O homem não produziu o milho sozinho

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • Movimento que pediu pacote antiambiental a Paulo Guedes inclui Gerdau, Google, Amazon, Globo e outros

    LER MAIS
  • Refazer os padres, repensando os seminários. Artigo de Erio Castellucci

    LER MAIS
  • São Vicente de Paulo e a atualidade de sua herança espiritual

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Por: André | 17 Fevereiro 2014

O clima está, para muitos, na origem do milho a partir do seu ancestral selvagem há 10.000 anos. Não é uma criação agronômica dos habitantes da América Central.

A reportagem é de Nicolas Constans e publicada no jornal francês Le Monde, 13-02-2014. A tradução é de André Langer.

 
Fonte: http://bit.ly/MnkX5q  

Ao longo da história o homem domesticou muitas plantas: arroz, trigo, lentilha, banana, etc. Com efeito, ao passar a cultivar plantas selvagens, provocou o surgimento de novas espécies ou subespécies, domésticas. Plantas novas com características diferentes, como grãos maiores, etc. Durante muito tempo, muitos arqueólogos viram nisso apenas a mão humana. Pouco a pouco, o homem teria selecionado as variedades mais produtivas ou aquelas cuja colheita era mais fácil de fazer. Mas, nas últimas décadas, muitos estudos começaram a matizar fortemente esta hipótese.

É o que indica um novo estudo sobre o milho. Planta rainha dos Maias e de bom número de civilizações americanas, o milho ocupava um lugar central em suas religiões e culturas. Principal alimento dos Astecas, o milho era personificado por muitas divindades, que correspondiam às diferentes etapas da sua maturação, como o deus Cinteotl ou a deusa Xilonen (na imagem). Hoje, os países americanos continuam a produzi-lo massivamente – várias centenas de milhões de toneladas de grãos anualmente.

Saber quando e como os homens domesticaram o milho é, portanto, uma questão fundamental para os arqueólogos. Atualmente, eles acreditam que isso ocorreu há 11.000 ou 10.000 anos. Especialmente porque os vestígios mais antigos de milho aparecem há 9.000 anos, no vale de Balsas, no oeste do México. É também lá que vive hoje seu ancestral selvagem, o teosinto.

Mas este ancestral coloca problemas. Ele não se parece com os seus descendentes, o milho. Por exemplo, o teosinto é maior e muito mais ramificado. E as flores masculinas e femininas não estão localizadas nos mesmos lugares do milho. As diferenças entre o milho e o teosinto são tão grandes que durante várias décadas, muitos duvidaram que fossem realmente parentes. Inicialmente, os botânicos classificaram-nos em gêneros diferentes.

 
Fonte: http://bit.ly/1oz5pKJ  

Com efeito, o milho parece mais elaborado às necessidades dos homens. Sua colheita é fácil de se fazer. Em primeiro lugar, pela localização das espigas. Porque as do milho estão afixadas no tronco central da planta, ao passo que as do teosinto são menores e espalhadas pelos ramos. Em segundo lugar, porque os grãos do milho têm a enorme vantagem de amadurecerem quase ao mesmo tempo. Ao passo que a maturação do teosinto leva cerca de dois meses. É preciso ir várias vezes para colher os grãos para evitar que caiam no chão, onde se perdem. Finalmente, uma espiga de milho produz às vezes centenas de grãos, contra menos de dez do teosinto. Em suma, o milho parece ser uma planta mais elaborada, diferindo fortemente do seu ancestral selvagem.

Mas uma equipe de pesquisadores americanos e ingleses fez a seguinte reflexão: quando se compara o milho e o teosinto, a base de observação é o aspecto que a planta tem hoje. Mas quem diz que os aprendizes agricultores de 11.000 anos atrás lidavam com a mesma planta que nós? Porque o clima era bem diferente naquela época. Havia em média 40% de CO2 a menos na atmosfera. Ora, o CO2 tem em geral mais influência sobre o crescimento das plantas. Além disso, o clima era, na época, menos quente e mais seco.

Para conhecer o aspecto que o teosinto pré-histórico tinha, as escavações arqueológicas não são de grande ajuda. Porque, em geral, plantas antigas se decompõem e desaparecem totalmente. Quando elas subsistem às escavações, é geralmente sob a forma de minúsculos fragmentos. E esses fragmentos não permitem apreciar a forma geral que a planta tinha. Além disso, os arqueólogos encontraram alguns poucos locais para esses períodos antigos na América Central. O melhor, portanto, é fazer experiências.

Foi o que a equipe fez. Ela cultivou plantas de teosinto numa estufa em que a temperatura e a quantidade de CO2 eram estáveis. Desta maneira, proporcionou as mesmas condições daquelas que reinavam na América Central no final do período glacial, há aproximadamente 11.000 anos.

Resultado: o teosinto cultivado nessas condições se parece muito com o milho, excetuado o tamanho das espigas. Mesmas espigas afixadas no tronco do pé, mesma localização das flores masculinas e femininas. Em alguns casos, os grãos perderam, como naqueles do milho, a escama que os envolve e torna o seu consumo um pouco mais difícil. Para chegar a este resultado, bastaram alguns anos de cultivo.

Há 11.000 anos, a colheita e o consumo dos grãos do teosinto eram, pois, verdadeiramente mais fáceis que hoje. Foi talvez isso que chamou a atenção dos habitantes da América Central para esta planta. Talvez eles começassem a plantar as sementes para obter uma quantidade um pouco maior. Com certeza, a mão humana está de alguma maneira na origem do milho, mas o clima parece ter contribuído.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

O homem não produziu o milho sozinho - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV