''Reabilite Giordano Bruno'': o pedido de Frei Betto ao papa

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14 Abril 2014

Frei Betto, religioso brasileiro dominicano, um dos teólogos da libertação mais famosos do mundo, autor de um célebre livro-entrevista com Fidel Castro, de quem é amigo, ex-assessor do programa Fome Zero do primeiro governo Lula, autor de Um homem chamado Jesus (Ed. Rocco, 2009), foi recebido nessa quarta-feira pelo Papa Francisco na casa Santa Marta [na verdade, tratou-se de uma saudação informal no fim da Audiência geral na Praça de São Pedro].

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 10-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Sobre o que vocês falaram?

Como teólogo dominicano, pedi-lhe que reabilite oficialmente Giordano Bruno, condenado à fogueira pela Inquisição católica, e o Mestre Eckhart, contemporâneo de Dante, que também foi condenado pela Igreja por heresia. A Igreja pode finalmente restaurar-lhes a dignidade perdida, pode reabilitá-los. E fazer justiça. Eu pedi isso ao Papa Francisco, porque considero que o tempo finalmente está propício nesse sentido. Estou convencido, de fato, de que, assim como Tomás de Aquino, os escritos dele superam os séculos e são uma contribuição fundamental para a teologia mística. Giordano Bruno tinha uma visão panteísta do mundo, era um humanista importante, mas os seus escritos são uma contribuição a ser valorizada. A Igreja estava assustada com ele, e não vice-versa. Foi um mártir, e é preciso reconhecer isso.

O que o Papa Francisco lhe respondeu?

Que irá rezar por isso. E também pediu que nós rezemos por isso. E assim o faremos, esperando que uma reabilitação chegue em breve. Estou muito contente por não ter recebido uma resposta negativa. É realmente um papa capaz de ouvir os pedidos de todos, sem fechamentos nem preconceitos. Por isso, eu só posso lhe agradecer.

O senhor falou com o papa sobre a teologia da libertação?

Certamente, mas antes lhe disse que eu li a sua carta recentemente enviada para as comunidades de base. O papa dizia que as comunidades de base, longamente maltratadas pela hierarquia, são um movimento na Igreja Católica. Eu lhe disse que elas não são um movimento, mas são a Igreja, um modo de ser dentro da própria Igreja, uma realidade enraizada internamente e não externa a ela, não um corpo estranho. E que elas, em primeiro lugar, não querem ser consideradas um movimento estranho. Quanto à teologia da libertação, eu lhe disse que o papa deve ser, para toda essa teologia, um pai amoroso, como de fato ele já é. Nós, teólogos da libertação, somos filhos da Igreja. Por muito tempo, nos consideraram como corpos estranhos. Ao contrário, somos parte da Igreja.

Em Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio sempre estava do lado dos pobres e dos últimos. Vocês falaram sobre o seu passado, sobre o tempo passado em Buenos Aires como arcebispo?

Certamente. Francisco traz os pobres no seu coração desde sempre. Eu lhe citei uma frase em latim: "Extra pauperum nulla salus" (fora dos pobres, não há salvação). E ele me disse que estava totalmente de acordo, anuindo satisfeito. São os pobres e os últimos a força da Igreja, a luz do mundo. Juntos, falamos sobre os sofrimentos dos índios, das populações locais. Francisco acredita que, na América Latina, os índios são explorados e não amados. Ele sofre por e com eles. O papa disse que quer uma Igreja dos pobres e para os pobres. E para ele não se trata de palavras, mas de vida vivida.

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