O gabinete de segurança de Israel ordenou a continuação da operação na Faixa de Gaza

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Por: André | 01 Agosto 2014

Apesar das diferenças internas do gabinete israelense, o governo de Netanyahu aprovou a continuidade da operação militar em Gaza. Os falcões encabeçados pelo chanceler Lieberman conseguiram impor sua vontade.

 
Fonte: http://bit.ly/1uMaftD  

A reportagem está publicada no jornal argentino Página/12, 31-07-2104. A tradução é de André Langer.

O gabinete de segurança de Israel ordenou na quarta-feira, dia 30, o Exército para continuar a operação na Faixa de Gaza, para completar a tarefa de destruição dos túneis do Hamas. De acordo com um funcionário diplomático de alto escalão, que falou depois de reunião que durou quatro horas, a ofensiva de Israel levou a “conquistas significativas no terreno” e está atacando o “aparelho estratégico” do grupo islâmico, informou o The Jerusalem Post. No entanto, a decisão do gabinete de segurança dissimula as diferenças entre as diferentes facções dentro da coalizão.

O governo israelense também anunciou que declarará um cessar-fogo humanitário limitado, similar ao de quatro horas que aconteceu na quarta-feira. “O cessar-fogo acontecerá em zonas onde não há bombardeios e sem colocar em perigo os soldados ou comprometer os esforços para destruir os túneis”, indicou o jornal israelense. A ideia por trás destas tréguas é proporcionar aos civis de Gaza a possibilidade de absterem-se de artigos de primeira necessidade, disse o funcionário.

Não obstante, o governo de Israel está profundamente dividido sobre se deve ou não continuar com a ofensiva militar na Faixa de Gaza, que já dura três semanas e, em caso positivo, sobre como fazê-lo. Alguns dos sete membros que integram o gabinete de segurança do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, encabeçados pelo chanceler Avigdor Lieberman, pressionam para que se intensifique a operação terrestre em Gaza. Outros, no entanto, incluindo o próprio primeiro-ministro, são favoráveis à retirada. Estas divisões surgiram depois da reunião do domingo passado que, após prolongar-se até noite adentro, terminou sem tornar públicas suas conclusões.

Lieberman – um defensor da linha dura e líder da ala ultradireita da coalizão no governo –, assim como o ministro de Economia, Naftalí Bennett, mostram-se favoráveis à permanência em Gaza o tempo que for necessário para acabar com o Hamas, o movimento radical palestino que controla o território costeiro do Mediterrâneo.

Israel encontra-se numa encruzilhada histórica”, escreveu Bennett, no domingo, em sua página no Facebook. “Podemos fazer com que o Hamas se renda”, acrescentou. “Israel tem a oportunidade de demonstrar aos nossos inimigos, aos nossos vizinhos, a todo o mundo e a nós mesmos que podemos derrotar o terrorismo islâmico. Pela primeira vez em anos isso é possível”, continuar o ministro de Economia. Ele comparou a guerra com uma “luta de boxe” e garantiu que parar agora e aceitar uma trégua temporária, sem garantias a longo prazo de que o Hamas porá fim ao lançamento de foguetes contra Israel, seria como “ajudar o rival a levantar-se após cair no tatame e deixá-lo beber água e recuperar-se”. Bennett defende a retomada do controle da Faixa de Gaza, nove anos a retirada das forças israelenses.

O ministro de Defesa israelense, Moshe Yaalon, o de Finanças, Yair Lapid, e a própria ministra de Justiça, Tzipi Livni, por sua vez, inclinam-se a favor de colocar um ponto final à ofensiva antes do final desta semana.

Além do gabinete, entre as poucas vozes influentes que se escutam em Israel a favor de um cessar-fogo encontra a de Shimon Peres. Na quarta-feira, o ex-presidente visitou feridos e consolou os familiares do soldados caídos no Centro Médico Soroka, em Beersheba. “A guerra em Gaza nos esgotou e agora temos que encontrar uma maneira de pará-la”, disse. Peres acrescentou que frear os enfrentamentos entre Israel e o Hamas levará tempo. O ex-presidente afirmou que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, é o único que tem a autoridade legítima em Gaza. “A melhor jogada seria entregar Gaza novamente ao Abbas”, arrematou.

Mas a opinião pública israelense apóia os defensores das posturas mais inflexíveis.

Muitos israelenses ponderam que a morte dos 43 soldados desde que começou a ofensiva não terá servido para nada se o Hamas retomar os ataques com foguetes a qualquer momento. Uma pesquisa encomendada pelo Canal 10, de Israel, mostrou que 87% dos israelenses apóiam a operação Borde Protector. Uma ampla maioria – 69% – é a favor do extermínio do Hamas. E 85% dos entrevistados reconheceram estar “satisfeitos ou muito satisfeitos” com a liderança de Netanyahu.

Preocupado com que Netanyahu se deixe levar pela pressão pública e, apesar de que o número de mortos em Gaza já passe dos mil, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou com ele por telefone no domingo. Exigiu claramente o cessar-fogo humanitário imediato e incondicional. E embora tenha apoiado o direito de Israel defender-se e condenado os lançamentos de foguetes do Hamas, expressou sua preocupação com o crescente número de civis palestinos mortos. O jornal de maior circulação de Israel, Yediot Ahronot, interpreta o telefonema de Obama como uma luz vermelha para que Israel já não prossiga com a ofensiva.

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