Como Justin Welby encontrou Deus na África

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11 Junho 2014

Uma biografia sobre o arcebispo de Canterbury afirma que, ao ser confrontado com uma situação de suicídio, o então jovem de 18 anos de idade, começou uma jornada que o levaria a se tornar o líder da Igreja Anglicana.

A reportagem é de John Bingham, publicada pelo jornal The Telegraph, 07-06-2014. A tradução é de Cláudia Sbardelotto.

É difícil imaginar a forma mais brutal para um adolescente para se confrontar com a realidade da vida e da morte.

Entretanto, aos 18 anos de idade, durante um ano sabático para adquirir experiência voluntária, o futuro arcebispo de Canterbury, Justin Welby (foto), teve a tarefa de retirar o corpo de um estudante adolescente que havia se enforcado.

Uma nova biografia do arcebispo destaca esse momento no início do verão de 1974, enquanto ele estava voluntariando como professor em uma escola para meninos no Quênia, marcando o início de uma viagem improvável de se tornar um dos líderes espirituais mais influentes do mundo.

Poucos dias depois da tragédia, sobre a qual não se acredita que ele tenha falado em público previamente, o futuro líder dos 80 milhões de membros da Igreja Anglicana contou a um amigo próximo como ele tinha começado a encontrar a fé em Deus.

O incidente é narrado em uma biografia recém-atualizada do arcebispo, pelo Rev. Dr. Andrew Atherstone, um acadêmico de Oxford.

O arcebispo Welby, que não veio de uma família religiosa, tem falado com freqüência de sua "conversão" ao cristianismo por influência de estudantes evangélicos em Cambridge.

Mas o livro, que se baseia em cartas e entrevistas de familiares e amigos, argumenta que o gatilho inicial para o seu despertar espiritual veio um ano mais antes em Kiburu, uma aldeia cerca de 80 quilômetros ao norte de Nairobi.

Foi através de uma conversa casual em uma festa em Londres, organizada por um amigo da mãe, Jane, quando se aproximava o final de seus estudos no internato de Eton, que o jovem Welby foi convencido a se inscrever como voluntário durante um ano sabático através de uma organização missionária anglicana.

Seu pai, Gavin, que até então era um alcoólatra e com quem teve um relacionamento difícil, era contra a ideia e se recusou a financiar a viagem.

Mas sua mãe, ex-secretária de Sir Winston Churchill, vendeu um anel de diamante que tinha herdado de sua madrinha para arrecadar os fundos para a viagem.

Ele voou para o Quênia no dia do seu aniversário quando celebrava seus 18 anos, em janeiro de 1974 e ao chegar lá começou a ensinar matemática.

Ele compartilhava uma casa pequena com Phil Kelly, outro voluntário britânico três anos mais velho. O Sr. Kelly, que ainda é um professor, tinha se tornado um cristão comprometido ainda como estudante. Todavia suas cartas para casa mencionavam como seu jovem companheiro de moradia considerava-se, na melhor das hipóteses, um "agnóstico".

Foi em uma tarde de domingo, por volta do início de junho, quando os dois voluntários que se encontravam como os únicos professores no local, foram chamados a encarregar-se de um estudante que havia se enforcado em um bosque próximo.

"Justin e eu, já que eu estava de serviço, tivemos a triste tarefa de lidar com o caso", escreveu o Sr. Kelly a seus pais.

"A polícia chegou por volta das seis, não encontrou nenhuma evidência conclusiva do motivo, pegou seus pertences, declarações, etc, e já que a unidade fotográfica não apareceu, eles levaram o corpo para o necrotério do hospital de Kerugoya ao redor das 10h. Durante todo o tempo, os estudantes acompanharam as minhas ações, as de Justin e as da polícia a uma distância segura, mortalmente horrorizados com a coisa toda."

Quando, exatamente duas semanas depois, o Sr. Kelly escreveu novamente para seus pais, ele mencionou uma mudança em seu amigo.

"Justin está tentando escrever uma carta para seu pai, uma carta muito especial na qual ele está esperando acertar as coisas entre eles - as relações nunca foram muito boas", explicou.

Ele passou a contar o que ele chamou de uma "história bastante estranha e comovente".

"Justin diz que mais ou menos nos últimos 11 meses sua fé cristã estava em declínio tanto que há duas semanas ele achava que ele era mais agnóstico do que cristão."

"Mas ele sentiu que eu tinha algo que ele não tinha, então ele começou a orar de novo ... e alguns dias atrás, ele dedicou sua vida e aceitou a Cristo como Senhor. Desde então, ele tem se sentido muito melhor e também tem tido uma vontade crescente de escrever a seu pai sobre suas relações mútuas. Isso tudo é muito impressionante para mim!"

O Sr. Kelly, disse ontem à noite: "Eu honestamente não sei se na mente de Justin os dois acontecimentos estavam ligados.

"Foi uma ocasião muito angustiante e deprimente e eu sei que eu não dormi muito bem na última semana e muitos dos alunos estavam chateados com tudo o que aconteceu".

Mas ele disse que tinha visto o seu amigo "florescer" durante o que era para ser o primeiro de muitos feitiços na África.

O Dr. Atherstone disse que era como se toda a extensão do despertar religioso do futuro arcebispo na África tinha quase sido "esquecido".

"É difícil dizer, depois de todo esse tempo, por isso eu fico imaginando - mas eu me pergunto se existe uma conexão entre este incidente traumático de suicídio e, em seguida, duas semanas depois, o fato do jovem Justin comprometer a sua vida com Cristo", disse ele.

"Foi apenas uma coincidência ou há uma ligação entre os dois eventos?"

"Eu me pergunto se esse trauma, em um jovem de 18 anos de idade, em um país estrangeiro - dois jovens ingleses por conta própria no que parecia ser no meio do nada - se isso o levou a fazer perguntas sobre a vida e a morte, sobre o sentido da vida e se trouxe as questões eternas à mente."

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