Pedidos de renúncia importunam arcebispo americano acusado de má conduta sexual

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15 Julho 2014

Em princípio, as últimas acusações não envolvem menores de idade ou atos criminosos. No entanto, isso não foi silenciou alguns moradores da Arquidiocese de St. Paul e Minneapolis de pedirem por mudança na condução dos trabalhos. Apesar de ouvir tais pedidos, Nienstedt diz ter uma “obrigação em pregar e ensinar o Evangelho”, e que qualquer decisão sobre uma possível renúncia não diz respeito a ele.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada por National Catholic Reporter, 10-07-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Como arcebispo, prometi servir à Igreja. É o que Deus me chamou para fazer, como um noivo para a Igreja, para melhor ou para pior. Tenho mantido este compromisso desde a minha ordenação como padre há 41 anos, e desde minha ordenação episcopal há 18 anos. E continuarei mantendo-o”, contou ao National Catholic Reporter via email.

Desde o final de janeiro, um escritório de advocacia de Minnesota contratado pela arquidiocese vem examinando inúmeras acusações segundo as quais Nienstedt teria se envolvido em condutas impróprias com padres, seminaristas e outros homens. Notícias sobre as investigações vieram a público em 1º de junho, quando a revista Commonweal informou que alguns advogados do escritório Greene Espel entrevistaram a ex-chanceler canônica Jennifer Haselberger sobre uma “impropriedade sexual” por parte de Nienstedt, remontando ao seu período como padre em sua arquidiocese de origem, Detroit.

A arquidiocese confirmou a reportagem no mesmo dia em duas notas à imprensa, uma do bispo auxiliar Lee Piché, que disse que a arquidiocese tinha recebido queixas de má conduta “há vários meses”, e que Nienstedt o teria nomeado para investigá-las. Piché disse que as investigações conduzidas pelos advogados da Greene Espel, escritório que ele contratou, estão em andamento. O religioso observou que as acusações “não envolvem nada criminoso nem menores de idade”.

“Estas alegações são absoluta e inteiramente falsas”, afirmou Nienstedt na nota que ele próprio escreveu, acrescentando que envolvem “eventos que supostamente teriam ocorridos há, pelo menos, uma década, antes que eu começasse a trabalhar na Arquidiocese de St. Paul e Minneapolis”.

Nienstedt confirmou que tinha relatado a Dom Carlo Maria Viganò, núncio apostólico nos EUA, sobre investigações em curso, o que Nienstedt ordenou para "o bem da arquidiocese” e porque “seria injusto ignorar tais acusações simplesmente porque sei que elas são falsas”. Espera-se que Viganò receba uma cópia completa do relatório.

Na história publicada pela revista Commonweal, Haselberger, cuja liberação de documentos induziu ao escândalo dos abusos que tem envolvido a arquidiocese desde o último mês de setembro, disse acreditar que o escritório de advocacia recebeu “cerca de 10 declarações juramentadas que acusam o arcebispo de impropriedade sexual”.

No dia 16 de abril os advogados questionaram o relacionamento entre Nienstedt e o Pe. Curtis Wehmeyer, que se encontra preso após acusações de envolvimento sexual com crianças. Haselberger disse ao National Catholic Reporter que “as informações que eu tinha e que poderiam contribuir eram limitadas”.

Cerca de um mês antes, o promotor do Condado de Ramsey havia liberado o arcebispo por tocar, de forma inapropriada, as nádegas de um garoto durante uma celebração de Crisma, fato capturado numa fotografia. Quando a arquidiocese soube desta acusação em meados de dezembro, Nienstedt retirou-se do ministério público.

Perguntado por que as investigações recentes não garantiram-lhe uma licença semelhante de ausência, Nienstedt respondeu que a política da arquidiocese exige um tal movimento apenas quando uma acusação crível de abuso sexual envolva menores.

A presente investigação é a página mais recente do escândalo de abusos sexuais por parte do clero na arquidiocese que está em curso e que viu um relatório produzido por uma força-tarefa descrever “graves deficiências” nas políticas arquidiocesanas de proteção infantil.

“Queremos que isso termine, queremos que o problema seja resolvido”, disse Paula Ruddy, membro da Coalizão Católica para a Reforma da Igreja, cujos componentes incluem a organização Call to Action local e várias outras instituições.

Ruddy disse que os membros da Coalizão duvidam de que Nienstedt mantenha, ou mesmo que alguma vez tenha tido, a confiança necessária para responder aos escândalos. Falou também que estão esperando que o arcebispo venha a renunciar. De forma semelhante, Charles Reid, professor de Direito na Universidade de St. Thomas, em Minneapolis, detectou um “desejo muito poderoso pela mudança” que ganhou força desde o início do ano.

“Há meio que uma falta de confiança, um sentimento de que se precisa de novos ares”, falou.

Entre o clero, o Pe. Mike Tegeder considerou a situação como uma “bola de neve”, dizendo que desde a chegada de Nienstedt, em 2007, como coadjutor, ele vem tendo problemas de ajustamento.

“A melhor coisa que poderia acontecer seria ele nos deixar e permitir que nos curemos”, contou Tegeder ao National Catholic Reporter.

Outros, falando não tão abertamente quanto Tegeder – que há anos vem sendo um dos maiores críticos de Nienstedt –, partilham dessa mesma opinião. “Se estamos procurando por [autoridades eclesiásticas] para conduzir a Igreja, isso não está acontecendo”, disse um padre aposentado ao National Catholic Reporter sob a condição de não ser identificado. Ele descreveu uma “nuvem negra” sobre a arquidiocese afetando, de modo adverso, a ele próprio e a vários padres com quem tem falado.

Pedidos semelhantes por uma mudança na condução da arquidiocese vieram no rescaldo das acusações iniciais sobre abusos. Em seu depoimento, o Pe. Peter Laird, ex-vigário geral que renunciou após o escândalo, afirmou ter sugerido duas vezes ao arcebispo renunciar.

Mas nem todos têm esta opinião. O Pe. Patrick Ryan descreveu Nienstedt como um homem bom “sob uma campanha” da mídia e de outros que não se encontram felizes com a Igreja, uma campanha começada em maio de 2013.

“Uma campanha para tirar alguém de seu posto? Não creio que esta seja uma boa maneira de a Igreja funcionar”, disse Ryan.

Nienstedt contou ao National Catholic Reporter que recebe pedidos tanto para renunciar quanto para permanecer à frente da arquidiocese, com ambos os lados acreditando que “tanto uma quanto outra ação será para o bem da Igreja”. Citou o trabalho de outros na arquidiocese, em fazer avançar a missão da Igreja, e disse que vem trabalhando nos últimos meses para instituir as recomendações da força-tarefa por ele criada.

Passos como uma força-tarefa e uma revisão externa dos arquivos do clero vêm sendo vistos como positivos, mas a cada novo depoimento ou investigação eles se anulam, disse Reid. Este entrevistado sugeriu que, para evitar dúvidas sobre a credibilidade destes esforços, Nienstedt deveria – ao menos temporariamente – se afastar enquanto o núncio apostólico conduz as investigações.

Para Tom Horner, ex-candidato a governador de Minnesota e estrategista de relações públicas, é “o desgaste como um todo” o que lhe causa preocupação. Disse ao National Catholic Reporter que Nienstedt “se tornou a tal ponto um para-raios” – e parte devido ao seu papel central no debate sobre o casamento [homoafetivo] em Minnesota – que as suas opiniões sobre questões enfrentadas pela região tendem a criar uma divisão maior do que um consenso.

Horner aprovou uma mudança na liderança arquidiocesana e, em novembro, esteve entre os vários doadores destacados que redirecionaram donativos que iriam para a arquidiocese para grupos específicos como o Catholic Charities.

Os eventos também conduziram Larry LeJeune – paroquiano da Igreja St. Bartholomew, em Wayzata, Minnesota, e ex-conselheiro da Universidade de St. Thomas – a dissociar os esforços de caridade da fundação de sua família até que um novo arcebispo – alguém com “credenciais impecáveis” e familiar coma região – assuma o posto.

“A situação está uma bagunça, e a cura tem que começar. E ela não pode começar com ele”, diz LeJeune.

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