Palestina. “Necessitamos de uma paz justa”

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Por: Jonas | 21 Julho 2014

Três crianças estavam feridas em suas camas no Hospital Shifa, uma lembrança do custo humano do conflito em Gaza. Eram todos da mesma família, Bakrs. Quatro de seus jovens primos e irmãos morreram em um ataque israelense, enquanto brincavam na praia, na tarde de quarta-feira. “Esta é a razão pela qual necessitamos de paz, para evitar que estas barbaridades aconteçam”, disse Al Mofeed Hasaina, um ministro do governo palestino que veio visitar o hospital. “Necessitamos de uma paz justa, que evitará que os israelenses lastimem a nossas crianças. Muito logo saberemos se é possível”.

 
Fonte: http://goo.gl/A5i9t9  

A reportagem é de Kim Sengupta, publicada por Página/12, 18-07-2014. A tradução é do Cepat.

Enquanto continuam as negociações no Cairo, Gaza teve uma breve demonstração de paz ontem, em uma trégua humanitária de cinco horas entre Israel e o Hamas. Houve silêncio no ar, não houve aviões de guerra ou foguetes, e o clamor e filas nos comércios, com a urgência de saber que o tempo passa voando, até que se reinicie o bombardeio mais uma vez.

A dez minutos de carro do hospital, o Banco da Palestina, na Rua Omar Mokhtar, em Gaza, estava cercado de clientes procurando receber seus salários, trocar cheques e utilizar os caixas eletrônicos. Assim como todos os bancos, este fechou quando começaram os ataques aéreos.

Muitos dos que se apresentaram, inclusive antes que houvesse iniciado o cessar-fogo, eram empregados públicos que não haviam recebido seus salários há semanas. Os ânimos esquentaram enquanto as filas cresciam e ficou cada vez mais evidente que a grande maioria dos que esperavam, teria que voltar com as mãos vazias.

Rami Mahmood Sawada a abandonou depois de três horas. “Os bancos disseram que só estariam abertos durante a trégua. Ninguém sabe quando abrirão novamente. Não pude obter meu salário nessas duas semanas”, disse. “Já era muito difícil só com a minha família, mas agora temos uma grande quantidade de pessoas que vivem conosco por causa da guerra e não estou certo de quanto tempo podemos continuar assim”. O empregado do Ministério da Saúde, de 37 anos, acrescentou: “Estamos trabalhando sem salários. Não podemos deixar de fazer nossas tarefas em momentos assim, temos que procurar lidar com mais pacientes do que nunca, com todos os bombardeios que acontecem”.

Houve gritos de confusão, seguidos de ira. Um homem à frente da fila, nos caixas, pegou os cartões bancários de um grupo de mulheres para amavelmente retirar para as mesmas o dinheiro. Desapareceu, de repente, com alguns dos cartões e o dinheiro. Não havia nada de simpatia em um grupinho de mulheres na loja de Abdurrahman Abdullah, que também não puderam obter seu dinheiro. “Tinha ido fazer suas compras para o Iftar, foi uma bobagem o fato de terem confiado nele”. Havia um montão de compras para o Iftar, a refeição da noite, após um jejum durante o Ramadã, no mercado principal. Firas Mabrouk, o dono de um posto de verdura, estava radiante: “Este é o melhor dia que tive em uma semana. As coisas estavam muito ruins, estou com uma baixa de 40% em minhas vendas. Durante o Ramadã, normalmente as pessoas fazem suas compras à tarde, mas devido aos mísseis não saem e muito menos à noite. Porém, é claro, este é apenas um dia. Só estará aberto durante algumas horas, novamente, pela manhã”.

As compras se tornaram um dia de passeio para a família Hamadi. “Não saímos nunca durante o dia, a não ser que tenhamos que sair, é muito perigoso”, disse Hania, tendo seguras em suas mãos as duas filhas pequenas, de cinco e três anos. “É claro, todos queremos a paz. Porém, não queremos a paz a não ser que ganhemos algo de dignidade em troca. Por que temos que viver como animais na tocaia? Os israelenses continuam bombardeando lares, mesquitas, escolas, dizendo que há combatentes ou armas ali. Isso é tudo falso”.

Entretanto, a Unrwa (a Agência de Obras Públicas e Ajuda das Nações Unidas para Palestina) disse que descobriu, durante uma inspeção de rotina, 20 foguetes escondidos em uma escola vazia. “Esta é uma evidente violação da inviolabilidade dos locais, em virtude do direito internacional”, disse em um comunicado.

Os israelenses fizeram explodir depósitos de foguetes no norte, perto de sua fronteira. No povo de Sayafa, de onde é possível ver o interior de Israel, a família Zindar havia se reunido pela primeira vez, em uma semana, já que alguns deles se mudaram depois de uma advertência dos israelenses sobre uma iminente ofensiva militar. Haviam retornado para uma breve visita, e as paredes com buracos de bala lhes recordaram os perigos que existem na região. Um dos irmãos, Mahmood, sofreu graves lesões nas pernas, em 2009, durante uma prévia ofensiva israelense.

“Não saímos de nossa casa antes, mas a diferença é que agora muitos de nós estamos casados e há crianças. Ouvimos que desta vez muitas crianças foram mortas e estamos muito preocupados”, disse Mohammed, de 27 anos, outro irmão. “O grande problema é que se acontecer algo, as ambulâncias não podem chegar até aqui”. Naji, um meio-irmão, decidiu ficar: “Não importa o local para onde se vai, em Gaza, nenhum lugar é seguro”.

As crianças Bakrs estavam no porto da cidade de Gaza, em uma tarde de sol, com uma clara visibilidade, quando foram alcançadas pelos projéteis. No Hospital Shifa, Al Mofeed Hasaina apontou para Monteser, de 11 anos, com faixas ao redor de seu peito, e exclamou: “Os israelenses estão atacando crianças pequenas. Mas, ele irá chegar a ser um homem e desejará lutar contra eles. Isto é o que criaram”.

Quando o ministro se foi, Monteser falou de sua tristeza pela perda de seu irmão e primos, e que nunca perdoaria aos israelenses. Gostaria de lutar contra eles, quando crescer? “Não, eu quero ser um pescador como meu pai, isso é tudo”, respondeu.

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