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09 Maio 2014

Multidão tenta tirar fotos do papa Francisco, em Roma, em 3 de maio. O vício em aplicativos e outras novas tecnologias aumentaram recentemente o número de atendimentos em consultórios e pronto socorros ao redor do mundo, por causa das intensas dores nas mãos e nos punhos.

A reportagem é de Riad Younes, publicado por CartaCapital, 07-05-2014.

Mera curiosidade alguns anos atrás, a ocorrência de várias lesões causadas diretamente pelo uso intensivo de jogos eletrônicos e epidêmicos aplicativos de celular.

Basta sentar em um restaurante para ver um fenômeno universal. As pessoas se juntam para um jantar entre familiares e amigos. Alguns poucos minutos após se distribuírem ao redor da mesa, todos, ou quase todos, imediatamente puxam seus respectivos celulares e, silenciosos, enterram seus rostos nas telas dos aparelhos. E, freneticamente, digitam e digitam. Sem parar.

Fico sempre pensando qual seria o motivo de essas pessoas se trocarem, saírem de casa e enfrentarem o trânsito, pagarem muito caro (favor reler os insistentes textos de meu caro vizinho Marcio Alemão) por jantares, se ninguém fala com ninguém. Ou talvez estejam se comunicando através dos celulares.

Esses vícios, entre outros, aumentaram recentemente o número de atendimentos em consultórios e prontos socorros ao redor do mundo, por causa das dores intensas nas mãos e nos punhos. Desde 1990, o dr. R. Brasington descreveu paciente com inflamação intensa nas mãos causada por tendinite, inflamação dos tendões e dos pequenos músculos dos punhos e das mãos, decorrente de abuso de jogos Nintendo. A síndrome foi intitulada de nintendinite.

Casos e mais casos foram relatados nas últimas décadas, todos relacionados ao uso dos equipamentos de diversão e de comunicação. O dr. J. Boris relatou tendinite recorrente em paciente jogando o Wii, e diagnosticou os primeiros casos de wiite em 2007. Um caso mais extremo de fratura na mão causada por jogo excessivo de Wii foi descrito pelo dr. K. A. Eley.

Todos esses casos foram publicados na prestigiosa revista de medicina New England Journal of Medicine. Poucos dias atrás, a dra. I. M. Fernandez-Guerrero, de Granada, na Espanha, acabou de relatar, na revista The Lancet, o caso de uma médica viciada (e quem não é hoje em dia?) em WhatsApp, que apareceu no pronto socorro com dor insuportável em ambos os punhos.

O desconforto começou de forma repentina, pela manhã, ao acordar. Somados todos os períodos de uso do aplicativo, essa paciente ultrapassava seis horas por dia. Todos os dias. Tratamento recomendado foi de anti-inflamatórios e abstenção total de mexer no aplicativo. Os analgésicos foram tomados, com melhora parcial das dores. A paciente não conseguiu parar totalmente de responder às mensagens de WhatsApp. Para esses casos, provavelmente um bom psiquiatra seria indicação apropriada.

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