Jovens estão saindo cada vez mais tarde da casa dos pais

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15 Dezembro 2015

"Estou cansado! Faz cinco meses que eu e minha companheira não temos onde morar", conta Davy Longeau, operário especializado em construção civil em La Rochelle. "Fomos obrigados a ir para a casa dos meus pais, mas é pequeno demais e meu pai está doente". Toda noite o casal precisa abrir um sofá-cama em um quarto minúsculo, depois de ter guardado suas coisas na garagem. "Às vezes vamos para um hotel, mas gastamos muito dinheiro em diárias e gasolina", lamenta o jovem de 25 anos que sentiu o gosto da autonomia durante seis anos. Aos 18 anos, ele deixou a casa da família, depois viveu por três anos com sua companheira em Niort. "Tínhamos uma casa realmente barata, mas quando encontrei meu emprego em La Rochelle, tivemos que sair de lá."

A reportagem é de Isabelle Rey Lefebvre, publicada por Le Monde, 15-12-2015.

Seu salário de 1.200 euros (R$5.135) e a renda de sua companheira, que só encontra empregos de meio-período como monitora infantil, não permitem que eles aluguem um imóvel no setor privado, onde o aluguel absorveria metade de sua renda. "Quando recebemos um salário mínimo, não temos direito ao auxílio à moradia. E não há vagas em conjuntos habitacionais populares para nós", constata amargamente Davy Longeau, que precisa escolher entre morar por um preço acessível em uma cidade onde há poucos empregos, ou trabalhar onde os aluguéis são elevados demais, sem ter um lar próprio.

Fenômeno disseminado

Davy Longeau é o exemplo típico daquilo que se poderia chamar de "os novos Tanguy", uma referência ao filme de Étienne Chatiliez, de 2001. O fenômeno dos jovens que não saem mais da casa dos pais sem nunca assumirem sua independência se disseminou, avalia a Fundação Abbé Pierre (FAP) em um estudo publicado dia 5 de dezembro. E sua realidade não é tão divertida quanto o roteiro que mostra um estudante que por comodidade não sai mais da casa dos pais.

A FAP ressalta que 4,5 milhões de pessoas maiores de idade, sendo 1,3 milhão com mais de 25 anos, moram na casa dos pais, avós ou de amigos. É verdade que uma alta proporção (1,9 milhão) é de universitários, mas um fato novo e preocupante é que agora também há 1,5 milhão de jovens trabalhadores que não conseguem sair da casa dos pais devido ao valor elevado dos aluguéis e à precariedade dos empregos. Pior, o retorno à casa dos pais em 2013 afetou 338 mil pessoas com mais de 25 anos, não estudantes, que em alguns casos já haviam vivido uma experiência longa de moradia independente, ao passo que em 2002 eram somente 282 mil, ou seja, um salto de 20% ao longo da década que viu uma disparada no preço dos imóveis cujos danos no plano social ainda mal foram mensurados.

A situação é ainda pior na região de Ile-de-France, como confirma a Agência Departamental de Informação sobre a Habitação (ADIL, sigla em francês) que investigou o percurso de 300 parisienses que não conseguem deixar a casa dos pais, em uma pesquisa publicada na terça-feira (8). Muitos deles (70% dos entrevistados) depositam suas esperanças na moradia social, mas somente 43% conseguirão.

Quando se é estagiário ou se tem um contrato temporário de trabalho, é difícil de convencer um locador privado ou mesmo social a conceder um aluguel. Mesmo sem serem precários, muitos trabalhadores, como funcionários públicos de categoria inferior, possuem uma renda baixa demais para cobrir três vezes o valor de um aluguel, ainda que social.

Segundo a FAP, 479 mil adultos com mais de 35 anos tiveram de ir morar na casa de familiares por terem perdido o emprego, por problemas financeiros ou de saúde e, mais frequentemente (55%, segundo a Adil), por uma separação. Junto com seus dois filhos, Gwen foi obrigada, após um divórcio litigioso, a deixar bruscamente a moradia financiada pelo empregador do ex-marido. Apesar de seu salário de 1.600 euros (R$6.848) por mês, essa fiscal tributária não conseguiu pagar um aluguel no setor privado, por ser caro demais. "Tive de pedir à minha mãe que nos hospedasse, algo difícil quando se tem 33 anos de idade". O tormento durou só sete meses, quando ela arrumou uma vaga em um conjunto habitacional.

Divorciados morando juntos

"Nas instâncias de divórcio, devemos decidir sobre a atribuição da moradia", conta Anne Barriera, juíza da vara de família no tribunal de Créteil. "E hoje essa é uma decisão quase tão crucial quanto a guarda dos filhos. Somos levados a conceder ao cônjuge que deve deixar a casa, na maior parte das vezes o pai, prazos cada vez maiores, de até seis meses. Então é frequente ver casais separados vivendo sob o mesmo teto, com um pai que janta em família, toma um banho e à noite sai de carro para a casa de amigos ou dos pais."

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