Os meios de comunicação não são mais o “quarto poder”

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27 Agosto 2014

"Deve-se ter claro que ninguém tem o poder absoluto de mudar toda uma rede social ou impedir as mudanças em suas formas específicas. As transformações, as melhoras na qualidade de vida, as mudanças são processos complexos, grandes, árduos. Cada um contribui com um pouco neste sentido. Aqueles que abraçam a profissão de comunicador têm, sem dúvida, um privilégio especial: o seu trabalho influencia de modo especial e mais profundo do que o trabalho dos outros neste processo", escreve Marcelo Colussi, em artigo publicado por Rebelión25-08-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Marcelo Colussi, argentino que vive na Guatemala. Estudou Psicologia e Filosofia, é professor universitário e pesquisador social e escreve em diversos meios eletrônicos alternativos.

Eis o artigo.

Os meios de comunicação e sua influência na vida cotidiana

Segundo nossa tradição ocidental, a realidade é uma, estabelecida desde sempre e, indubitavelmente, à espera de que o ser humano entre em contato com ela. Em sua, a realidade existe independentemente do sujeito que se relaciona com ela. Neste sentido, a verdade, seguindo-se os ensinamentos aristotélicos e dos teólogos medievais, é a “adequação do sujeito cognoscente com a coisa conhecida”. A coisa, a realidade, está sempre aí à espera de que o sujeito se dirija a ela a fim de apreendê-la, conhecê-la através de seus sentidos e da razão. Esta foi a ideia dominante durante dois milênios em nossa tradição cultural, e é a concepção que segue prevalecendo no senso comum. A ênfase está posta na realidade objetiva.

No Renascimento, com a mudança de paradigma que começa a acontecer nesse momento histórico da humanidade, a noção de realidade começa a mudar. Com o mundo moderno, que se inicia a partir do novo ideal de ciência copernicana, a realidade passar a ser uma “construção”, ou seja, o produto da forma como o sujeito se relaciona com a coisa. A realidade deixa de ser uma, única, inegável. Atualmente, com um pensamento cada vez mais centrado no sujeito, interessa fundamentalmente o processo de “construção” dessa realidade. Os dados das distintas ciências sociais e de uma epistemologia que rompe seus vínculos com a tradição aristotélica enfatizam a relatividade da realidade: esta passa a ser entendida como construção histórica, e portanto cambiante, variada e sempre relativa. A ênfase, agora, está posta no sujeito e nas relações que ele estabelece com a coisa. Da mesma forma como um copo está meio cheio e meio vazio, dependendo do ponto de vista, assim também começa-se a entender esta nova visão de realidade. A verdade deixa de ser um absoluto.

Tudo isso serve para entender que a realidade sobre a qual queremos falar em termos político-sociais é uma realidade “construída”, não absoluta, não acabada. O político, enquanto esfera onde se dão as relações de poder entre grupos humanos, não é uma realidade dada de antemão, única e indubitável. A realidade política é produto de uma história e, portanto, é cambiante, dinâmica e está em perpétuo movimento. Nesta construção, além da ideia bem-intencionada de paz e rejeição da violência, o conflito desempenha um papel determinante. A história, a realidade política, em suma, é o produto de uma conflitividade estrutural. A realidade política tem a ver com os jogos de poder que vão se estabelecendo, os quais estão em contínua mudança. A forma como percebemos a realidade jamais é ingênua ou neutra. O que sabemos da realidade política – que é uma realidade social, e portanto determinada, a princípio, por fatores sociais e econômicos, bem como por fatores culturais em sentido amplo – é sempre uma construção feita a partir dos exercícios de poder. O que pensamos, sabemos, dizemos desta realidade é o que aqueles que detêm a maior parcela do poder social pensam.

O pensamento político é o reflexo das lutas de poder que estruturam toda sociedade e que lhe dão sua dinâmica. Em geral, este pensar tem sido o patrimônio de um pequeno grupo de pensadores – geralmente associados aos poderes dominantes – que pensam, organizam e dão forma àquilo que, mais tarde, as grandes maiorias repetem. Com relação a isso, algo inédito na história e que vem marcando uma tendência cultural já desde o início do século XX é o papel que desempenham os meios de comunicação em massa modernos. O que a grande maioria pensa, ou mais propriamente: o que ela repete em termos político-ideológicos, provém, cada vez mais, destes meios de comunicação – em primeiro lugar a imprensa escrita, depois o rádio, em seguida a televisão com uma força avassaladora, e atualmente toda a diversidade dos meios audiovisuais: internet e videogames. Os chamados “mass media” cresceram até se transformarem numa espécie de novo meio ambiente, criando uma inversão que faz inexistir, para muitas pessoas, outra realidade relevante senão aquela que estes meios produzem.

Segundo uma publicação do grupo de pesquisas Gallup, empresa estadunidense e de pensamento crítico com ideologia de esquerda, 85% do que um adulto comum que vive na cidade “sabe” hoje de sua realidade política provém destes meios de comunicação em massa, da televisão principalmente. Esta é uma frase pronta, porém não menos importante: “aquilo que não apareceu na televisão não existe”.

Eis nossa realidade política atual: os meios de comunicação, tradicionalmente o “quarto poder”, subiram de categoria. Na atualidade, são um dos fatores do próprio poder, construindo a realidade político-ideológica em escala planetária. Grande parte de nossas percepções da realidade são produtos pré-fabricados que estas fábricas culturais elaboram, cada vez com uma sutileza e um esmero maiores.

A evolução dos meios de comunicação sempre esteve associada com as diferentes revoluções tecnológicas, da mesma forma como a imprensa precedeu o motor a vapor, o rádio precedeu a televisão, os trens precederam os automóveis, o telégrafo precedeu o telefone, etc. Assim também a expressão oral precedeu os textos manuscritos mediante o pergaminho que podia mostrar textos e ilustrações. Primeiramente transmitiram-se sons, depois sons e imagens. Até chegar a este novo meio de transmissão de informação: a internet. Foi um meio que começou transmitindo somente textos, depois imagens, sons até chegar ao lugar que ocupa na atualidade.

A televisão: um exemplo de “deusa onipotente” na comunicação

Para entendermos este poder que os meios de comunicação detêm, voltemos nossa atenção sobre o meio de comunicação que mais impactou, em escala global, a população: a televisão. Sem dúvida, a televisão é uma das invenções que mais influência teve na história da humanidade. A sua importância é extremamente grande, visto que ela influencia os próprios fundamentos da civilização: é a máxima expressão dos meios de comunicação de massa, e por isso parte essencial da cultura, desta sociedade que hoje chamamos de “sociedade da informação e comunicação”.

Sem dúvida, podemos dizer que o século XXI será o século da cultura da imagem, da tela, da cultura que se instalou nas últimas décadas do século XX e que, tal como se vê, parece ter se firmado com mais força ainda sem possibilidade de retrocesso. Aquele “não pense, olhe para a tela!” parece ter chegado para ficar. Atualmente, essa tela já não é mais apenas a da televisão: temos também a dos telefones celulares, das agendas eletrônicas, as sofisticações de plasma que nos convidam, de todos os lados, a surpresas. Numa palavra, a imagem tem nos envolvido, cada vez mais, segundo o modelo televisivo.

Quando a televisão se massificou, iniciou-se também o debate sobre se, no final, este meio encarnaria o sonho de uma educação ao alcance de toda a população, da difusão de informação verdadeira e objetiva sobre a realidade mundial, de uma cultura para todos, apresentando programas de debates e uma contribuição para as ciências e as artes. Mas, após várias décadas de desenvolvimento, parece que nenhum destes ideais se realizou. (Talvez com nenhum meio de comunicação isso aconteceu, mas com a televisão foi menos ainda).

Na medida em que o tempo passa, a televisão sofre mais críticas, mas ao mesmo tempo é mais consumida. Praticamente, desde a sua invenção, a televisão jamais foi um meio de informação e educação, e sim um objeto de entretenimento para acabar estando no centro de todo o lar moderno. Da mesma forma que não se pensam duas vezes sobre comprar uma cozinha ou uma cama quando duas pessoas recém-casadas começam a morar juntas, ou quando um jovem se torna independente, tampouco se pode deixar de pensar em comprar um televisor. Hoje, nos lares de classe média já é “obrigatório” ter mais de um aparelho. Este objeto se transformou em parte essencial da vida de todos os seres humanos, ricos e pobres, da cidade e do campo, homens e mulheres, jovens e adultos. Calcula-se que atualmente estão em funcionamento nada menos do que 2 milhões de aparelhos de televisão, e a tendência é seguir crescendo.

A televisão constrói um mundo virtual muito especial. O poder das imagens faz com que, muitas vezes, ela tenha um status de realidade superior à própria realidade. Nas sociedades modernas massificadas, aglomerando-se quantidades enormes de seres humanos, porém estando paradoxalmente bastante separados uns dos outros dados os padrões do individualismo e consumismo hedonista que a atual sociedade impôs – “é mais fácil para a maior parte das pessoas encontrar um dinossauro do que um vizinho”, disse Alain Touraine com sarcasmo –, quando todas estas pessoas olham as mesmas imagens simultaneamente, a televisão consegue ser o referente mais poderoso de validação e padronização da realidade.

O ponto de partida para entender isso é a dificuldade que o sistema nervoso, sem seu conjunto, tem de distinguir as imagens da realidade das imagens virtuais, ou da representação da realidade. Por isso, choramos ao ver um filme de ficção ou nos emocionamos com as propagandas de bebidas. O cérebro evoluiu nos organismos mais complexos, incluindo a espécie humana, com base na credulidade daquilo que vê. Todos sabem que adicionar uma imagem a uma notícia qualquer confere a ela um caráter de mais veracidade. As informações icônicas produzem no cérebro a sensação de serem algo intrinsecamente credível. Ao longo da evolução, não foi necessário desenvolver a capacidade de discriminar as imagens virtuais das reais, posto que as primeira não existiam ou eram pouco relevantes (miragens, reflexos na água). O surgimento da realidade virtual mudou, em grande parte, a história humana.

A memória tem ainda mais dificuldades de distinguir entre a procedência das imagens mentais que possui. Vivendo nos trópicos, de onde me vem a ideia que possuo de neve? De minha experiência ou dos filmes a que assisti? E a ideia da Idade Média, vem de minha imaginação, dos textos que li ou das imagens que vi? E quanto à ideia de um sindicalista? Dos indígenas? E da guerra? Como chegamos aos conceitos de “bons” e “maus”? (Os primeiros sempre brancos; os segundos sempre negros, índios e muçulmanos.) Faz-se necessário insistir nisto: a televisão influi mais sobre a humanidade do que todo o arsenal nuclear. A televisão cria a realidade cultural na qual nos desenvolvemos, atualmente com mais poder do que a família, as igrejas ou a escola formal.

A dificuldade de distinguir entre imagens reais e virtuais, junto com o isolamento social e com a quantidade de tempo dedicado a ver televisão (em média, duas horas diárias entre os adultos, e quatro horas e meia entre crianças), confunde as fronteiras entre realidade e ficção e inverte o ponto de referência para conhecermos quem somos, como e qual é o mundo que desejamos. É claro, isso cai como uma luva para os que detêm o poder. Por isso que se deu este crescimento exponencial da televisão, o que não aconteceu com nenhum outro avanço científico do século XX. Nessa linha, incluem-se todos os dispositivos audiovisuais; a internet se apresenta, se já não é, como um dos núcleos principais em torno do qual a vida do século XXI irá se tecer.

Para manter a atenção, o negócio televisivo transforma tudo em espetáculo, em “show”, para dizê-lo no idioma dominante. O discurso político, o conhecimento, o conflito, o temor, a morte, a guerra, o sexo, a destruição, tudo isso passa a ser, fundamentalmente, espetáculo, comédia, “show” farandulesco. O espectador acostuma-se a ver o mundo sem agir sobre ele. Ao separar a informação da execução, ao contemplar um mundo mosaico em que não se percebem as relações, cria-se um estado de perplexidade, impotência e letargia no espectador que acaba criando, com facilidade, uma paralisia social. Como tecnologia de implantação de imagens no sistema nervoso central, a televisão permite falar diretamente ao interior da subjetividade de milhões de pessoas bem como depositar nelas imagens (que dificilmente se podem modificar), imgens capazes de levá-las a fazer o que, de outra forma, jamais teriam cogitado realizar. (Não esqueçamos a lei de Galbraith (1958): “publica-se o que não se necessita” [2].) Como conseguir remover as numerosas formas de comer que existiam nos diferentes territórios e culturas, substituindo-as (numa terceira parte do planeta) por alguns hambúrgueres ou um copo de refrigerante? Somente uma tecnologia como a televisão é capaz de fazer isso com a eficácia mostrada na margem escassa de poucas gerações, coisa que não conseguiu fazer nenhuma igreja ou partido político. Embora a televisão tenha sido inventada na década de 1920, ela se desenvolveu como tecnologia de implantação massiva de imagens coincidindo com o período de maior prosperidade e acumulação capitalista após da Segunda Guerra Mundial, liderada pela grande potência hegemônica desde então: os Estados Unidos.

Por uma cultura da imagem

A cultura audiovisual que a televisão – e atualmente os outros meios digitais (videogames, internet) – vem criando uma cultura onde a evolução do sensível para o inteligível é invertida, alterando a relação entre entender e ver, distorcendo em boa medida a compreensão do mundo, dificultando a capacidade de abstração e, portanto, de ação sobre a realidade. A humanidade não está “mais boba” desde que que começou a ver televisão, mas sim mais gerenciável, mais manipulável. O primado da imagem permite dizer isso.

O indivíduo médio dependente da televisão ou das novas tecnologias que internalizam imagens – ou seja, cada vez mais pessoas no mundo – tem menos sentido crítico do que quem não depende quase que exclusivamente das imagens como fonte de conhecimento, de quem lê e pensa reflexiva e criticamente. O esforço de ver é muito menor do que o de ler. Consideremos como é deixar-se levar pelas imagens: elas se sucedem umas às outras, a ordem é fixa, trata a cada assunto de forma fragmentada e não há espaço para a reflexão. (Quer dizer, dar voltas no assunto, examinar o contexto global em que se produz um acontecimento, integrá-lo com outros aspectos da realidade com que interage, dar-se um tempo para pensar em ações futuras em relação ao material recebido pelos sentidos).

Todavia, é incorreto pôr a culpa dos nossos males e desta cultura “light” do “não pense, assista passivamente” nos avanços tecnológicos. As novas tecnologias modelam as problemáticas e aperfeiçoam mudanças na constituição subjetiva, sem dúvida; no entanto, o poder de criação, inovação, formação e participação nos processos de transformação social segue sendo exclusivamente responsabilidade nossa, e como sempre o vínculo interpessoal é o fator determinante no desenvolvimento e uso das nossas capacidades intelectuais potenciais. A tecnologia nos condiciona, mas o projeto antropológico de base (“político”, caso quisermos dizê-lo de outro modo) é o que decide como e para que se a usa. Noutras palavras, a cidadania segue sendo o fundamental, estando além da tecnologia que se usa.

Vale dizer, muito enfaticamente, que a “culpa” dos males no mundo não é da televisão nem dos meios de comunicação em geral, da tendência ao consumo de imagens, dos meios digitais (televisão e toda a parafernália que a segue: a internet, as telas dos telefones celulares inteligentes [smartphones] e dos meios que poderão aparecer futuramente nesse sentido). Estes também, como instrumentos de enorme penetração, podem servir para outros fins: ampliar o nosso conhecimento, melhorar a nossa condição. Igualmente à televisão, os meios de comunicação em geral podem ser uma ferramenta libertadora. De qualquer forma, as experiências conhecidas até então deixam algumas questões em aberto.

Elas nos levam a repensar a cultura da imagem que está na base de toda a proliferação dos meios de comunicação que, cada vez mais, vão se impondo. Como disse Zbigniew Brzezinsky (1968) [3]: “Na sociedade atual, o curso é marcado pelo apoio individual de milhões de cidadãos descoordenados que caem facilmente no raio de ação de personalidades magnéticas e atraentes, que exploram, de modo efetivo, as técnicas mais eficientes para a manipulação das emoções e controle da razão”. Ou seja, os meios de comunicação estão a serviço dos projetos dominantes, dos poderes instituídos.

A humanidade não está mais boba desde que assiste televisão, dizia-se acima, pois o núcleo do problema não está no consumidor e, sim, no produtor. Neste momento, o que se busca enfatizar é que este produtor de imagens é, cada vez mais também, um grande poder político. Na década de 1960, o pai da semiótica – o italiano Umberto Eco – dizia que “quem deter os meios de comunicação deterá o poder”. [4] Evidentemente, visto como as coisas andam hoje, ele não estava errado.

Vale a pena lembrar aquilo que foi dito pelo nazista Joseph Goebbels, pai da manipulação midiática moderna: “A quem deve-se dirigir a propaganda: aos intelectuais ou à massa menos instruída? Deve dirigir-se sempre e unicamente à massa! (...) Toda propaganda deve ser popular e situar o seu nível nos limites das faculdades de assimilação mais curtos de alcance entre aqueles aos quais se dirige [crianças de 6 anos?]. (...) A faculdade de assimilação da massa é muito restrita, e seu entendimento é muito limitado; a sua falta de memória, pelo contrário, é muito grande. Portanto, toda propaganda eficaz deve limitar-se a alguns pontos fortes pouco numerosos, e impô-los à força de fórmulas repetidas pelo tempo que for necessário, para que o último dos ouvintes seja também capaz de captar a ideia” [5].

Não há nenhuma dúvida de que a imediatez e a indirecionalidade das mensagens audiovisuais, dos quais a televisão é o principal exemplo ao lado do cinema, da foto, da internet ou dos videogames, gerou uma cultura da imagem que, hoje, parece muito difícil, se não impossível, de se reverter. Na dinâmica humana, a conduta reiteradamente repetida acaba criando o hábito (“Alguns pontos fortes pouco numerosos se impõem à força de fórmulas repetidas”, ensinava o ministro da propaganda do Terceiro Reich. Assim como aconteceu em relação à intuição de Umberto Eco, ele tinha razão.)

A cultura da imagem, que tem sido repetida há anos com força crescente, já criou um hábito em todas as classes sociais das últimas gerações, e hoje parece impossível desarmá-la. Nesta cultura encontra-se um limite intrínseco, talvez impossível de ser ultrapassado: não importa o tipo de programa televisivo que se apresente, sempre o ato de assistir a tela não nos permite uma atitude crítica como a leitura, por exemplo, possibilita. No entanto, esta cultura da imagem não parece que irá desparecer. Pelo contrário, ela chegou para ficar, e já formou um novo sujeito, com o qual contará a partir de então.

A atual cultura midiática (audiovisual em essência) é a que, cada vez mais, vem condicionando o pensamento político. Por isso, o comunicador social tem uma cota de poder tão importante em suas mãos: saiba ou não, trata-se de um veículo de influência capital pelo qual vai moldando a cidadania, a opinião pública, a ideologia. “Pensamos” política e ideologicamente em termos passivos o que o “espetáculo midiático” nos apresenta, sem maiores questionamentos: que os “muçulmanos são todos uns fanáticos terroristas”, que os “narcotraficantes constituem o novo demônio que move a política em nossos narco-Estados latino-americanos”, que os “‘temíveis’ mares são o principal problema da América Central”, que “Osama Bin Laden controlava boa parte do mundo a partir de uma caverna nas montanhas do Afeganistão”, que estamos na pior porque “os políticos corruptos roubam tudo”. E também, sem formulações críticas a respeito, pensamos que “a democracia” é um bem em si mesmo, que os países ricos são assim porque abraçaram a democracia. Os nossos pensamentos, recordemo-nos uma vez mais, muitas vezes se formam pelos poderes hegemônicos que impõem “o que se deve pensar”. No âmbito acadêmico, isso também se mostra claramente certo, embora este ambiente deveria ser o da crítica por excelência. A cultura da imagem inclui a todos: o “copia e cola” parece ter chegado para ficar. E não é isso o que acontece com os noticiários que enchem nossa cabeça de “informação”: copiar o que se mostra nas telas dos dispositivos digitais e passar adiante sem a devida crítica?

O atual mundo globalizado, a “aldeia global” como o chamaram (McLuhan), é regido, mais e mais, por um pensamento único e, em grande medida, veiculado pelos meios de comunicação de massa – em particular os meios audiovisuais. Em termos políticos – ou, dito de outro modo, em termos de cidadania –, esta globalização vem a uniformizar pontos de vista, a ter parâmetros compartilhados universalmente. Mas, para falarmos sobre “globalização”, devemos compreender bem do que se trata.

Os desafios atuais do novo cenário da comunicação digital global

Entende-se por globalização o processo econômico, político e sociocultural que está ocorrendo em nível mundial através do qual existe, cada vez mais, uma maior inter-relação econômica entre todos os cantos do planeta, embora estejam, graças a estas tecnologias que têm diminuído as distâncias permitindo a comunicação em tempo real, sempre sob o controle das grandes corporações multinacionais. Na verdade, a globalização propriamente dita começa com a expansão do nascente capitalismo na Europa quando esta sai a “conquistar” o mundo, no início do século XVI. Aí começa verdadeiramente haver um sistema econômico global, mundial, planetário. Os conquistadores europeus, com mão de obra escrava africana, subjugam povos americanos, lançando as bases para uma homogeneização de toda a “aldeia global”. Mas foi só recentemente, com o final da Guerra Fria, que o sistema capitalista pôde se sentir realmente vencedor e dono de todo o cenário mundial. Agora é o momento quando podemos dizer que a globalização triunfou.

Esta globalização que vivemos atualmente (econômica, política e cultural) é o terreno fértil de cultivo onde as novas tecnologias da informação e comunicação são o sistema circulatório que a sustenta, sendo parte essencial da nova economia global centrada basicamente na comunicação virtual, na inteligência artificial e no conhecimento como o principal recurso, elementos que permitem que o novo capitalismo financeiro, superconcentrado em pouquíssimas mãos, supere os Estados-nação modernos.

As novas tecnologias digitais, além da explosão com que entraram em cena e do consumo massivo sempre crescente, não beneficiam por igual a todos os setores. “Na América Latina, a presença ou o desenvolvimento de uma SIC [sociedade da informação e comunicação] está mais ligada à consolidação dos grandes consórcios multinacionais de audiovisuais do que à incorporação da convergência aos processos produtivos. Este último se polarizou num setor capaz de desmaterializar a economia, enquanto outro grande setor permanece à margem das mudanças tecnológicas e continua trabalhado dentro dum sistema de produção clássico, auxiliado por ferramentas que também podemos definir como clássicas. Em nossos países, apenas um setor da população (muito provavelmente o que acumula o consumo tecnológico de diferentes gerações) incorporou-se efetivamente ao processo de produção ligado à informação e ao conhecimento. [6]

A insistência com relação às maravilhas das novas tecnologias digitais da informação e comunicação pode ser, na realidade, o resultado de uma grande manipulação por parte dos grandes centros de poder que se beneficiam delas, de sua comercialização e uso como mecanismo de controle em escala planetária. O fato de que, de certa forma, a utilização de tecnologias da informação e comunicação pode facilitar as coisas em determinados aspectos para as grandes maiorias não é real se não se acabar com os problemas estruturais, com as enormes diferenças sociais que seguem formando a paisagem cotidiana: a fome, a exclusão crônica, o analfabetismo, as doenças curáveis, o racismo. Apesar das maravilhas das tecnologias de inteligência artificial, a fome segue sendo um dos principais problemas do mundo. Século de supertecnologia... e continuamos a morrer por causa da fome! É simplesmente vergonhoso.

Não está comprovado que, pelo fato de utilizarmos alguma das novas tecnologias digitais, eliminaremos automaticamente a exclusão social ou acabaremos com a pobreza crônica. De qualquer forma, sabendo que estas ferramentas acarretam um enorme potencial, é válido pensar que não tê-las conduz à exclusão, ou que esta exclusão pode aumentar. Visto que a rede das redes – a internet – é a maior soma nunca antes vista de informação que põe a serviço da humanidade toda uma potente ferramenta de comunicação, não ter acesso a ela estabelece uma desvantagem enorme com relação a quem pode acessá-la.

No entanto, o desenvolvimento propriamente dito, o aproveitamento efetivo das potencialidades que as novas tecnologias comunicacionais apresentam, não se dá somente pelo fato de se dispor de um computador, de fazer uso das redes sociais ou de se ter um telefone celular de última geração, ou ainda ao possuir aparelhos de videogames, tão na moda hoje em dia. Os videogames, vale dizer, que cada vez mais começam a ser jogados em tenra idade (2 ou 3 anos), muito pouco amigáveis aos adultos – aqueles que não cresceram nesta cultura cibernética –, funcionam como “verdadeiras propedêuticas informais para a aproximação amistosa e lúdica aos aparelhos eletrônicos [...]. Este tempo investido os aproxima, sem muito barulho, ao manuseio dos aparelhos de tecnologia digital”. [7]

Depois de muitos anos de “aproximação” desde crianças, os jovens os têm como algo absolutamente natural e, mais ainda: imprescindíveis, é o mundo das tecnologias da informação e comunicação. O consumismo já está posto em marcha, e a obsolescência programada fará com que, de tempos em tempos, seja preciso substituir o equipamento em questão. Obviamente, todos estes aparelhos poderão ser “bonitos”, mas não deixam de ser instrumentos, ferramentas úteis. A diferença fundamental não é feita pelos instrumentos, e sim pelos sujeitos que os utilizam.

O que faz a diferença é a capacidade que uma população pode ter de tirar proveito criativamente de estas novas formas culturais. Se a internet “transformou a vida”, como diz tão insistentemente certo pensamento dominante (a partir de uma perspectiva mais mercadológica do que crítica, acabando por se constituir em “mito”, em manipulação midiática), fica fácil saber o porquê desta ferrenha repetição: é evidente que ela alimenta aqueles que lucram com a sua comercialização.

De fato, com o comércio se expandindo em todo o mundo nasceu a globalização. Hoje, assistimos a sua entronização cultural, baseada em grande parte nas tecnologias que unem o mundo a velocidades vertiginosas, porém como se disse certa vez: a globalização começou na madrugada de 12 de outubro de 1492, quando Rodrigo de Triana gritou “Terra!”

Entre os ícones desta globalização inscrevem-se também o mercado como ponto máximo de desenvolvimento e “a democracia” como expressão superior da organização política. Os meios de comunicação de massa, cada vez mais globalizados e concentrados, desempenham um papel central na expansão deste fenômeno e de seus mitos. Atualmente, a cidadania (cidadania global, certamente) é moldada, mais e mais, por estes meios.

O processo de homogeneização político-cultural e o papel que nele podem jogar os meios de comunicação de massa foram traçados há algumas décadas; assim, por exemplo, o Relatório McBride da UNESCO, de 1980, dizia claramente: “A indústria da comunicação está dominada por um número relativamente pequeno de empresas que englobam todos os aspectos da produção e distribuição, que estão situadas nos principais países desenvolvidos e cujas atividades são transnacionais. (...) Devem-se adotar medidas destinadas a ampliar as fontes de informação de que necessitam os cidadãos em sua vida cotidiana. Procede empreender um exame minucioso das leis e regulamentos vigentes para reduzir as limitações, as cláusulas secretas e restrições de diversos tipos nas práticas de informação. (...) Muitas vezes, tratam-se os leitores, ouvintes e espectadores como se fossem receptores passivos de informação”. [8]

Sem dúvida, o papel dos meios de comunicação levanta questões sobre a sua contribuição para a consolidação de uma democracia genuína. Como disse Marcial Murciano: “O papel de árbitro que sempre manteve o Estado na democracia moderna reduziu-se, e o mercado, agora moldado pelos novos líderes empresariais, não garante nenhum dos princípios distributivos que a democracia contemporânea deve assegurar ao cidadão que, então, deve se situar num plano local e mundial ao mesmo tempo. Provavelmente, mais do que em nenhum outro período de nossa história recente, faz-se necessário estabelecer um novo debate político-cultural sobre a posição de domínio e controle dos atores econômicos sobre o sistema dos meios, no novo contexto da democracia participativa e da globalização. Sem dúvida, são tempos de novas exigências para as políticas de comunicação democrática”. [9]

Além de todo o desdobramento técnico-científico com que nos movemos enquanto sociedade globalizada que entrou na modernidade – que todos temos telefone celular, internet é um fato, todos direta ou indiretamente consumimos petróleo... será este o progresso? –, no âmbito ideológico-político seguimos apegados a mitos, a frases prontas, a estereótipos: o que diferencia a crença de qualquer mito popular (fantasmas, fadas mágicas, personagens mitológicos) dos mitos em torno da democracia? E os meios de comunicação de massa, em vez de serem críticos a este respeito, os alimentam de forma generosa.

A ética do comunicador

Um comunicador social dispõe de um acesso e poder de convocatória sobre a população diferentemente dos outros profissionais. Queira ou não, é um formador de opinião, de cidadania. Hoje, com a importância definitiva dos meios de comunicação em nossas sociedades massificadas, ele é um agente essencial na reprodução dos padrões socioculturais. Ou, também, um agente para as mudanças destes padrões.

Embora seja certo que a atual cibercultura apresente a possibilidade de uma certa leviandade, um pensamento icônico muitas vezes em nada reflexivo, apresenta também a possibilidade de se aceder a um acúmulo de informação e a novas formas de processá-la como nunca antes havia acontecido, de forma que estamos diante de um grande desafio.

A cultura digital que chegou com força avassaladora, sem precedentes, apresenta um grande desafio: obviamente, enquanto tecnologia, não é nem “boa” nem “má”. Considerá-la sob estes termos é proceder de forma muito reducionista. Porém não se pode deixar de se pensar sobre como ela funciona, quem a administra, que papel desempenha para os grandes poderosos globais enquanto negócio e enquanto mecanismo de controle social. Ou também enquanto contramensagem, contrapoder. A possibilidade de se construir aqui um espaço alternativo está dado. Trata-se de saber como fazê-lo.

Não se deve deixar de levar em conta que certos canais se abriram para uma relativa democratização da informação. Em certo sentido, todos podemos deixar nossa marca na rede das redes, quer dizer, todos podemos transmitir, denunciar, deixar claro certas coisas. Mas há que se cuidar para não cair na ilusão de crer que as trocas sociais são apenas questões de modernização tecnológica. A tecnologia, se não está a serviço da causa do ser humano como espécie, segue sendo um mecanismo de dominação.

A comunicação social e todo o seu crescente arsenal tecnológico devem servir para promover o desenvolvimento genuíno, fortalecer a democracia de base, buscar o bem-estar de todos, e não estar a serviço de nenhuma opressão. Se não for assim, acaba convertendo-se em cúmplice (ou no ator principal) da exploração. É por isso que dizíamos que os comunicadores já não são o “quarto poder”: constituem um dos principais poderes dominantes do mundo.

Então, o comunicador social não é neutro; de fato, desempenha um papel muito importante na conformação da cidadania, e sempre está tomando partido, sempre possui uma posição. É impossível pedir “objetividade” como generalidade, como um bem em si mesmo. “A objetividade não existe em lugar nenhum da vida, em nenhum jornalismo ao redor do mundo. Enquanto seres sociais constituídos por história, por um contexto e tendo um olhar particular, único e irrepetível sobre o mundo, resulta ser impossível crer que pode haver uma visão objetiva sobre um fato, acontecimento ou relato”, afirma Natalia Locco. [10] Em todo caso, segundo Victoria Camps: “o que o bom comunicador deve se propor não é bem ser objetivo mas sim crível”. [11]

Aqui reside o assunto crucial de sua missão profissional: ser sério, ético, ter sentido crítico, saber-se agente formador das grandes multidões a quem se dirige. O conhecimento técnico, por mais excelente que seja, não é nenhuma garantia de uma boa prática, de um bom exercício profissional. Para isso, é imprescindível contar com um projeto humano, social, político em seu sentido mais amplo.

Em relação a isso, Ignacio Ramonet assim diz: “Nestes tempos de globalização neoliberal, a informação converteu-se num dos problemas principais da democracia (...). Pode-se fazer um paralelo com o que se sucedeu com a alimentação. Havia escassez de alimentos – e continua havendo em alguns países –, em pouco tempo a revolução agrária permitiu a produção abundante. Hoje sabemos que muitos dos alimentos são tóxicos, podem nos envenenar (o caso da “vaca louca”, por exemplo). O mesmo acontece com a informação; ela está contaminada. Há que se criar uma ecologia da informação para limpá-la, para que se respeite a verdade, melhorar a qualidade informativa e, assim, melhorar a qualidade da democracia”. [12]

Deve-se ter claro que ninguém tem o poder absoluto de mudar toda uma rede social ou impedir as mudanças em suas formas específicas. As transformações, as melhoras na qualidade de vida, as mudanças são processos complexos, grandes, árduos. Cada um contribui com um pouco neste sentido. Aqueles que abraçam a profissão de comunicador têm, sem dúvida, um privilégio especial: o seu trabalho influencia de modo especial e mais profundo do que o trabalho dos outros neste processo. Por isso há que terem princípios éticos muito claros com os quais devem lidar. Além da necessidade imperiosa de trabalhar para garantir a própria existência, o dilema que se apresenta é: trabalhar para continuar com este sistema ou para se propor outro?

Referências

Annan, K. (2003). “Discurso inaugural de la primera fase de la Cumbre Mundial sobre la Sociedad de la Información, Ginebra.

AUSJAL. (2011) “La cultura juvenil en la universidades de AUSJAL”. Caracas. AUSJAL.

Brzezinsky, Z. (1968). “The Technetronic Society”, en Encounter, Vol. XXX, No. 1.

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Notas

[1] Touraine, A. La transformación de las metrópolis. Versão digital disponível em: http://www.carlosmanzano.net/articulos/Touraine02.htm.

[2] Galbraith, J. La sociedad opulenta. (2008). Barcelona: Editorial Ariel.

[3] Zbigniew Brzezinsky, The Technetronic Society, en Encounter, Vol. XXX, No. 1 (enero de 1968).

[4] Eco, U. (1968) Para una guerrilla semiológica. Artículo reproducido en el libro de Eco, La estrategia de la ilusión, Lumen/de la Flor, 1987. Barcelona.

[5] Goebbels, J. En un artículo publicado el 30 de abril de 1928 en “Der Angriff”, órgano de prensa del Nacional Socialismo.

[6] Crovi, Diana. “Sociedad de la información y el conocimiento. Entre el optimismo y la desesperanza”. UNAM. México, 2002.

[7] Urresti, M. “Ciberculturas juveniles”. La Crujía Ediciones. Buenos Aires, 2008.

[8] UNESCO. “Un solo mundo, voces múltiples. Comunicación e información en nuestro tiempo”. Fondo de Cultura Económica. México, 1993

[9] Murciano M. (2005) Nuevos conglomerados mediáticos y libertad de expresión: grupos de comunicación, democracia y política de comunicación. En CICom: Comunicación, democracia y ciudadanía. Centro de Investigación en Comunicación, Escuela de Comunicación, Universidad de Puerto Rico. Puerto Rico.

[10] Locco, N. En Sabina Finck: El dilema de la objetividad. Versão digital disponível em: http://catedragauna.com.ar/el-dilema-de-la-objetividad/.

[11] Camps, V. En Rodríguez, B.: Una información libre es tan necesaria como el agua o el aire para los seres vivos. Versão digital disponível em: http://www.barahonainformativo.com/2012/01/una-informacion-libre-es-tan-necesaria.html.

[12] Ramonet, I. Una reflexión sobre los medios y la democracia. Versão digital disponível em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=118309. 

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