Índia. A Igreja não perde a esperança depois da vitória da direita hindu

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Por: André | 22 Maio 2014

A Índia está oficialmente nas mãos da direita hindu. A Igreja católicae as demais minorias religiosas do país, apesar de terem alguns temores (devido ao entendimento entre os novos governantes e os grupos fanáticos hinduístas), recordaram o antigo e arraigado patrimônio dos valores democráticos e de pluralidade que caracterizaram a Índia. É o cenário que se perfila no subcontinente hindu depois dos resultados oficiais das eleições gerais: confirmando as pesquisas, a vitória do partido nacionalista Bharatiya Janata Party (Partido do Povo Hindu, BJP) e de sua coalizão foi esmagadora.

 
Fonte: http://bit.ly/1nRDUxu  

A reportagem é de Paolo Affatato e publicada no sítio Vatican Insider, 16-05-2014. A tradução é de André Langer.

Após um turno eleitoral do qual participaram 814 milhões de eleitores e que teve uma elevadíssima participação (66,3% dos eleitores), os números de que disporá o novo governo são impressionantes: o BJP ocupou 282 cadeiras (para contar com a maioria absoluta são necessários 272 dos 543 lugares da Câmara Baixa). A coalizão, dirigida pelo líder Narendra Modi, de 63 anos, terá uma ampla maioria parlamentar, com mais de 330 deputados em conjunto. No Senado, também foi grande a derrota do Partido do Congresso, que esteve uma década no governo, pois foi castigado pelos eleitores devido aos casos de corrupção em que se viu envolvido e, sobretudo, pela pouca capacidade para impulsionar a economia.

Em seu triunfal discurso de abertura, o próximo Primeiro-Ministro Modi anunciou “uma nova era para a Índia, livre da corrupção e encaminhada para a recuperação econômica”, usando tons muito relaxados e exortando à unidade: “Vamos colocar o povo acima da política, fazer com que prevaleça a esperança sobre a desesperança, a cura acima do mal, a inclusão acima da exclusão e o desenvolvimento acima das divisões”. Parece um ramo de oliveira estendido à oposição e uma advertência para tranquilizar as minorias religiosas muçulmana (13,4%) e cristã (4,5% da população), para as quais a vitória do BJP e de Narendra Modi, em um país 75% hinduísta, não promete nada de bom.

O “pedigree” do líder nacionalista e de seu partido é, de fato, um tanto controvertido. O poder do BJP, formação que surgiu na cena política em 1980, alimentou-se com uma ideologia nacionalista definida “hindutva”, que promove “um povo, uma língua, uma cultura”, endossando as discriminações das castas e das minorias religiosas que, em nome da supremacia hindu, seriam submetidas ou canceladas.

O partido, que chegou pela primeira vez ao poder em 1998, aliou-se a alguns movimentos extremistas como o Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS, Corpo Nacional de Voluntários) e o Vishwa Hindu Parishad (VHP, Conselho Mundial Hindu), aproveitando inescrupulosamente o fator religioso para granjear um maior consenso político. Particularmente, utilizou a disputa que surgiu na localidade de Ayodhya, no Estado de Uttar Pradesh, por um sítio arqueológico reivindicado por muçulmanos e hinduístas: mesquita contra mandir (templo hindu). Quando em 1992 os militantes do RSS demoliram o edifício de culto islâmico, o BJP que se encontrava no governo de Uttar Pradesh, deu sua aprovação; em 2002, quando se colocou a primeira pedra do templo dedicado ao deus Rama, os muçulmanos reagiram atacando um trem cheio de turistas no Estado de Gujarat. Então se desencadeou em Gujarat uma caça aos muçulmanos que causou milhares de vítimas, sob o olhar indolente de Nadendra Modi, então primeiro ministro do Estado. Esse massacre e essa operação de mero cálculo político, que lhe renderam aclamações e notoriedade, seguem sendo uma mancha no currículo do homem que hoje está se preparando para dirigir a federação.

E este é o motivo pelo qual os cristãos pedem agora ao Executivo para que limite a ação violenta dos grupos extremistas hindus, que de tempos em tempos levantam a cabeça: o movimento RSS declarou que espera ansiosamente a abrogação do artigo 370 da Constituição (que dá autonomia ao Estado de Jammu & Kasmir) e a construção do templo hindu em Ayodhya. “Estas declarações – afirmou o Global Council of Indian Christian, organização que inclui fiéis de diferentes confissões – preocupam em relação ao futuro e corroem a confiança do povo. Uma retórica semelhante, que convoca às divisões, pode distrair o país do seu percurso de crescimento e desenvolvimento”. Os cristãos indicaram suas prioridades ao próximo governo: manter e reforçar a unidade entre raças, culturas e religiões; prmissa paraç o bem comum; reduzir o abismo entre os ricos e os pobres; garantir e defender os direitos dos “dalit” (os intocáveis) e das minorias, consagrados na Constituição; combater a violência contra as mulheres.

Frente a estes desafios, os bispos hindus apresentaram, segundo sua opinião, a questão principal: não contaminar a política com questões que pertencem à esfera religiosa, que poderiam promover o fanatismo. E destacando a confiança nos arraigados valores democráticos do país. Albert D’Souza, arcebispo de Agra, no Estado de Uttar Pradesh (onde se encontra Ayodhya) e secretário-geral do Episcopado, explicou à agência vaticana Fides que “um governo forte poderá conduzir a Índia a uma nova fase de desenvolvimento econômico e de progresso, garantindo os valores democráticos e constitucionais”. “É verdade que, às vezes, grupos fanáticos podem nos preocupar – prosseguiu –, mas a Igreja continuará apoiando a democracia, o respeito ao pluralismo, os direitos de todos e uma nova visão laica na agenda política”.

Além disso, recordou o bispo Anthony Chirayath em Madhya Pradesh (um Estado no qual o BJP dirige o governo local), “a Índia é um país com um patrimônio de antigas culturas e religiões que nenhum governo poderá atacar. Os desvios de alguns grupos radicais hindus não modificam a realidade de um país democrático e tolerante, que se orgulha de uma longa tradição de harmonia entre os diferentes elementos étnicos, culturais e religiosos” que formam o país. Segundo o bispo, que trata de acalmar os ânimos, “os cristãos não devem temer o novo governo, que trabalhará pelo bem do país”. Compartilha esta visão mons. Stanley Roman, bispo de Quilon, Kerala (Estado hindu com a maior concentração de cristãos do país, pois representam cerca de 20% da população): “A pluralidade é parte constitutiva do país e as minorias são protegidas pela Constituição: creio que o novo governo não poderá nem irá querer ir contra a Constituição. Estamos confiantes”.

Também alguns observadores internacionais, enquanto as bolsas festejam com um grande salto, acreditam que uma rígida agenda nacionalista dificilmente poderia ser colocada em prática naquela que é a maior democracia do mundo.

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