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Ele teve grande influência em questões antitruste. O economista costumava trabalhar com seu colega Jean-Jacques Laffont, de Toulouse, fundador do Instituto de Economia Industrial e que morreu há dez anos, de câncer, aos 57 anos. Tirole e Laffont desenvolveram modelos de monopólios existentes, como empresas de telefonia, e de como o governo deveria fixar os preços para seus produtos.

Seu trabalho posterior analisou os mercados chamados de "dois lados", como os sistemas de cartões de crédito, nos quais empresas e clientes interagem com o emissor do cartão de crédito. Outro exemplo seria o Google, onde tanto anunciantes quanto usuários são clientes da gigante americana.

A partir desse modelo de mercado de "dois lados", Tirole e um colega desenvolveram um teste para verificar se as tarifas cobradas pelos emissores de cartões são benéficas ou abusivas. A Comissão Europeia adotou o método em casos que foram um marco em questões antitruste envolvendo a MasterCard e a Visa Europe.

Tirole e seus colegas de Toulouse são conhecidos por análises minuciosas do custo do mundo real e dos benefícios da regulação. O instituto "é um centro para a implementação do bom senso", disse Ian Forrester, advogado antitruste do escritório White & Case, em Bruxelas. "Os caras de Toulouse dizem: 'Não decida com base em hipóteses, vamos investigar a realidade.'"

Mais recentemente, Tirole retornou aos bancos e às finanças. Um estudo de 2012, feito com Emmanuel Farhi, de Harvard, elaborou um modelo de política de socorro financeiro ideal para bancos em crise, considerando os custos e benefícios dos financiamentos e injeções de recursos oferecidos a baixo custo por governos.

Outro estudo do mesmo ano desenvolveu um modelo da melhor forma de um banco central como o Federal Reserve ou o Banco Central Europeu ajudar os bancos comerciais em um mercado sem liquidez para seus ativos.

Em nota, a Academia Real de Ciências da Suécia afirmou que Tirole "fez importantes contribuições com suas pesquisas teóricas em várias áreas, mas principalmente por ter esclarecido como entender e regular setores com poucas empresas poderosas".

Tirole receberá cerca de US$ 1,1 milhão. O prêmio, criado pelo BC da Suécia em 1968, é formalmente conhecido como Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas.

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