Cardeal Lehmann fala com o Papa sobre a reforma da cúria, família e o caso Limburg

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20 Janeiro 2014

 O cardeal alemão, Karl Lehmann, bispo de Mainz, Alemanha, e ex-presidente da Conferência Episcopal Alemã, teólogo de renome internacional, depois de ser recebido em audiência pelo Papa Francisco, concedeu ao jornalista Johannes Schidelko, publicada em www.domradio.de, 19-01-2014. A tradução é de IHU On-Line.

Eis a entrevista.

Senhor cardeal, que impressões teve do seu encontro com o Papa?

Conversamos sobre uma longa série de temas: reforma da cúria, pastoral familiar compreendendo também a questão dos divorciados recasados, os próximos sínodos dos bispos, mas também a situação na diocese de Limburg. Encontrei um papa vivaz, cheio de humor, distendido, mas também decidido, determinado e consciente, que se apresenta tão dinâmico a ponto de que eu não lhe daria 77 anos, a idade que nós dois temos. Sinto-me muito encorajado depois deste colóquio.

O Papa está informado da situação da diocese de Limburg?

Francisco está muito bem informado. Disse-lhe que vejo o bispo de Limburg como uma pessoa muito inteligente, bem instruída, comunicativa e gentil. Não tenho a impressão que é um dissipador. Contudo, uma certa política secreta influiu para uma postura contra ele movido por uma campanha midiática. A minha preocupação é que se não chegamos logo a um esclarecimento, ficará comprometido o clima de novidade suscitado pelo Papa depois da sua eleição. Porque a campanha contra o bispo de Limburg se baseia numa desconfiança e sobre uma maneira de agir hostil no confronto com a Igreja.

Prevê-se algum movimento sobre o tema da pastoral familiar?

Para o Papa é evidentemente importante que neste setor haja um avanço. Este tema será abordado fortemente nos dois próximos dois sinodos dos bispos. Parece-me que aqui temos como que um teste.

O senhor espera mudanças, por exemplo, no que refere aos sacramentos para os divorciados recasados?

Não é possível evitar a questão dos sacramentos. É preciso que seja afrontada, mas não como prioridade. A Igreja deve preocupar-se das pessoas que viveram relações destruídas ou atribuladas - e entre estas estão, certamente, em primeiro lugar os divorciados recasados. Eles têm o seu lugar na Igreja. Contudo, é preciso considerar bem as situações específicas. Não se pode pregar a misericórdia sem mais nem menos, porque da misericórdia faz parte também a justiça. Esta relação deve ser profundamente repensada.

O senhor participou do conclave em março de 2013. O senhor avalia que as expectativas foram realizadas?

Estamos positivamente surpresos. O Papa antes era fortemente ligado à sua arquidiocese de Buenos Aires. Ele não viajava muito. Era menos comprometido do que outros em nível da Igreja universal. Por isto, muitos europeus não o conheciam bem. Seguramente, se esperava do conclave uma mudança - e a eleição de um não-europeu.

Qual é a característica deste pontificado?

Dez meses são somente o início do início. Devemos esperar mais para que as coisas se evidenciem mais. O que me parece essencial é o quanto Francisco vive autenticamente o evangelho no seu modo de vida e no seu anúncio. Isto tem uma grande força de persuasão e de credibilidade e suscita confiança. E dá para reconhecer o toque do Papa também nas primeiras decisões relativas ao pessoal que trabalha na Cúria, sobretudo a nomeação do secretário de Estado e a escolha dos novos cardeais.

Contudo, não se deve reduzir o Papa e a sua mensagem somente às pregações a favor dos pobres - certamente uma questão importante para a Igreja. Mas me parecem significativas as suas declarações sobre o anúncio da Palavra de Deus e o grande valor que atribui à homilia. Com isto ele esclarece que se pode ir para a periferia somente se se tem uma radicamento profundo. Esta integração é muito importante.

A presença de um Papa ao lado de um papa emérito no interior dos muros do Vaticano pareceu, no ínício, como algo problemático.

O fato de Bento ter-se retirado quando viu que as suas forças estavam diminuídas, foi, para mim, um grande gesto, incomparável. Neste gesto ele prestou um grande serviço ao papado - e o humanizou. E o modo como Bento XVI se retirou, e as relações que Francisco mantém com ele, não podem ser melhores - tendo em conta a diferença das duas personalidades e orientações. Porque vão na mesma direção e neste sentido dão um grandioso testemunho da unidade da Igreja.

Para onde o Papa Francisco conduzirá a Igreja?

Ela a fará sair de mais de uma crise. Surpreende-me as vezes de que fala de clericalismo nos seus documentos e nos seus discursos e como ele sublinha que o clericalismo impede, muitas vezes, uma dinâmica colaboração dos leigos com a Igreja.

Além disso Francisco quer reforçar as Igrejas locais, atribuindo a elas uma certa autoridade de ensino - ainda que não no sentido estritamente teológico. E também organizará a Cúria de tal modo que ela possa percorrer esta estrada com a Igreja na sua complexidade.

Sobre os temas teológicos de fundo, Francisco, me parece, é um conservador - no melhor sentido da palavra. Não tira nada do que é autenticamente católico. Alguns reformadores ficarão maravilhados com isto. Porque certas coisas que para nós na Alemanha ou na Europa parecem ser importantes, para ele não são.

Ele não deixa nenhuma dúvida sobre o fato de que a mulher possa e deva ter um papel muito maior na Igreja. Mas o presbiterato ou o diaconato para as mulheres não são, para ele, as preocupações mais importantes. Também sobre temas como o aborto ou o divórcio ele se expressa tão claramente nos seus escritos que não se pode esperar nenhuma grande liberalização.

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