''A viagem à Coreia abre ao papa a porta da Ásia.'' Entrevista com Antonio Spadaro

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • O Papa doa aos pobres um prédio de luxo a poucos passos de São Pedro

    LER MAIS
  • Arautos do Evangelho. Vaticano retoma a intervenção

    LER MAIS
  • “Infelizmente, a história da escravidão é contada por pessoas brancas”. Entrevista com Laurentino Gomes

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

18 Agosto 2014

"A Coreia é uma porta, a porta de acesso a um grande continente...". O padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica e autor do livro-entrevista com o papa, Minha porta está sempre aberta, está acompanhando a viagem na primeira linha. Há dois dias, ele foi visto conversando longamente com Bergoglio.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 17-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Qual é o significado dessa viagem, padre?

Quando ele se encontrou conosco, os membros da La Civiltà Cattolica, Francisco nos disse: é preciso habitar as fronteiras, não envernizá-las.

O que ele queria dizer?

Que ir rumo às fronteiras não significa anexá-las. É preciso sair. Não se trata de adequá-las a nós mesmos, mas vivê-las por aquilo que são. Pois bem: na Coreia, convivem muitas fronteiras. Uma, natural, é a entre o Norte e o Sul. Chamou-me a atenção que o papa sempre falou de península coreana, nunca de Norte e Sul. E fez apelo não a uma reflexão diplomática, mas a um dado relacional: a língua comum, a família dividida. Mas se você fala a mesma língua há esperança.

E as outras fronteiras?

A China, certamente. De lá começou a evangelização da Coreia. E depois o Japão, que sempre viveu uma relação conflituosa com a vizinha Coreia. E também aqui EUA e URSS se confrontaram: a Coreia encarna uma divisão que marcou a história do século XX.

Então?

Esse é o critério. O papa disse ter percebido interiormente que devia responder sim ao convite da Igreja coreana. Um critério espiritual motivado por aquela que é uma fronteira aberta. Aos jesuítas da universidade de Seul, no centro da sua viagem, ele reiterou a imagem da Igreja como hospital de campanha e falou de consolação e misericórdia. E isso dá uma chave de leitura. À radicalidade evangélica de uma Igreja voltada aos pobres e não eficientista, acrescenta-se a sua visão da laicidade: aqui também o papa enfatizou o dever dos cristãos de participar plenamente da vida da nação.

O estilo do coirmão de vocês Matteo Ricci ainda é válido?

Certamente. O padre Ricci é um ponto de referência para Francisco, porque propõe um estilo de evangelização muito caro a ele. Ricci escreveu em chinês o tratado Sobre a amizade, que oferece uma chave de leitura da atitude do papa diante das fronteiras. A amizade é um valor superior às estratégias diplomáticas, às vezes veladas pela hipocrisia. Por isso, o caminho da amizade é decisivo, também em relação à China.

O primeiro papa jesuíta conseguirá ser o primeiro a visitar a China?

O Deus de Francisco é o Deus das surpresas. Certamente, é visível uma grande abertura do papa a qualquer situação complexa. O fato de o voo papal ter sobrevoado a China e o telegrama que ele enviou indicam, por si sós, uma ponte lançada a esse grande país.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

''A viagem à Coreia abre ao papa a porta da Ásia.'' Entrevista com Antonio Spadaro - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV