"A reforma do nosso papa deve começar pela doutrina." Entrevista com Vito Mancuso

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16 Dezembro 2015

Encerra-se em grande estilo o ciclo "Se um domingo de inverno um escritor...", organizado pelo professor Fabrizio Fiocchi, que nesse domingo, na IBS+Libraccio, em Ferrara, na Itália, apresentou o último livro do teólogo Vito Mancuso, Dio e il suo destino [Deus e o seu destino] (Ed. Garzanti). E é o próprio Mancuso que nos conta.

A reportagem é de Matteo Bianchi, publicada no jornal La Nuova Ferrara, 13-12-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

É ainda concebível um Deus que não seja apenas rito?

Estamos em um momento muito delicado depois da queda das religiões ocidentais. O processo de secularização prossegue impávido: da presença nas missas, à aula de religião nas escolas, até a participação nos sacramentos, os dados sobre a afluência despencaram. Da mente ao coração das pessoas, houve um declínio. Ao contrário, não me lembro de uma época em que a religião tivesse tanta importância no debate público, seja sob o perfil sociopolítico, seja sob o espiritual.

O que você acha do Papa Francisco?

Ele está fazendo um ótimo trabalho, mas seria preciso que ele não se limitasse à dimensão disciplinar interna da Cúria, que deve ser corrigida, mas que a reforma tocasse a doutrina, se se quiser falar à consciência contemporânea.

Ele compensa certas deficiências dos nossos políticos?

Ele demonstra a necessidade de uma liderança que restabeleça os valores fundamentais. Não que os políticos de antigamente fossem melhores ou menos corruptos... ou talvez sim, quem sabe. Antigamente, a política tinha uma função ideal, e os políticos exerciam um papel profético sobre a população. Além disso, eram simples administradores da "coisa pública", aqueciam os corações das multidões, saciavam a sua necessidade de símbolos, de ideais. Tanto que, para alguns, o partido era uma verdadeira fé. A encíclica Laudato si' provocou o diálogo, interceptando a necessidade de espiritualidade, tanto à direita quanto à esquerda.

Mas continua atolado nas questões internas...

Ele ainda consegue veicular os ideais civis, os bons sentimentos. Depois, quando se trata de falar à razão, ele fracassa. Ao contrário de antigamente, a Igreja não consegue mais penetrar profundamente.

Por que o seu "Deus" seria diferente?

A ideia veiculada pelo Ocidente não está mais à altura da dimensão ética alcançada pelo nosso tempo. O Deus violento que se impõe de cima, que prefere um povo aos outros, para o qual "nem uma folha se move se Deus não quiser", não é plausível sob o perfil ético. No livro, eu proponho uma refundação do projeto de Deus. Trata-se de levar a sério a mensagem fundamental da Bíblia, para a qual Deus é luz e bem, é amor. Os traços que Dante canta no XX canto do Paraíso. A imagem mais alta que a tradição do cristianismo pode transmitir.

E o Islã, enquanto isso, pune a nossa incoerência.

No dia seguinte ao dia 13 de novembro passado, da tragédia, o Papa Francisco definiu como uma blasfêmia a justificação da violência através da religião. Palavras santas. Mas a reivindicação ao Islã de não instrumentalizar o Alcorão não será credível enquanto os próprios cristãos não purificarem a sua mensagem evangélica.

Voltando ao título, que destino pode ser vislumbrado?

Devemos parar de pensar que a Revelação cristã está concluída, como a evolução da espécie humana não é definitiva. O coração e a mente continuam se abrindo cada vez mais em uníssono para abraçar o futuro. Por isso, é necessário abandonar uma parte do passado e olhar para um Deus compartilhado, que é paz e comunhão, primeiro entre nós e, depois, em relação ao Islã.

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