Tibhirine, uma presença de grande atualidade

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31 Março 2014

"Em que reconhecemos o espírito de Tibhirine, na sua relação com o Islã e com o seu ambiente humano em geral?" Assim interroga-se o frei Jean-Pierre Schumacher, um dos dois monges trapistas que sobreviveram ao sequestro e ao massacre de sete coirmãos no mosteiro de Tibhirine, na Argélia, na primavera de 1996. Ele o faz em um livro que vai ao coração do significado daquela presença monástica em um mundo totalmente islâmico. Um significado que não pode ser relegado apenas à memória, mas continua sendo de grande atualidade.

A reportagem é de Anna Pozzi, publicada no jornal Avvenire, 28-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Isso porque Lo spirito di Tibhirine (de Frère Jean-PierreNicolas Ballet, Ed. Paoline) é sobretudo uma mensagem de vida, diálogo, amizade e esperança. "O espírito de Tibhirine – lê-se – é acima de tudo uma presença fraterna. Ele pressupõe que sejamos verdadeiros na nossa consagração a Deus, comunitária e pessoalmente. Isso condiciona todo o resto. Não serviria de nada iniciar o diálogo com o outro, o diferente, se a nossa vida monástica não estivesse já voltada continuamente à busca dessa harmonia entre os irmãos da própria comunidade. Só então é que se pode começar o conhecimento da alma do Islã, assim como ela foi vivida pelo nosso padre Christian de Chergé. Em consequência, torna-se possível caminhar com os muçulmanos em uma real convivialidade e em uma real proximidade".

Esse livro também nasce de um encontro. O que ocorreu precisamente entre o frei Jean-Pierre, que desde 1996 vive no mosteiro de Midelt, em Marrocos, e o jornalista Nicolas Ballet, do jornal Progrès, de Lyon, na França. Um monge e um jornalista. Que, no tempo paciente de um encontro que durou um mês e meio, e em mais de 30 horas de entrevista, conseguiram destilar o sentido profundo de uma presença cristã que continua ainda hoje de várias formas.

E, assim, ao lado da reconstrução do sequestro, com detalhes inéditos revelados pela monge, surge principalmente uma mensagem de esperança. A de um amor compartilhado até o sacrifício extremo por Deus e pelos próprios irmãos e irmãs.

"Depois de ter realizado em 2011 uma investigação sobre os 'mistérios' de Tibhirine – relata Ballet – eu trabalhei por mais de um ano e meio em torno da figura de Jean-Pierre, o último sobrevivente depois do outro, o frei Amédée, falecido em 2008." O jornalista fez buscas e verificações também na França e na Suíça, para chegar, no fim, a Tibhirine, fechando o círculo em torno de toda essa longa "investigação espiritual".

O resultado é um livro intenso e verdadeiro. Profundo e tocante. Há muito do frei Jean-Pierre, da sua doçura e da sua lucidez, da sua transparência e da sua humildade. "Não quero que me tomem por santo!", protestava ele em fevereiro passado, recebendo as saudações de todo o mundo pelos seus 90 anos. "Se devemos ser fortes – escreveu o monge – é no diálogo, com a vontade de descobrir o que é belo no nosso próximo e provocar reciprocamente a sua curiosidade. É um trabalho exigente. Devemos aceitar ser perdedores antecipadamente, como Cristo. Devemos ser fiéis ao seu exemplo. Os resultados, esperamos para depois."

De fato, hoje, Tibhirine continua vivendo. Sem uma comunidade monástica, mas com um sacerdote da Mission de France, o padre Jean-Marie Lassausse, que a mantém aberta às relações com os moradores locais e ao acolhimento dos peregrinos.

"Em Tibhirine, tudo parece frágil e sólido ao mesmo tempo", afirma Ballet. "A presença do padre Jean-Marie permite que a Igreja da Argélia espere ainda em um futuro, de uma forma ou de outra, para o velho mosteiro."

No pequeno cemitério estão sepultadas as cabeças dos sete monges trucidados, enquanto os seus corpos nunca foram encontrados. Descansam junto com os outros trapistas que viveram lá nos quase 60 anos de presença monástica na Argélia. Ainda hoje "as relações fraternas com os outros monges" são a recordação mais forte e bela do frei Jean-Pierre, que se comove ao lembrar também da ligação com as pessoas do vilarejo: "Algo essencial se quiséssemos que a nossa presença em um mundo totalmente muçulmano fizesse sentido."

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