Eleição entre os bispos italianos será mais democrática

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26 Maio 2014

A virada da Conferência Episcopal Italiana (CEI) ocorreu na quarta-feira, 21, à tarde, depois de um cabo de guerra que durou meses. A assembleia dos bispos decidiu que, no futuro, a eleição do novo presidente irá acontecer através de uma votação democrática, que produzirá uma terna dentro da qual o pontífice fará a sua escolha. "Quisemos manter o vínculo especial com o papa", deixando a ele a última palavra, explicou o presidente cardeal Bagnasco.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 23-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não é a eleição direta que Francisco desejava, mas representa um grande passo em relação às posições nas quais, até a véspera, a hierarquia tinha se fixado.

No ano passado, quando o papa argentino tinha começado a solicitar que a cúpula da CEI mudasse o estatuto para chegar à eleição direta do presidente como ocorre em todo no mundo, a maioria do episcopado italiano começou a pisar no freio.

Nos últimos meses, depois de consultas com as conferências episcopais regionais, surgiram duas soluções, ambas impraticáveis. A primeira previa uma consulta geral entre todos os bispos da Itália, cujo resultado – fechado – seria transmitido ao pontífice.

A segunda previa que, da massa de nomes produzidos pela consulta geral, a assembleia dos bispos escolheria 15 (!) para serem enviados à atenção do papa. Uma coisa de outro mundo e até mesmo fora da tradição eclesiástica, que, no caso de certas nomeações, desde sempre prevê a identificação de uma terna.

As resistências nasciam do medo de se avaliarem, do longo hábito dos bispos de se manterem à sombra do manto papal, renunciando a discutir abertamente opções distintas.

É fácil alinhar-se atrás do pontífice ou atrás de um discurso introdutório do cardeal-presidente, aprovada antecipadamente pelo Vaticano. Mais difícil e arriscado (em termos de futuras carreiras) é tomar posição em relação a um candidato ou a outro, ou a uma solução pastoral ou a outra.

Neste ano, ouviram-se, talvez, da parte dos prelados italianos, declarações sobre a comunhão aos divorciados em segunda união, a coabitação pré-matrimonial, aos anticoncepcionais ou aos casais homossexuais? Apenas para dar um exemplo relacionado aos temas do próximo sínodo dos bispos de outubro de 2014.

Na segunda-feira, 19, incitada por Francisco ao longo de um tempo de perguntas a portas fechadas, posterior ao discurso introdutório do pontífice, a assembleia da CEI se decidiu, finalmente, pelo método da terna para a eleição do presidente. O caminho, no entanto, continua sendo tortuoso.

Por enquanto, prevê-se que os três nomes devem surgir de três votações separadas, e que cada candidatura deve obter mais da metade dos votos (uma forma de evitar diferenças fortes demais entre um candidato e outro).

Além disso, também não ficou decidido se serão tornados públicos os votos obtidos por cada membro da terna (novamente, o medo de evidenciar os níveis de consenso dentro do episcopado). Tudo será resolvido no decorrer de uma assembleia extraordinária da CEI que será realizada em novembro, em Assis. Naquela ocasião, o cardeal Bagnasco poderia colocar seu mandato nas mãos do papa.

Bagnasco, nessa transição, está mantendo uma calma muito diferente de Bertone, quando Francisco estava prestes a substituí-lo. Ele não demonstra estar apegado ao assento. "Por 30 anos, fui vigário paroquial em Gênova, não sou um homem de carreira", disse-nos, em tom de brincadeira, algumas noites atrás.

Na realidade, todo o episcopado deve sair dos trilhos costumeiros do passado, das relações tradicionais com o mundo político, do "do ut des" com as corjas mais variadas, começando por aquelas relações mistas tão bem exemplificadas pelos últimos acontecimentos envolvendo Bertone.

A CEI é um mundo variado. Ao lado dos bispos religiosamente muito comprometidos, há muitos que ainda vivem com a mentalidade do homem de poder. Tudo isso deverá mudar, por vontade de Francisco.

O discurso do papa foi um choque. Os comentários confidenciais provenientes de dentro do próprio mundo católico são convergentes. "Os bispos ficaram perplexos." "Aterrorizados." "Alguns estavam pálidos."

Abaixo da superfície, no entanto, uma parte do episcopado respirou aliviado. Finalmente, vira-se uma página.

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