“O Papa Francisco é um líder de confiança na Ásia”

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Por: André | 05 Setembro 2014

O Papa Francisco é um Papa “muito asiático”. Seu comportamento humilde, sem “complexos de superioridade”, poderá abrir inclusive as portas da China. Quem está convencido disso é Thomas Menamparampil (foto), salesiano, arcebispo emérito de Guwahati, durante anos responsável pelo Escritório para a Evangelização na Federação das Conferências Episcopais da Ásia. Teólogo e missiólogo, é um dos maiores especialistas da Ásia em temas de missão. Estudada e vivida no nordeste da Índia, área que sofre conflitos e tensões.

 
Fonte: http://bit.ly/1rm6eZg  

A entrevista é de Paolo Affatato e publicada por Vatican Insider, 03-09-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como são percebidas as peregrinações de Francisco pelos países asiáticos?

O Papa Francisco surgiu rapidamente no cenário mundial como um líder confiável. É evidente que o que diz e no que acredita é o que vive. Por isto tem um especial poder persuasivo também sobre as multidões asiáticas. Quando fala, como aconteceu na Coreia, não o faz para resolver a situação da fina diplomacia ou não está preocupado em dar declarações “politicamente corretas” para a opinião pública. Inclusive quando são espontâneas e improvisadas, suas palavras expressam a preocupação de um amigo que se empenha pelo bem da Ásia. Esta é a percepção asiática do Papa Bergoglio: é equilibrado em seus pontos de vista, toma posições moderadas sobre questões controvertidas, permanece aberto a outros pontos de vista. Na Coreia, pediu a unidade entre as duas Coreias, expressou o máximo de respeito pela China, disse que a paz na Ásia oriental é possível. Graças a um olhar profundo de fé, permanece “humano” em qualquer questão, sobre qualquer situação que se lhe apresenta.

Acredita que as viagens do Papa na Ásia favorecerão o anúncio do Evangelho?

Evangelizar significa dar a Boa Notícia: é o que o Papa está fazendo e continuará a fazer. Sua presença na Ásia dá esperança para possíveis soluções a antigos problemas. Francisco convida a todos para um caminho de busca comum, com uma atitude humilde, muito apreciada na Ásia: nenhuma ameaça, nenhum complexo de superioridade, nenhuma lição de moral, sem a pretensão de saber tudo. Esforça-se para romper barreiras, para construir pontes convidando à reflexão, pedindo a reconciliação. Ouvi muitos líderes asiáticos de outras religiões e culturas dizer que “Bergoglio está dando expressão ao que nós mesmos temos em mente”.

O Papa Bergoglio mostra-se próximo de cada ser humano, em particular dos mais vulneráveis. Que impacto isto tem em sua atitude em relação à Ásia?

Quando era cardeal, Jorge Bergoglio era muito conhecido por sua capacidade de chegar ao coração de cada pessoa, em especial dos mais vulneráveis. Hoje, continua fazendo isso. Move-se para encontrar as vítimas de catástrofes naturais (nas Filipinas) ou de conflitos sanguinários (no Sri Lanka). Ele convida os católicos para irem com ele até as periferias extremas da existência humana, para encontrar a pobreza, a injustiça, as lacerações familiares e sociais. Os valores e as culturas asiáticas apreciam de modo especial a atenção aos marginalizados, minorias, mulheres, crianças. A atitude de Bergoglio toca o coração de cada pessoa asiática. Pensemos apenas no fato de que também Buda foi vítima do sofrimento humano; e Mahatma Gandhi viveu em barracas com os grupos sociais mais humildes. Talvez estes sejam os valores que os próprios asiáticos estão começando a esquecer. O Papa Francisco presta um grande serviço recordando a importância destes valores que têm raízes muito antigas neste continente.

Quais são hoje as perspectivas para a missão da Igreja na Ásia?

É um contexto que está mudando rapidamente. Nações, sociedade, comunidades e grupos étnicos na Ásia começam a se descobrir a si mesmos depois de um período no qual permaneceram à margem da história. Existe uma força de auto-afirmação em cada âmbito e isto gera muitas tensões. Existe também o temor de que forças externas, em nível internacional, possam aproveitar-se da fragilidade política ou econômica, momentânea. Neste processo, existe um grande patrimônio de memória histórica que ainda deve ser curado. Creio que a “cura da memória” tenha que se converter em nosso principal objetivo como missionários. Pessoas como Mahatma Gandhi tentaram fazê-lo. Mas não se pode ignorar por mais tempo esta dimensão da nossa missão: é necessário tutelar a convivência. Cristo, no Getsêmani, tomou a agonia do mundo sobre si mesmo, trouxe a redenção à humanidade: com estes olhos lemos a vida e a história dos povos asiáticos.

Que relação há entre diálogo e missão na Ásia?

Na Ásia, o diálogo é uma via fundamental de evangelização. Dialogar não significa confrontar doutrinas e tradições, mas encontrar um caminho comum para seguir, para enfrentar com fé e coragem os problemas específicos da história humana. A evangelização não é proselitismo, que também o Papa Francisco definiu como “uma solene besteira”. Isto não quer dizer apagar o ardor missionário: o entusiasmo missionário nasce do desejo de compartilhar a Boa Nova. No entanto, isto é possível apenas construindo boas relações e eliminando preconceitos. O anúncio cristão pode ser comunicado em seu autêntico significado apenas se revela o rosto humano de Cristo, assumindo a profunda mensagem de misericórdia e compaixão para com o próximo. O Apóstolo começava sempre fazendo próprias as preocupações das pessoas e tornava seu sermão compreensível através do uso das categorias mentais locais. Existe uma pedagogia especial para transmitir a fé além da própria cultura, e isto na Ásia se percebe claramente.

Como vê as futuras relações entre a Santa Sé e a China?

Sou muito otimista. Mas devemos ter a paciência de iniciar com pequenos passos, com humildade. A China é uma grande potência e tem um grande patrimônio cultural e religioso. Existem, também aqui, memórias históricas muito sensíveis. Existem passagens históricas que vão se reinterpretando e explicando mutuamente, para curar as feridas do passado, mantendo um respeito recíproco, em um caminho gradual. Uma coisa está clara: o cristianismo não é percebido como desagradável na China. Já não é considerado uma extensão da cultura ocidental, mas é aceito como um patrimônio do mundo inteiro. É uma crença nascida na Ásia, que está desenvolvendo sua imagem asiática. Também se, quando se olha os aspectos organizativos e administrados da presença da Igreja, nascem temores e suspeitas em ambas as partes, não se deve ser pessimista. A história do cristianismo oferece muitos e diversos modelos de organização e muitos casos de adaptação recíproca, de acordo com os contextos. Estou convencido de que a atitude humana do Papa abrirá muitas portas na China. Se se segue um caminho objetivo, equilibrado, moderado, respeitoso e atento às recíprocas exigências, melhorar as relações entre a China e a Santa Sé é possível. Tenho a clara sensação de que a grande tradição confuciana e o olhar espiritual alimentado pela fé católica têm importantes pontos em comum. Que o Senhor nos mostre o caminho a seguir.

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