“Minha prioridade é que o Vaticano puna os bispos que encobriram os abusadores”, afirma Marie Collins

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Por: André | 26 Março 2014

Vítima da agressão sexual por parte de um capelão de hospital quando era menina, Marie Collins (foto) chegou a ser proeminente ativista na luta pela justiça para as vítimas de abusos por parte de sacerdotes e enérgica crítica do modo como o Vaticano administrou os escândalos.

 
Fonte: http://bit.ly/1jFicHp  

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 25-03-2014. A tradução é de André Langer.

Agora, ela foi nomeada para integrar a comissão do Papa Francisco sobre políticas antiabusos. É um dos oito membros – inclusive quatro mulheres – que ajudará a precisar o alcance do painel e assessorarão a Igreja católica sobre as melhores práticas para proteger as crianças.

Em uma entrevista à agência The Associated Press, Collins disse que sua prioridade é que o Vaticano puna os bispos responsáveis por encobrir sacerdotes que violaram menores.

“Não vejo nenhum sentido ter programas de primeira para proteger as crianças se não há punições para um bispo que decide ignorá-los”, disse Collins por telefone de Dublin. “O motivo pelo qual todos estão tão indignados não é porque haja abusadores entre suas fileiras. Há abusadores em todos os estratos da sociedade. O motivo se deve ao encobrimento sistemático”.

Francisco anunciou os primeiros membros depois de ter sido censurado por grupos de vítimas por uma suposta falta de atenção ao escândalo, que custou à Igreja sua credibilidade – e milhões de dólares – em bastiões tradicionalmente católicos nos Estados Unidos, Europa e América Latina.

O Direito Canônico dispõe de sanções, caso um bispo incorrer em negligência no cumprimento de seus deveres, mas até agora nenhum bispo foi punido por negligência relacionada com os abusos sexuais. Em seu anúncio do sábado, o Vaticano insinuou que isso mudará e acrescentou que uma das missões da comissão será estudar os deveres e responsabilidades do clero.

Collins admitiu que poderá se decepcionar. Mas disse que “vale a pena aproveitar a oportunidade” de participar da comissão, mesmo sob o risco de perder credibilidade junto às vítimas de abusos.

“As pessoas me dizem que significa que confio na Igreja. Mas o fato é que não confio absolutamente neles”, afirmou.

“O motivo pelo qual aceitei fazer parte da comissão é que critiquei a Igreja pelo modo como faz as coisas e como trata os sobreviventes”, explicou. “Não aproveitar esta oportunidade para dizer estas coisas ao núcleo da Igreja iria contra tudo o que sinto”.

Collins foi agredida sexualmente pelo sacerdote Paul McGennis em 1960, quando tinha 13 anos e estava no hospital. Ele fez fotos provocativas da menina. A menina sofreu depressão e agorafobia durante décadas e esteve internada mais de uma vez em hospitais psiquiátricos. Quando, finalmente, reuniu coragem para denunciar o seu abusador, seu pastor acabou culpando-a pelos fatos.

“Me desfiz em mil pedaços”, afirmou. “Não falei com ninguém durante dez anos”.

Finalmente, as autoridades civis processaram e encarceram o sacerdote culpado e foi processado duas outras vezes por humilhar outras crianças. Foi reduzido ao estado laical em 1997.

Em 2003, Collins ajudou a Arquidiocese de Dublin a criar seu próprio serviço de proteção à infância e em 2012 falou em um simpósio apoiado pelo Vaticano na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma orientado a educar os bispos nas normas para proteger as crianças.

O principal grupo de vítimas nos Estados Unidos, a SNAP, saudou a participação de Collins no painel de Francisco, assim como a principal autoridade da Igreja sobre abuso sexual de clérigos, o bispo Charles Scicluna, durante uma década o principal fiscal de crimes sexuais no Vaticano.

“Sua resolução e de fato a própria narrativa que traz ao painel ajudarão a forjar a implementação das políticas que a Igreja necessita nesse momento”, disse Scicluna.

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