Padres austríacos alertam para a existência de uma “frente anti-Francisco” em Roma

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Por: André | 12 Março 2014

Os “padres desobedientes” austríacos, pioneiros nas correntes reformistas na Igreja, avaliam positivamente o primeiro ano de pontificado do Papa Francisco, mas indicaram que as mudanças podem fracassar devido à oposição dos bispos e por aquilo que chamam de “frente anti-Francisco” em Roma.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 11-03-2014. A tradução é de André Langer.

Helmut Schüller, fundador e porta-voz deste grupo, garantiu, em uma coletiva de imprensa, que existe “uma frente anti-Francisco muito bem organizada”, na qual estariam grupos como a Opus Dei, Comunhão e Libertação ou Legionários de Cristo.

“Pode-se contar com o fato de que esses grupos, que até agora foram muito influentes, não cedam facilmente”, opinou o pároco e ex-vigário-geral da Igreja austríaca.

A Iniciativa de Párocos, criada por Schüller em 2006 e que foi imitada em outros países da Europa e dos Estados unidos, realizou nesta terça-feira um balanço de sentimentos sobre o trabalho de Francisco.

“O Papa estabelece claros sinais para uma ruptura reformista da igreja, mas entre os bispos impera a espera, com consequências fatais para as paróquias”, advertiu Schüller.

A Iniciativa, que em sua dimensão internacional reúne cerca de 2.500 sacerdotes, avaliou as iniciativas de Francisco como a primeira tentativa de abrir a Igreja desde o Concílio Vaticano II, em 1962.

Ao contrário do papa anterior, Bento XVI, “agora temos um Papa que, de repente, é finalmente participativo”, assinalou, por sua vez, o padre Peter Kaspar, outro dirigente da Iniciativa.

“Um Papa que parece terminar com a monarquia na Igreja”, avaliou este religioso austríaco.

Kaspar enumerou cinco aspectos nos quais o Papa está lançando mensagens para transformar a Igreja.

Do centralismo à universalidade; da Igreja dominante à Igreja dos pobres; do dogma à variedade; da severidade moralizante à piedade e do direito absoluto à abertura.

Contudo, advertiu que Francisco lançou muitas ideias, mas que ainda está por se ver se poderá levá-las até o final ou se seu futuro sucessor as continuará ou se haverá novamente um retrocesso.

Assim, este grupo de sacerdotes assinalou que os temas da Igreja de base continuam sendo os mesmos, tais como: a falta de sacerdotes, a fusão de paróquias e a distância em relação aos fiéis.

Schüller destacou a necessidade de acabar com a discriminação da mulher na Igreja, abri-la aos divorciados, debater sobre a possibilidade de os sacerdotes poderem casar ou dar mais responsabilidade aos leigos dentro das paróquias, entre outros assuntos.

Acima de tudo, defendeu que há motivos para manter o apelo à desobediência que lançaram em 2011 no qual, “diante da recusa de Roma de uma reforma há tempo necessária”, declaravam-se obrigados a seguir sua própria consciência e agir independentemente das ordens do Vaticano.

Segundo explicou Schüller nesta terça-feira, a Espanha continua sendo um dos países europeus onde a iniciativa de desobediência recebeu menos apoio entre os sacerdotes, uma situação que atribui ao medo.

Em relação às mudanças na Conferência dos Bispos da Espanha, com a saída do cardeal Antonio Rouco Varela da presidência, Schüller indicou que “quando chegarem ao cargo bispos que libertem desse medo e inclusive valorizem que padres e católicos falem abertamente e se expressem, então os padres se atreverão mais”.

“Em muitos países ainda há uma campanha de silêncio. Isso pode mudar com a entrada de novos bispos”, concluiu.

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