A síndrome chinesa e a coragem da Igreja em Hong Kong. Artigo de Massimo Faggioli

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08 Setembro 2014

A Igreja católica de Hong Kong tem defendido os protestos na ex-colônia contra o governo de Pequim. Mas, sobre a China, o pontificado de Francisco ainda está para ser decifrado.

A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minnesota, nos EUA. O artigo foi publicado no jornal Europa, 05-09-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Aqui em Hong Kong os manifestantes do "Occupy Central" não se sentem intimidados pelo calor e pela umidade opressores: as ruas do centro, lotadas todo os domingos à tarde pelas cuidadoras indonésias e filipinas, foram tomadas pelo movimento democrático.

As manifestações contra a recente decisão de Pequim de limitar, por meio de um filtro preventivo sobre os candidatos, o caráter democrático das eleições previstas para 2017 aumentam a tensão entre a cidade e a China continental, dentro de uma situação de preocupada expectativa para os próximos anos. Essa janela temporal entre hoje e 2017 é crucial, porque se coloca exatamente no meio do caminho entre 1984, quando foi firmado o tratado entre Grã-Bretanha e Pequim, e 2047, quando acabará o cinquentenário "provisório" que começou em julho de 1997 com o retorno de Hong Kong à China.

A sensação é que já foi traída a promessa feita por Pequim de "não mudar nada" entre 1997 e 2047 no sistema da "Special Administrative Region" de Hong Kong.

Na situação de Hong Kong, a Igreja Católica desempenha um papel particular: uma comunidade religiosa, mas também uma instituição diretamente envolvida no quadro "um país, dois sistemas" que rege as relações com Pequim. A Igreja Católica deve ser tão prudente na China quanto é corajosa aqui em Hong Kong.

O cardeal bispo emérito salesiano, Zen, tem fama de duro em relação a Pequim, mas também em relação àqueles que nutrem esperanças de uma Ostpolitik vaticana em relação à China. Os meus interlocutores me oferecem uma imagem semelhante: uma política religiosa do regime chinês caracterizada, em tempos recentes, por um endurecimento contra a liberdade de bispos e padres.

O quadro eclesial de Hong Kong reflete a importância dessa Igreja local muito particular (fundada por missionários italianos em meados do século XIX e em boa parte ainda animada pelo clero italiano): pela primeira vez, essa diocese tem dois cardeais (o arcebispo John Tong e o emérito Zen) e três bispos auxiliares, consagrados no fim de semana passado.

Isso não acontecia há quase duas décadas, desde 1996, quando Roma nomeou um bispo auxiliar também por medo de que a transição de julho de 1997 significasse a liberdade da Igreja em Hong Kong e trouxesse armadilhas para a liberdade do seu bispo.

Hoje, em 2014, para uma Igreja como a de Hong Kong, um corpo episcopal desse tipo – um bispo cardeal ao qual o Papa Francisco pediu para ficar além do limite dos 75 anos, três auxiliares e um cardeal bispo emérito – responde a exigências não só de governo da Igreja local, mas também de posicionamento da Igreja em relação à situação política e, portanto, em relação a Pequim.

Em julho passado, os neobispos auxiliares, recém-nomeados, tomaram uma posição clara em relação à questão democrática em Hong Kong, tornando-se uma das vozes mais autorizadas da oposição. A Igreja local de Hong Kong leva em consideração e não quer repetir o caso da vizinha Macau, muito mais alinhada com Pequim.

A questão chinesa representa um dos pontos-chave da política internacional da Santa Sé. A recente viagem do Papa Francisco à Coreia enviou sinais contraditórios: a permissão de sobrevoar a China por parte do avião papal, mas também a proibição imposta aos jovens chineses pelo governo de se dirigirem à Coreia. Francisco, de sua parte, enviou sinais conciliatórios para Pequim em várias ocasiões.

Repropõe-se uma das dinâmicas típicas da história da Ostpolitik vaticana do século XX: é Roma que leva adiante o diálogo com os regimes totalitários, diante do ceticismo ou da relutância das Igrejas locais, diretamente envolvidas com as políticas antirreligiosas daqueles regimes. No artigo de inauguração do novo portal norte-americano de "notícias católicas", Crux, o maior vaticanista estadunidense, John Allen, incluía entre as "tough questions" [perguntas difíceis] a serem feitas ao papa a questão chinesa.

A política internacional de Francisco é uma das questões sobre as quais o pontificado ainda está para ser decifrado.

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