La Civiltà Cattolica aborda o bicentenário da reconstituição da Companhia de Jesus

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04 Agosto 2014

No dia 7 de agosto, celebra-se o segundo centenário da reconstituição da Companhia de Jesus por obra de Pio VII, em 1814, com a bula Sollicitudo omnium ecclesiarum, depois da supressão por parte do Papa Clemente XIV, em 1773.

A reportagem é do sítio do Servizio Informazione Religiosa (SIR), 01-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No número mais recente da revista La Civiltà Cattolica, o padre Benjamín González Buelta oferece uma leitura "sapiencial" daquilo que, para os jesuítas que sobreviveram ao breve Dominus ac Redemptor de Clemente XIV, significou a dissolução do seu instituto por 40 anos, e fala de "um processo pascal muito intenso".

Ler aqueles anos "apenas com a linguagem da injustiça, do lamento e da perda não respeitaria a obra de Deus e nem mesmo a inspiração e a novidade que Ele nos oferece com toda poda". Mesmo hoje, segundo o padre González, "vivemos tempos de poda".

Daí a interrogação sobre como enfrentar "de modo criativo os grandes desafios do serviço da fé e da promoção da justiça em uma cultura que globaliza a sedução e a superficialidade". Palavras-chave são criatividade e fidelidade: a supressão e a reconstituição da Companhia podem "constituir para nós uma grande parábola para assumir os nossos tempos atuais de poda com 'fidelidade criativa', pessoal e institucional, nas 'fronteiras existenciais' da realidade em que nos encontramos ao lado do povo de Deus, podado mais cruelmente do que nós, que prossegue na história mutilado e ressuscitado, como aconteceu com Jesus".

"A supressão e a reconstituição – continua o Pe. González – nos colocam no centro do nosso carisma, que é ao mesmo tempo íntimo e histórico, criador e pascal, de obediência ao papa e de fidelidade ao futuro do reino". O estudioso reconhece que a supressão cortou não só obras de "indubitável qualidade cultural, educativa e pastoral", mas também "expressões de orgulho e de superioridade".

Os jesuítas sofreram o despojamento, alguns morreram ou enlouqueceram em cárceres duríssimos, mas a sua obediência despertou a admiração geral. "Imersa na lama, eliminada do ponto de vista social e condenada do ponto de vista religioso, descendo para a morte, a Companhia se encontrou com o Pai que acolhe todas as vítimas", e a sua dor "se transformou na dor de Deus, que é Amor, e o Amor transforma a dor em afeto, e a morte, em vida nova".

A reconstituição, explica o autor do artigo, "foi preparada na fidelidade ao silêncio" e ao carisma inaciano, e o coração da Companhia saiu "purificado" daí. Nela, formaram-se grandes homens que prepararam o Concílio.

Para o Pe. González, "o tempo do silêncio de Deus na história, quando o mal triunfa e parece que Deus está inerte, enquanto os carnífices festejam, e o servo se morde os lábios, na realidade, é tempo de gestação do novo, que se desenvolve protegido contra os inimigos da discrição de Deus".

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