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Por: Jonas | 12 Agosto 2014

Se não tivesse sido por esse pulmão enfermo, hoje o padre Jorge Mario Bergoglio não seria Papa. Seria missionário na Ásia. Assim que ouviu em sua vida o chamado ao sacerdócio, seu primeiro desejo foi o de partir como missionário para o Japão. Aquela severa infecção pulmonar cruzou o caminho entre o jovem Bergoglio e a grande nação do Sol Nascente. Ainda que depois tenha se recuperado, com um pedacinho de pulmão a menos, seus superiores não o consideraram apto para a iniciativa. Não restou outro remédio a Bergoglio a não ser obedecer. Não poderia imaginar, nessa época, que um dia viajaria como Papa e que daria nova forma ao sonho de sua juventude.

 
Fonte: http://goo.gl/nQyBu5  

A reportagem é de Lucio Brunelli, publicada por Tierras de América, 10-08-2014. A tradução é do Cepat.

A fascinação pelo distante Oriente faz parte do DNA dos jesuítas. Desde São Francisco Xavier até Mateo Ricci, os primeiros discípulos da Companhia de Jesus sempre se sentiram atraídos pelo que muitos consideravam uma missão impossível: levar a novidade do cristianismo para civilizações antiguíssimas, que pareciam refratárias a qualquer influência exterior. Paixão por uma “periferia” geográfica e cultural que os jesuítas intuíam que estava destinada a ter cada vez maior peso no mundo inteiro; povos que olhavam com os mesmos olhos que São Paulo enfrentou suas viagens mais árduas e perigosas, tornando-se “grego com os gregos, judeu com os judeus”, para conquistar novas almas para Cristo.

Os discípulos de Santo Inácio puderam chegar até onde outras ordens religiosas nunca se atreveram, até o coração da cidade proibida, Pequim. Utilizando todos os tipos de recursos, inclusive o estudo da astronomia que fascinava o imperador chinês. Foram admirados e foram odiados. Muitos deles morreram mártires.

Às vezes, tiveram que lutar também contra a rigidez da Cúria Romana. Um exemplo foi a polêmica sobre os ritos chineses. Aos novos convertidos de olhos rasgados, os missionários jesuítas não colocavam como condição, para abraçar a fé cristã, que renunciassem a prática confuciana do culto aos antepassados. Em seguida, predominou uma postura mais extremista, as sábias tentativas de inculturação, que a Companhia de Jesus promovia, ficaram desautorizadas e a prática dos ritos chineses foi considerada uma “superstição”, incompatível com a doutrina católica. As consequências no campo missionário foram devastadoras. Três séculos depois, em 1939 e por vontade de Pio XII, um decreto da Propaganda Fide reabilitou o método dos jesuítas.

De fato, a Ásia em seu conjunto continuou sendo, dos cinco continentes, o mais impermeável ao cristianismo. Até a atualidade, embora os católicos tenham um crescimento superior à média europeia, não superam os 3% de toda a população asiática. Uma população imensa: nesta parte do mundo, vivem 50% dos habitantes de todo o planeta.

Se o jovem padre Bergoglio não pôde ser missionário por culpa de um pulmão, também foi um problema de saúde que impediu Bento XVI pisar o solo asiático, no curso de seu pontificado. Realizou vinte e quatro viagens apostólicas ao exterior, quatro delas intercontinentais (incluindo a Austrália para a JMJ), mas nunca pôde ir a Ásia. Quando seus colaboradores começaram a programar uma visita, os problemas de pressão e de circulação desaconselharam um trajeto tão longo de avião.

Agora cabe a Francisco colocar ir ao Oriente. Coreia do Sul, de 13 a 18 de agosto. Depois, em janeiro de 2015, Sri Lanka e Filipinas. A Ásia é uma prioridade em seu pontificado. No horizonte, ainda longe, mas não do coração e da mente do Papa jesuíta, a grande China.

Bergoglio já conheceu um pouco da Coreia em Buenos Aires. Em inícios de fevereiro, nomeou o padre Han Lim Moon, sacerdote coreano que reside há vinte anos na Argentina, bispo auxiliar da paupérrima diocese de San Martín, onde trabalha o padre Pepe, pároco da vila de emergência Cárcova e um dos sacerdotes prediletos de Bergoglio.

A Coreia não é apenas um dos tigres da economia asiática. Também é um dos tigres da evangelização no continente, como explica Vincenzo Faccioli Pintozzi, em seu livro “A missão do Papa Francisco na Coreia”. Os católicos cresceram em um ritmo vertiginoso nas últimas décadas, e agora constituem 10% da população. Caso mais único do que raro, no “país da manhã calma” não foram missionários estrangeiros os que implantaram o Evangelho, mas, sim, leigos locais convertidos pelo eco que chegou a estas terras da pregação de Matteo Ricci, em Pequim.

A Coreia é um país ferido. Dividido artificialmente em dois estados e submetido à lógica violenta da guerra fria. Porém, as feridas não são apenas geopolíticas. Disciplina confuciana e espírito capitalista formam na Coreia do Sul uma mescla insólita, motor de uma economia que impôs suas marcas exitosas em todo o mundo, desde Samsung até Hyundai.

Para a maioria das pessoas, o preço é uma vida submetida às exigências do trabalho. A pessoa individual ficou anulada no altar da produção e da produtividade. É provável que essa seja a razão do interesse pelo cristianismo, não tanto pela moda intelectual de uma “religião ocidental”, mas, sim, pela possibilidade de experimentar um horizonte diferente para a vida. Toda esta história, todo este potencial, levará consigo o missionário Francisco que, por culpa de um pulmão enfermo, teve que demorar algumas décadas para fazer sua viagem até a Ásia.

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