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24 Março 2014

Às vésperas do aniversário de 50 anos do golpe de 1964, o centro de São Paulo foi palco neste sábado de dois protestos com bandeiras opostas.

De um lado, a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em que manifestantes pediam a volta dos militares ao poder.

A ideia era reeditar a famosa marcha anticomunista de mesmo nome, que reuniu centenas de milhares de pessoas no centro da capital paulista em 19 de março de 1964.

A reportagem é publicada por BBC Brasil, 23-03-2014.

Na ocasião, grupos de classe média da cidade saíram às ruas para protestar contra o comunismo, em um ato que acabou abrindo caminho para o golpe militar, que culminou poucos dias depois, em 1º de abril.

Convocada pelo Facebook, a marcha tinha mais de 2 mil confirmados. Segundo estimativas da PM, cerca de mil pessoas participaram.

A marcha começou na Praça da República às 15h e seguiu até a Praça da Sé - exatamente o mesmo trajeto da marcha de 64.

A poucas quadras dali, também às 15h, tinha início a Marcha Antifacista - Contra a Ditadura, que lembrava os horrores das torturas e das mortes ocorridas no período.

Os manifestantes partiram da Praça da Sé e caminharam até o prédio onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército (DOI-Codi), no bairro da Luz.

No momento em que passava pelo Largo General Osório, o protesto reunia cerca de 800 pessoas, segundo a PM.

Os dois grupos não chegaram a se encontrar durante as marchas, e a PM formou cordões de isolamento para evitar confrontos.

Somente incidentes isolados foram registrados durante os dois protestos, com a detenção de manifestantes que fizeram provocações na marcha oposta.

Enquanto na Marcha Antifacista os manifestantes entoavam gritos como o de "Abaixo a Ditadura" e "Não ao Golpismo", do outro lado do Centro, o que se ouvia eram frases como "Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos os militares protegendo o Brasil" e "um, dois, três, Dilma no xadrez", de acordo com a Agência Brasil.

Confronto no Rio

O Rio também abrigou duas marchas opostas. No entanto, os manifestantes cariocas contra e a favor de uma intervenção militar no Brasil acabaram entrando em confronto durante algumas ocasiões em que ambas as marchas se encontraram.

Ainda segundo a Agência Brasil, o conflito ocorreu em frente ao Palácio Duque de Caxias, no centro da cidade, quando manifestantes opositores trocaram socos e chutes. Policiais militares do Batalhão de Grandes Eventos usaram então cassetetes e balas de borracha para acabar com a confusão.

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